| PRONTO
ATENDIMENTO PSIQUIÁTRICO
DE PRESIDENTE PRUDENTE
RESPONSÁVEL
TÉCNICO :
Paulo Fernando M. Nicolau
CRM-PR 5.008 – CRM-SP 23.758 – CPF 756.953.678-91
Objetivos
Propiciar às
pessoas em crise, com intenso sofrimento emocional
e físico, um atendimento humanizado, procurando
fazer com que estes casos deixem de ser um problema
de polícia para ser um problema de saúde, prevalecendo
uma “atmosfera” de segurança e proteção
com comunicação clara e franca, quando atos violentos
não podem ser permitidos ou tolerados. Trata-se
de mais um investimento da Secretaria Municipal
da Saúde na cidadania do prudentino.
Frente ao paciente
em crise o prioritário é determinar quanto risco
ele apresenta para si mesmo e para terceiros,
fazer um diagnóstico inicial, identificar os fatores
desencadeadores, necessidades imediatas e iniciar
ou encaminhar o tratamento adequado.
A segurança física
e emocional do paciente é uma questão prioritária.
Diferenciar condições
orgânicas de funcionais é outra questão importante
a ser examinada, uma vez que algumas condições
orgânicas podem ser ameaçadoras à vida e imitar
transtornos psiquiátricos. Esta é, potencialmente,
a situação que apresenta maior chance de erro
por parte do examinador. Não esquecer que pacientes
psiquiátricos, principalmente nos casos de falta
de moradia e alcoolismo crônico, estão em grande
risco para tuberculose e deficiências de vitaminas.
Avaliar se o
paciente está ou não psicótico para determinar
a gravidade dos sintomas e o grau de perturbação
em sua vida e a chance de se conduzir a avaliação
até o final.
Todas as ameaças,
gestos, pensamentos, tendências suicidas ou
homicidas devem ser consideradas seriamente até
prova em contrário e os pacientes devem ser observados
atentamente. Atos violentos geralmente
são resultados de percepções errôneas por parte
do paciente, ou reações a membros da equipe que
são intrusos, insensíveis ou indiferentes.
No mínimo, a
avaliação de emergência deve abordar as seguintes
cinco questões antes de qualquer decisão:
1) O problema é orgânico, funcional ou uma combinação de ambos?
2) O paciente está psicótico?
3) O paciente está com tendências suicidas ou
homicidas?
4) Até que ponto o paciente é capaz de cuidar
de si mesmo?
5) Estar em uma ambulância é seguro para o paciente?
Segurança
do Paciente
Os profissionais
que estão prestando socorro devem considerar a
segurança do paciente antes de iniciar qualquer
avaliação. A segurança física e emocional do paciente
assume prioridade sobre todas as outras considerações.
Se as intervenções verbais fracassam ou são contra-indicadas,
o uso de medicamentos ou contenções deve ser considerado
e, se necessário, prescrito. Uma cuidadosa atenção
para um possível surto de agitação ou comportamento
perturbador além dos limites aceitáveis, é freqüentemente
a melhor garantia contra ocorrências indesejáveis.
CLASSIFICAÇÃO
DAS SITUAÇÕES DE UM SERVIÇO DE URGÊNCIA
EMERGÊNCIA
1. Delirium Tremens
2. Comportamento violento
3. Toxicidade por drogas
4. Tentativa de suicídio
URGÊNCIA
1. Comportamento bizarro
2. Agitação aguda
3. Embriaguez
4. Avaliação de internações
5. Atitudes suicidas
ELETIVAS
1. Distúrbios situacionais
(familiar, marital, trabalho)
2. Ansiedade leve ou moderada
3. “Somente quero falar”
4. Questões sobre medicação ou desejo de receitas,
ou informações acerca de efeitos colaterais
5. Pacientes conhecidos, necessitando de suporte
e contínuo envolvimento em programas de trabalho
comunitário.
Podemos definir
situações de emergência como aquelas que envolvem
risco de vida ou risco social grave, necessitando
de intervenções imediatas (tempo medido em minutos
ou horas) e impostergáveis.
Já as situações
de urgência envolvem riscos menores, necessitando
de intervenção em curto prazo (tempo medido em
dias ou semanas).
As situações
eletivas são aquelas em que a rapidez da intervenção
não é um critério essencialmente importante.
Estes conceitos
estão ligados de forma análoga ao elo que existe
entre psiquiatria de emergência e os outros níveis
de atendimento de saúde mental. Assim, a ausência
de busca de recursos por parte do paciente e de
seu sistema de suporte social pode transformar
situações eletivas em urgências ou emergências.
ESTRATÉGIA
GERAL PARA A AVALIAÇÃO DO
PACIENTE
I.
Autoproteção
A. Saiba tanto quanto possível sobre os pacientes, antes de encontrá-los.
B. Deixe os procedimentos de contenção física para
profissionais treinados.
C. Esteja alerta para os riscos de violência iminente.
D. Atente para a segurança do espaço físico à sua volta (por ex.,
acesso a
portas, objetos da sala).
E. Tenha outras pessoas presentes durante a avaliação, se necessário.
F. Garanta a presença de outras pessoas nas imediações.
G. Atente para o desenvolvimento de uma aliança com o paciente
(por ex., não confronte ou ameace pacientes
com psicoses paranóides).
II.
Prevenção quanto ao perigo
A. Previna ferimentos auto-infligidos e suicídio. Use quaisquer
meios necessários para evitar que os pacientes
machuquem a si mesmos, durante a avaliação.
B. Evite a violência para com outros. Avalie brevemente o paciente
para o risco de violência. Se o risco for significativo
considere as seguintes opções:
1.
Informe o paciente de que a violência não é aceitável.
2.
Aborde o paciente de uma forma não-ameaçadora.
3.
Ofereça garantias, acalme ou auxilie o teste
de realidade do paciente.
4.
Ofereça medicamentos.
5.
Informe o paciente de que a contenção ou o isolamento
será usado, se for necessário.
6.
Tenha equipes prontas para conter o paciente
7. Quando os pacientes forem contidos, observe-os sempre,
atentamente, e verifique constantemente seus sinais
vitais. Isole pacientes contidos dos estímulos
que poderiam agitá-los. Planeje imediatamente
uma abordagem adicional - medicação, tranqüilização
verbal e avaliação médica.
III.
Descarte transtornos mentais orgânicos
IV.
Descarte a possibilidade de psicose iminente
PRONTO
ATENDIMENTO PSIQUIÁTRICO DE P.PRUDENTE

Avaliação
e tratamento de emergências psiquiátricas.
PSIQUIATRIA
DE EMERGÊNCIA POR TELEFONE
O telefone torna-se uma ferramenta cada
vez mais importante na emergência. O primeiro
contato com a emergência psiquiátrica freqüentemente
ocorre pelo telefone. A natureza desses encontros
vai desde a pessoa levemente ansiosa ou deprimida
que dá o primeiro passo em busca de psicoterapia
até telefonemas desesperados por auxílio, de pessoas
psicóticas ou suicidas. O manejo
do encontro inicial pode ter profundos efeitos
sobre a evolução da crise. O médico de emergência
também pode receber chamados de pacientes que
não estão genuinamente em crise.
As linhas de emergência são serviços telefônicos
disponíveis durante as 24 horas, geralmente atendidos
por profissionais treinados que oferecem apoio,
aconselhamento ou encaminhamento para pessoas
em uma ampla faixa de situações de crise.
Nesses contextos, a avaliação, o planejamento
do tratamento e até mesmo a psicoterapia breve
podem ocorrer por telefone. O psiquiatra pode
prestar consultoria a um médico não-psiquiatra
por telefone, acerca de como manejar uma emergência.
Orientações
para a avaliação
por telefone
Não importando o contexto - certos princípios
básicos devem orientar o médico que avalia o paciente
por telefone.
Dados
de Identificação
O profissional deve obter dados de identificação
- nome, idade, número de telefone, número e endereço
de onde o paciente está chamando - tão logo seja
possível. Muitos pacientes cedem facilmente a
solicitações por informações sobre si mesmos,
mas alguns resistem a revelar até mesmo as informações
básicas.
Razões
para Telefonar
O profissional deve dar ao pacientes
uma oportunidade para declarar a razão para o
telefonema e para descrever seu estado atual.
Como em qualquer avaliação, o profissional obtém
uma queixa principal e uma história da doença
atual. No contexto de emergência, os perigos mais
óbvios são a propensão suicida e a agressão dirigida
para o exterior. Quando o paciente não discute
espontaneamente esses pensamentos, o profissional
deve indagar sobre a ideação suicida ou homicida.
Se esta ideação é revelada, deve-se realizar uma
avaliação completa que inclui as seguintes questões:
O paciente tem um plano? Dispõe ele de um meio
- arma de fogo, veneno, comprimidos guardados?
Será que o paciente tem intenções letais? Deseja
morrer? O paciente já atuou segundo a ideação
suicida ou agressiva? Ele fez quaisquer tentativas
no passado?
Os pacientes com ideação suicida sem um
plano ou intenção freqüentemente respondem ao
apoio, conforto verbal e sugestões de consultarem
um psiquiatra em uma clínica após a consulta
telefônica.
Quando os pacientes têm planos suicidas
ou se já tentaram suicídio, o médico deve contatar
com a polícia imediatamente. O psiquiatra deve
pedir que um colega chame a polícia, de modo a
poder entreter o paciente ao telefone. Caso isto
não seja possível, diga ao paciente que você voltará
a ligar logo a seguir, e então chame a polícia.
Depois, permaneça em contínuo contato telefônico
com o paciente, até a chegada dos policiais.
Expectativas
Quais são as expectativas do paciente -
a razão subjacente para a chamada? Que espécie
de ajuda ele pede? Será que suas expectativas
são realistas? Alguns pacientes desejam que o
médico evite que atuem de acordo com seus impulsos
perigosos. Os conflitos - amplamente inconscientes
- relativos à dependência e autonomia podem ser
encenados na situação de crise, e o médico deve
permanecer atento para não ser levado a tais encenações.
O telefone torna-se uma ferramenta cada
vez mais importante na emergência. O primeiro
contato com a emergência psiquiátrica freqüentemente
ocorre pelo telefone. A natureza desses encontros
vai desde a pessoa levemente ansiosa ou deprimida
que dá o primeiro passo em busca de psicoterapia
até telefonemas desesperados por auxílio, de pessoas
psicóticas ou suicidas. O manejo
do encontro inicial pode ter profundos efeitos
sobre a evolução da crise. O médico de emergência
também pode receber chamados de pacientes que
não estão genuinamente em crise.
As linhas de emergência são serviços telefônicos
que atendem durante as 24 horas, geralmente atendidos
por profissionais treinados que oferecem apoio,
aconselhamento ou encaminhamento para pessoas
em uma ampla faixa de situações de crise.
Nesses contextos, a avaliação, o planejamento
do tratamento e até mesmo a psicoterapia breve
podem ocorrer por telefone. O psiquiatra pode
prestar consultoria a um médico não-psiquiatra
por telefone, acerca de como manejar uma emergência.
Orientações
para a Avaliação por Telefone
Não importando o contexto - certos princípios
básicos devem orientar o médico que avalia o paciente
por telefone.
Dados
de Identificação
O profissional deve obter dados de identificação
- nome, idade, número de telefone, número e endereço
de onde o paciente está chamando - tão logo seja
possível. Muitos pacientes cedem facilmente a
solicitações por informações sobre si mesmos,
mas alguns resistem a revelar até mesmo as informações
básicas.
Razões
para Telefonar
O profissional deve dar aos pacientes
uma oportunidade para declararem a razão para
o telefonema e para descreverem seu estado atual.
Como em qualquer avaliação, o profissional obtém
uma queixa principal e uma história da doença
atual. No contexto de emergência, os perigos mais
óbvios são a propensão suicida e a agressão dirigida
para o exterior. Quando o paciente não discute
espontaneamente esses pensamentos, o profissional
deve indagar sobre a ideação suicida ou homicida.
Se esta ideação é revelada, deve-se realizar uma
avaliação completa que inclui as seguintes questões:
O paciente tem um plano? Dispõe ele de um meio
- arma de fogo, veneno, comprimidos guardados?
Será que o paciente tem intenções letais? Deseja
morrer? O paciente já atuou segundo a ideação
suicida ou agressiva? Ele fez quaisquer tentativas
no passado?
Os pacientes com ideação suicida sem um
plano ou intenção freqüentemente respondem ao
apoio, conforto verbal e sugestões de consultarem
um psiquiatra em uma clínica após a consulta
telefônica.
Quando os pacientes têm planos suicidas
ou se já fizeram tentativas de suicídio, o médico
deve contatar com a polícia imediatamente. O psiquiatra
deve pedir que um colega chame a polícia, de modo
a poder entreter o paciente ao telefone. Caso
isto não seja possível, diga ao paciente que você
voltará a ligar logo a seguir, e então chame a
polícia. Depois, permaneça em contínuo contato
telefônico com o paciente, até a chegada dos policiais.
Expectativas
Quais são as expectativas do paciente -
a razão subjacente para a chamada? Que espécie
de ajuda ele pede? Será que suas expectativas
são realistas? Alguns pacientes desejam que o
médico evite que atuem de acordo com seus impulsos
perigosos. Os conflitos - amplamente inconscientes
- relativos à dependência e autonomia podem ser
encenados na situação de crise, e o médico deve
permanecer atento para não ser levado a tais encenações.
Sistema
de Apoio
O médico deve averiguar se o paciente tem
um sistema de apoio e, se tem, como entrar em
contato com essas pessoas. Quando a situação indicar,
diga ao paciente que você ou um colega entrará
em contato com as pessoas citadas. Se o paciente
não possui um sistema de apoio, pergunte se existe
um vizinho ou alguém nas vizinhanças que possa
ser contatado para ajudá-lo a ir até um hospital
ou ao consultório do médico.
Os pacientes psiquiátricos severamente enfermos
terão suas habilidades de enfrentamento comprometidas
e pode ser apropriado e necessário oferecer conselhos
concretos, em muitos casos. O paciente pode precisar
de ajuda para obter os serviços sociais ou seus
direitos - descobrir onde pode encontrar serviços
psiquiátricos gratuitos ou acessíveis, por exemplo.
Alguns pacientes utilizam um serviço telefônico
de emergência para obter alívio para uma ansiedade
esmagadora, ataques de pânico e fobias.
A maioria desses pacientes responde a simples
confortos verbais e apreciam o apoio empático
e encaminhamento para tratamento ambulatorial.
Não-Emergenciais
Não-Emergências Legítimas
Os pacientes
que não dispõem de outros recursos podem chamar
o serviço de emergência com perguntas relativamente
diretas, como dúvidas sobre seus medicamentos,
sobre efeitos colaterais ou sobre interações entre
as drogas. Outros pacientes podem chamar solicitando
encaminhamento para uma clínica ou profissional
privado. Essas questões podem ser respondidas
com informações ou com um encaminhamento apropriado.
Documentação
Como no caso de pacientes
que procuram o hospital, as avaliações por telefone
devem ser documentadas. O nome de quem telefonou,
endereço, número telefônico, idade, sexo, data
e hora da chamada devem ser registrados. O médico
deve redigir uma breve sinopse da conversa, documentando
criteriosamente a avaliação da periculosidade
para si e para outrem. O tratamento também deve
ser registrado no relatório.
PRINCÍPIOS
GERAIS
Objetivos
do atendimento
Um atendimento de emergência deve buscar atingir
os objetivos que se seguem. A ordem proposta não
é necessariamente cronológica.
Estabilização do quadro. O paciente que chega a um serviço de emergência por uma crise de
ansiedade, risco de violência, agitação psicomotora
ou outra causa deve ter o seu sintoma alvo diminuído.
Freqüentemente, é a partir do controle deste
sintoma alvo que outros objetivos podem ser alcançados,
como a adequada coleta da história clínica e o
exame do paciente (paciente com agitação psicomotora).
Em
outras circunstâncias, a própria obtenção da história
do paciente tem um papel importante na
redução do sintoma alvo (ansiedade em
crises situacionais).
Exclusão
de uma causa orgânica. A ausência de dados
de história completos sobre o paciente, o exame
mental muitas vezes prejudicado e a pressão para
uma decisão rápida fazem da emergência uma situação
particularmente difícil para o diagnóstico. No
entanto, o psiquiatra que atende emergências sempre
deve excluir uma causa orgânica que explique as
alterações de estado mental de seu paciente: quer
por mais de uma investigação semiológica cuidadosa
em busca de alterações do nível de consciência,
desorientação, sinais vitais anormais, quer por
meio de instrumentos de screening para alterações
de estado mental de causa orgânica (Mini Mental,
Folstein, 1975). A partir do grau de suspeição,
deve solicitar exames laboratoriais (hemograma
completo, glicemia, eletrólitos, uréia e creatinina),
eletrocardiograma, punção lombar e/ou tomografia
computadorizada de crânio.
Encaminhamento.
Raras são as situações em que o atendimento de
emergência se encerra em si mesmo. O adequado
encaminhamento é função primordial do atendimento
e evidentemente ele só poderá ser efetivado de
forma satisfatória se os objetivos anteriores
forem cumpridos.
A
FAMÍLIA
O familiar
ou acompanhante do paciente que vem a um atendimento
de emergência sempre deve ser ouvido, e isso deve
ser claramente dito. Sua importância reside em
ser uma insubstituível fonte de informações semiológicas
e no fato de que conhecê-lo poderá ser decisivo
para estabelecer a conduta. Na maioria das vezes
a qualidade do suporte familiar é fundamental
na indicação de um tratamento ambulatorial ou
de uma hospitalização.
A simples
observação da relação do paciente com o acompanhante
antes do atendimento, freqüentemente, oferece
valiosas informações de conflitos que poderão
ser mais bem explicitados na entrevista. Muitos
fatos omitidos voluntária ou involuntariamente
pelo paciente podem ser claramente fornecidos
pela família. A própria ausência de um familiar
ou de acompanhante é um dado importante na compreensão
do comprometimento social na vida deste
paciente.
Outras
vezes, complexos conflitos familiares fazem do
paciente um “mensageiro” da crise do grupo familiar.
A identificação destes “papéis” na situação de
emergência pode ser um ponto de partida importante
para modificações estruturais do grupo familiar
e fator importante no momento do encaminhamento.
SITUAÇÕES
EXTREMAS MAIS FREQÜENTES NA EMERGÊNCIA QUE
DEVERÃO CONTAR COM O APOIO ESPECIALIZADO DO CORPO
DE BOMBEIROS
Paciente
violento
Comportamento
violento pode ser definido como aquele que conduz
ou ameaça conduzir a dano físico em pessoas ou
objetos. A violência é um comportamento multicausal
em que interagem fatores sociais, psicológicos
e biológicos.
Na situação
de emergência, um aspecto extremamente importante
é a habilidade do clínico em se antecipar ao aparecimento
do comportamento violento. Vários estudos têm
mostrado que fatores preditivos do comportamento
violento são úteis na previsão de sua ocorrência
em curto prazo (30-60 minutos) e no
máximo em relação há alguns dias.
Fatores
de risco
Demográficos. Homem, jovem (15
a 25 anos), baixo nível sócio-educacional, desempregado,
membro de minorias, sem suporte social.
Diagnóstico. Intoxicações e abstinência
por álcool e drogas, transtornos mentais orgânicos,
esquizofrenia, transtornos de humor, transtornos
de personalidade; especialmente paranóide, anti-social
e borderline.
História prévia. História prévia de
atos violentos, atos homicidas, assaltos, prisões.
Vítima de violência na infância.
Psicológicos. Baixa tolerância
a frustrações, baixa auto-estima, baixa tolerância
a relações próximas, tendência à projeção e externalização.
Comportamento do paciente durante a entrevista. É o preditor mais importante de violência iminente. Atenção especial
deve ser dada ao paciente com as mãos fechadas,
com a musculatura tensa, sentado na ponta da cadeira,
inquieto; ao paciente que fala alto, de forma
ameaçadora ou que blasfêma; ao paciente paranóide
ou com o humor irritado, exaltado ou eufórico;
ao paciente intoxicado por álcool ou por drogas.
Diagnóstico diferencial
O comportamento violento pode estar associado a quadros
de etiologia orgânica (intoxicações, traumatismos
cranianos, infecções do SNC, epilepsia, doenças
metabólicas, hipóxias e intoxicações por álcool
ou drogas), etiologia não-orgânica e psicótica
(especialmente pacientes em episódio maníaco ou
esquizofrênico) e etiologia não-orgânica e não
psicótica.
Conduta
Manejo
verbal
Independentemente
do diagnóstico, o comportamento violento em geral
representa um movimento defensivo contra sentimentos
intoleráveis de fragilidade e desproteção. O
tratamento mais efetivo, na emergência, para o
paciente violento é a intervenção verbal, a partir
desta compreensão geral.
A
entrevista deve preferencialmente ser conduzida num lugar
tranqüilo. O entrevistador deve guardar uma distância
maior que a habitual, tanto para sua proteção
como também pelo fato de o paciente violento ser
muito suscetível à proximidade física.
A
atitude do entrevistador deve ser calma, respeitosa
e direta.
Tratando o paciente com honestidade, dignidade
e respeito, o clínico transmite ao paciente a
esperança de ser ajudado. A entrevista deve começar
de forma não-intrusiva por meio de questões inespecíficas
e abertas. É importante que o paciente perceba
através das comunicações verbais um
desejo consistente do entrevistador em
auxiliá-lo. Quando o entrevistador sentir-se ameaçado
pelo paciente, a explicitação deste sentimento,
bem como o esclarecimento da impossibilidade de
auxiliá-lo nesta situação, muitas vezes, tem função
facilitadora para a entrevista.
Se
o paciente está psicótico, intoxicado ou
apresenta uma síndrome mental orgânica, o entrevistador
deve utilizar frases curtas, breves e claras,
havendo freqüentemente necessidade de repetir
várias vezes o que foi dito.
O
paciente violento deve ser estimulado a falar
de seus sentimentos. Fantasias de retaliação,
vingança, medo de ser preso são freqüentes nestas
situações. A simples ventilação e esclarecimento
destes temores, além de diminuir a necessidade
de expressá-los
na ação, fornece informações valiosas ao
entrevistador. É importante que o paciente vá
sentindo que o
entrevistador está disposto a falar sobre
seus sentimentos, sobre sua violência, mas que
atos violentos não serão aceitos e que o entrevistador
dispõe de meios de impedir o comportamento violento
do paciente. É extremamente importante o paciente
perceber que isso lhe é dito não em tom desafiador
e nem para “medir forças” mas para auxiliá-lo.
Quando
o manejo verbal não é suficiente para diminuir
o risco de comportamento violento do paciente
duas abordagens são possíveis: a tranqüilização
rápida e a contenção mecânica.
Tranqüilização
rápida
A
tranqüilização rápida pode ser definida como um
tratamento farmacológico inespecífico no qual doses repetidas de antipsicótico
são administradas num curto espaço de tempo com
a finalidade de diminuir a intensidade de alguns
sintomas-alvo. Estes sintomas-alvo incluem tensão, hiperatividade, agitação
e/ou agressividade. O número de doses da medicação
utilizada é determinado pelo esbatimento da sintomatologia.
Os
antipsicóticos de alta potência são as medicações
de primeira escolha. Haloperidol 5 mg, uma
ampola IM de 30 em 30 minutos até o esbatimento
dos sintomas, pode ser usado. Em geral, não são
necessárias mais do que três doses. Os eventuais
sintomas extrapiramidais devem ser tratados sintomática
e não profilaticamente. A via oral pode ser alternativa
útil a via IM. Uma boa resposta em geral é esperada
1,5 a 2,5 horas após a medicação VO. No entanto,
num paciente agitado, a via intramuscular impõe
problemas práticos evidentes, mas mesmo assim
a via IM é a de escolha.
Os neurolépticos de baixa potência (clorpromazina, por exemplo)
têm o inconveniente da sedação e da hipotensão.
Além disso, as apresentações em ampola
têm um volume grande para aplicação IM, sendo
mais dolorosas e tendo um risco maior de formação
de abscessos ou reações granulomatosas.
Os benzodiazepínicos têm
sido citados como principais alternativas aos
antipsicóticos na tranqüilização rápida e sua
utilização é importante especialmente nos pacientes
em que um início rápido de ação é necessário.
Os inconvenientes dos benzodiazepínicos
seriam o efeito sedativo, depressão respiratória
(sobremaneira em pacientes intoxicados por outras
drogas), e o eventual efeito paradoxal apresentado
por algumas pessoas. A associação de neurolépticos
de alta potência com benzodiazepínicos pode ser
útil nos pacientes resistentes à monoterapia.
Contenção
mecânica (realizada com o auxílio do Corpo
de Bombeiros)
A
contenção mecânica é um importante instrumento
para o manejo de pacientes violentos quando bem
indicada e realizada de maneira adequada. É
um método seguro, eficiente, que não afeta o nível
de consciência do paciente e por ser reversível,
pode ser retirado progressivamente à medida que
o próprio paciente vai apresentando condições
de controlar seus impulsos.
Ao
contrário do que muitas vezes se pensa, a reação
do paciente à contenção mecânica é, no final do
tratamento, de gratidão, ao se dar conta de que
foi impedido de agir de forma destrutiva durante
seu episódio de agitação.
A
contenção mecânica deve ser realizada seguindo
algumas recomendações:
1) Preferentemente cinco pessoas
devem estar envolvidas na contenção.
Uma que coordena e que dirige a palavra
ao paciente, em geral o clínico, e outras quatro
pessoas (uma para cada membro do corpo) com treinamento
prévio neste tipo de procedimento.
2) A contenção deve ser de um material
resistente (lençóis
se possível).
3)
O paciente deve ser contido em decúbito lateral
e com a cabeça levemente elevada. O decúbito dorsal
com os braços abertos deixa o paciente em posição
vulnerável. Além disso, aumenta o risco de aspiração,
caso o paciente vomite.
4)
Durante todo o procedimento, o paciente deve ser
esclarecido sobre o que está sendo feito, bem
como os motivos, tentando explicar o caráter não-punitivo
do mesmo.
5) O paciente contido deve ser
constantemente observado, tanto em relação à segurança
e conforto da contenção quanto a outros parâmetros,
como sinais vitais e nível de consciência.
6) A contenção mecânica não deve
ser vista como um procedimento isolado para o
manejo do comportamento violento. A sua maior
importância é propiciar a abordagem verbal do
paciente de uma forma segura para ambos. Com o
paciente contido é possível obter dados de história
e estado mental que permitam um diagnóstico e
uma conduta mais adequada, mesmo em termos psicofarmacológicos.
Paciente
com risco de suicídio
Existe uma ampla gama de situações envolvendo risco
de suicídio na clínica, as quais vão desde ideações
suicidas leves até o paciente que chega em coma
por ingestão de medicamentos. A avaliação do risco
de suicídio permanece sendo um desafio. Apesar
de os fatores de risco serem bons guias na escolha
da conduta, eles devem ser individualizados, e
em cada paciente o peso de cada fator contará
diferentemente.
Prevalência
A prevalência de suicídio no Brasil situa-se em torno
de 4 por 100.000 habitantes, apesar de este dado
poder ser questionado pela complexidade de sua
determinação. Os dados sobre número de tentativas
de suicídio são ainda mais questionáveis, a começar
pelas dificuldades conceituais envolvidas. A literatura
americana mostra que a prevalência de tentativas
chega a ser 40 vezes mais freqüente que a de suicídios
concretizados.
Fatores
de risco
Embora a conduta suicida tenha um espectro amplo,
parece haver uma diferença no perfil dos pacientes
que tentam o suicídio e os pacientes que realmente
se suicidam. De um modo geral, os pacientes que
se suicidam tem um diagnóstico psiquiátrico definido
(depressão, esquizofrenia, dependência do álcool
ou drogas e transtornos de personalidade). Além
disso, variáveis como desesperança e isolamento
social parecem ser muito importantes na avaliação
do risco.
O quadro anexo resume os principais fatores de risco
para o suicídio.
Prioridades
no manejo da tentativa de suicídio
Paciente
que tentou suicídio
A
primeira parte do atendimento de um paciente que
tentou suicídio deve ser centrada sobre o manejo
da complicação médica decorrente.
No
paciente que tentou suicídio por ingestão de medicamentos:
O
nível de
consciência é o primeiro aspecto a ser avaliado.
-
Nos pacientes capazes de informar, a obtenção
de dados, como o nome da medicação, dose, tempo
decorrente desde a ingestão, velocidade do consumo,
associação de medicamentos, drogas ou álcool são
prioridades.
-
Naqueles em coma, a obtenção de alguma informação
junto a acompanhantes ou familiares deve ser tentada.
Manobras para diminuir a absorção devem ser realizadas.
-
Indução de vômitos ou lavagem gástrica.
-
Uso
de
substâncias que possam antagonizar o efeito
da droga ingerida. O
uso de antagonistas de benzodiazepínicos
mais recentemente desenvolvidos (por ex.: fumazenil)
parece ser uma opção interessante a ser introduzida
em nosso meio.
Paciente
com risco de suicídio
Avaliação do risco é uma tarefa extremamente difícil
por vários motivos:
-
Primeiro, pela seriedade do que está em
questão: a vida ou a morte do paciente.
-
Segundo, porque o psiquiatra tem de decidir não
apenas sobre
um diagnóstico, mas acima de tudo sobre um prognóstico,
no qual as dificuldades são muito maiores.
- Terceiro, porque
o psiquiatra muitas vezes vê o paciente
na emergência, não o conhece profundamente, sendo
o risco de suicídio freqüentemente o motivo da
busca do atendimento.
-
Quarto, o conhecimento dos fatores de risco
nas tentativas de suicídio é um importante guia
no manejo e na decisão da conduta a ser tomada
em relação ao paciente (Quadro anexo).
Outras
variáveis também estão envolvidas nesta avaliação.
A
noção de ambivalência
é fundamental para quem lida com o paciente com
ideação suicida
na emergência. Como regra geral, todo o
paciente com ideação suicida é ambivalente em
relação à concretização de seu ato. Se assim não
o fosse, ou ele não pensaria nisso ou ele já o
teria concretizado. Cabe ao clínico estimar o
grau desta ambivalência e diagnosticar com que
recursos internos e externos (familiares e ambientais)
conta o paciente.
Uma
segunda noção importante é a de desesperança.
O suicídio parece estar mais relacionado ao
grau de desesperança do que precisamente com a
intensidade da depressão.
O
paciente com risco de suicídio é um paciente com
um sofrimento intenso e é sempre um paciente grave.
É bem verdade que o gesto suicida sempre quer
comunicar algo e não é necessariamente um desejo
de acabar com a vida. É freqüente a idéia do suicídio
como algo capaz de aliviar seu sofrimento: a agressão
e a vingança aos que “ficam”; o desejo de que
sintam a sua falta, etc.
A
idéia de que o paciente possa estar “manipulando”
é um termo que muitas vezes os familiares e os
profissionais utilizam para transmitir a não gravidade
de uma situação que envolve risco de suicídio,
especialmente em pacientes com transtorno de personalidade,
no mais das vezes histriônico, ou eventualmente
borderline.
No entanto, quando alguém manipula com a própria
vida, isso em si já é grave, visto que existem
outras formas de manipulação.
A
decisão fundamental, após uma avaliação de risco
de suicídio, é a indicação
ou não de internação hospitalar para o esbatimento
do risco.
De
uma maneira geral, as internações estão indicadas
quando:
-
o paciente está psicótico, com a presença
de delírios, ou idéias de comando e alucinações;
-
quando existe um fator que interfere com
o nível de consciência, impossibilitando a avaliação
do paciente na emergência (intoxicação por álcool
ou drogas);
- quando não existe modificação na ideação suicida, após intervenção
junto ao paciente e à família;
-
existe pouco suporte familiar ou esgotamento
dos recursos familiares;
-
as tentativas de suicídio são freqüentes
ou escaladas;
-
o psiquiatra tem dúvida quanto ao risco.
Um importante indicador para a conduta é a possibilidade
de estabelecer com o paciente e com a família
um “pacto anti-suicida”,
isto é, se o paciente sente que seus impulsos
suicidas estão sob o seu controle, se ele se sente
em condições de comunicar sua piora à família
ou ao seu médico, como também, se a família se
sente em condições de estar sempre próxima, atenta
a sinais de agravamento do quadro ou recrudescimento
dos impulsos suicidas.
Muitas vezes, esta medida evita a internação
e restabelece a esperança do paciente na sua capacidade
de sair de seu estado. Após o atendimento de emergência,
o paciente deve sistematicamente seguir acompanhamento
psiquiátrico, como interno ou em nível ambulatorial,
com consultas freqüentes.
O médico deve averiguar se o paciente tem
um sistema de apoio e, se tem, como entrar em
contato com essas pessoas. Quando a situação indicar,
diga ao paciente que você ou um colega entrará
em contato com as pessoas citadas. Se o paciente
não possui um sistema de apoio, pergunte se existe
um vizinho ou alguém nas vizinhanças que possa
ser contatado para ajudá-lo a ir até um hospital
ou ao consultório do médico.
Os pacientes psiquiátricos severamente enfermos
terão suas habilidades de enfrentamento comprometidas
e pode ser apropriado e necessário oferecer conselhos
concretos, em muitos casos. O paciente pode precisar
de ajuda para obter os serviços sociais ou seus
direitos - descobrir onde pode encontrar serviços
psiquiátricos gratuitos ou acessíveis, por exemplo.
Alguns pacientes utilizam um serviço telefônico
de emergência para obter alívio para uma ansiedade
esmagadora, ataques de pânico e fobias.
A maioria desses pacientes responde a simples
confortos verbais e apreciam o apoio empático
e encaminhamento para tratamento ambulatorial.
Não-Emergênciais
Não-Emergências Legítimas
Os pacientes
que não dispõem de outros recursos podem chamar
o serviço de emergência com perguntas relativamente
diretas, como dúvidas sobre seus medicamentos,
sobre efeitos colaterais ou sobre interações entre
as drogas. Outros pacientes podem chamar solicitando
encaminhamento para uma clínica ou profissional
privado. Essas questões podem ser respondidas
com informações ou com um encaminhamento apropriado.
Documentação
Como no caso de pacientes
que procuram o hospital, as avaliações por telefone
devem ser documentadas. O nome de quem telefonou,
endereço, número telefônico, idade, sexo e a data
e hora da chamada devem ser registrados. O médico
deve redigir uma breve sinopse da conversa, documentando
criteriosamente a avaliação da periculosidade
para si e para outrem. O tratamento também deve
ser registrado no relatório.
PRINCÍPIOS
GERAIS
Objetivos
do atendimento
Um atendimento de emergência deve buscar atingir
os objetivos que se seguem. A ordem proposta não
é necessariamente cronológica.
Estabilização do quadro. O paciente que chega a um serviço de emergência por uma crise de
ansiedade, risco de violência, agitação psicomotora
ou outra causa deve ter o seu sintoma alvo diminuído.
Freqüentemente, é a partir do controle deste
sintoma alvo que outros objetivos podem ser alcançados,
como a adequada coleta da história
clínica e o exame do paciente (paciente com agitação
psicomotora). Em outras circunstâncias, a própria
obtenção da história do paciente tem um papel
importante na redução do sintoma alvo (ansiedade em
crises situacionais).
Exclusão
de uma causa orgânica. A ausência de dados
de história completos sobre o paciente, o exame
mental muitas vezes prejudicado e a pressão para
uma decisão rápida fazem da emergência uma situação
particularmente difícil para o diagnóstico. No
entanto, o psiquiatra que atende emergências sempre
deve excluir uma causa orgânica que explique as
alterações de estado mental de seu paciente: quer
por mais de uma investigação semiológica cuidadosa
em busca de alterações do nível de consciência,
desorientação, sinais vitais anormais, quer por
meio de instrumentos de screening para alterações
de estado mental de causa orgânica (Mini Mental,
Folstein, 1975). A partir do grau de suspeição,
deve solicitar exames laboratoriais (hemograma
completo, glicemia, eletrólitos, uréia e creatinina),
eletrocardiograma, punção lombar e/ou tomografia
computadorizada de crânio.
Encaminhamento.
Raras são as situações em que o atendimento de
emergência se encerra em si mesmo. O adequado
encaminhamento é função primordial do atendimento
e evidentemente ele só poderá ser efetivado de
forma satisfatória se os objetivos anteriores
forem cumpridos.
A
FAMÍLIA
O familiar
ou acompanhante do paciente que vem a um atendimento
de emergência sempre deve ser ouvido, e isso deve
ser claramente dito. Sua importância reside em
ser uma insubstituível fonte de informações semiológicas
e no fato de que conhecê-lo poderá ser decisivo
para estabelecer a conduta. Na maioria das vezes
a qualidade do suporte familiar é fundamental
na indicação de um tratamento ambulatorial ou
de uma hospitalização.
A simples
observação da relação do paciente com o acompanhante
antes do atendimento, freqüentemente, oferece
valiosas informações de conflitos que poderão
ser mais bem explicitados na entrevista. Muitos
fatos omitidos voluntária ou involuntariamente
pelo paciente podem ser claramente fornecidos
pela família. A própria ausência de um familiar
ou de acompanhante é um dado importante na compreensão
do comprometimento social na vida deste
paciente.
Outras
vezes, complexos conflitos familiares fazem do
paciente um “mensageiro” da crise do grupo familiar.
A identificação destes “papéis” na situação de
emergência pode ser um ponto de partida importante
para modificações estruturais do grupo familiar
e fator importante no momento do encaminhamento.
SITUAÇÕES
EXTREMAS MAIS FREQÜENTES NA EMERGÊNCIA QUE
DEVERÃO CONTAR COM O APOIO ESPECIALIZADO DO CORPO
DE BOMBEIROS
Paciente
violento
Comportamento
violento pode ser definido como aquele que conduz
ou ameaça conduzir a dano físico em pessoas ou
objetos. A violência é um comportamento multicausal
em que interagem fatores sociais, psicológicos
e biológicos.
Na situação
de emergência, um aspecto extremamente importante
é a habilidade do clínico em se antecipar ao aparecimento
do comportamento violento. Vários estudos têm
mostrado que fatores preditivos do comportamento
violento são úteis na previsão de sua ocorrência
em curto prazo (30-60 minutos) e no
máximo em relação há alguns dias.
Fatores
de risco
Demográficos. Homem, jovem (15
a 25 anos), baixo nível sócio-educacional, desempregado,
membro de minorias, sem suporte social.
Diagnóstico. Intoxicações e abstinência
por álcool e drogas, transtornos mentais orgânicos,
esquizofrenia, transtornos de humor, transtornos
de personalidade; especialmente paranóide, anti-social
e borderline.
História prévia. História prévia de
atos violentos, atos homicidas, assaltos, prisões.
Vítima de violência na infância.
Psicológicos. Baixa tolerância
a frustrações, baixa auto-estima, baixa tolerância
a relações próximas, tendência à projeção e externalização.
Comportamento do paciente durante a entrevista. É o preditor mais importante de violência iminente. Atenção especial
deve ser dada ao paciente com as mãos fechadas,
com a musculatura tensa, sentado na ponta da cadeira,
inquieto; ao paciente que fala alto, de forma
ameaçadora ou que blasfêmia; ao paciente paranóide
ou com o humor irritado, exaltado ou eufórico;
ao paciente intoxicado por álcool ou por drogas.
Diagnóstico diferencial
O comportamento violento pode estar associado a quadros
de etiologia orgânica (intoxicações, traumatismos
cranianos, infecções do SNC, epilepsia, doenças
metabólicas, hipóxias e intoxicações por álcool
ou drogas), etiologia não-orgânica e psicótica
(especialmente pacientes em episódio maníaco ou
esquizofrênico) e etiologia não-orgânica e não
psicótica.
Conduta
Manejo
verbal
Independentemente
do diagnóstico, o comportamento violento em geral
representa um movimento defensivo contra sentimentos
intoleráveis de fragilidade e desproteção. O
tratamento mais efetivo, na emergência, para o
paciente violento é a intervenção verbal, a partir
desta compreensão geral.
A
entrevista deve preferencialmente ser conduzida num lugar
tranqüilo. O entrevistador deve guardar uma distância
maior que a habitual, tanto para sua proteção
como também pelo fato de o paciente violento ser
muito suscetível à proximidade física.
A
atitude do entrevistador deve ser calma, respeitosa
e direta.
Tratando o paciente com honestidade, dignidade
e respeito, o clínico transmite ao paciente a
esperança de ser ajudado. A entrevista deve começar
de forma não-intrusiva por meio de questões inespecíficas
e abertas. É importante que o paciente perceba
através das comunicações verbais um
desejo consistente do entrevistador em
auxiliá-lo. Quando o entrevistador sentir-se ameaçado
pelo paciente, a explicitação deste sentimento,
bem como o esclarecimento da impossibilidade de
auxiliá-lo nesta situação, muitas vezes, tem função
facilitadora para a entrevista.
Se
o paciente está psicótico, intoxicado ou uma síndrome
mental orgânica, o entrevistador deve utilizar
frase curta, breve e clara, havendo freqüentemente
necessidade de repetir várias vezes o que foi
dito.
O
paciente violento deve ser estimulado a falar
de seus sentimentos. Fantasias de retaliação,
vingança, medo de ser preso são freqüentes nestas
situações. A simples ventilação e esclarecimento
destes temores, além de diminuir a necessidade
de expressá-los
na ação, fornece informações valiosas ao
entrevistador. É importante que o paciente vá
sentido que o
entrevistador está disposto a falar sobre
seus sentimentos, sobre sua violência, mas que
atos violentos não serão aceitos, e que o entrevistador
dispõe de meios de impedir o comportamento violento
do paciente. É extremamente importante o paciente
perceber que isso lhe é dito não em tom desafiador
e nem para “medir forças”, mas para auxiliá-lo.
Quando
o manejo verbal não é suficiente para diminuir
o risco de comportamento violento do paciente,
duas abordagens são possíveis: a tranqüilização
rápida e a contenção mecânica.
Tranqüilização
rápida
A
tranqüilização rápida pode ser definida como um
tratamento farmacológico inespecífico no qual doses repetidas de antipsicótico
são administradas num curto espaço de tempo com
a finalidade de diminuir a intensidade de alguns
sintomas alvo. Estes sintomas alvo incluem
tensão, hiperatividade, agitação e/ou agressividade.
O número de doses da medicação utilizada é determinado
pelo esbatimento da sintomatologia.
Os
antipsicóticos de alta potência são as medicações
de primeira escolha. Haloperidol 5 mg, uma
ampola IM de 30 em 30 minutos até o esbatimento
dos sintomas, pode ser usado. Em geral, não são
necessárias mais do que três doses. Os eventuais
sintomas extrapiramidais devem ser tratados sintomática
e não profilaticamente. A via oral pode ser alternativa
útil a via IM. Uma boa resposta em geral é esperada
1,5 a 2,5 horas após a medicação VO. No entanto,
num paciente agitado, a via intramuscular impõe
problemas práticos evidentes, mas mesmo assim
a via IM é a de escolha.
Os neurolépticos de baixa potência (clorpromazina, por exemplo)
têm o inconveniente da sedação e da hipotensão.
Além disso, as apresentações em ampola
têm um volume grande para aplicação IM, sendo
mais dolorosas e tendo um risco maior de formação
de abscessos ou reações granulomatosas.
Os benzodiazepínicos têm sido citados como a principal
alternativa aos antipsicóticos na tranqüilização
rápida e são importantes especialmente nos pacientes
em que um início rápido de ação é necessário.
Os inconvenientes dos benzodiazepínicos
seriam o efeito sedativo, depressão respiratória
(sobremaneira em pacientes intoxicados por outras
drogas), e o eventual efeito paradoxal apresentado
por algumas pessoas. A associação de neurolépticos
de alta potência com benzodiazepínicos pode ser
útil nos pacientes resistentes à monoterapia.
Contenção
mecânica (realizada com o auxílio do Corpo
de Bombeiros)
A
contenção mecânica é um importante instrumento
para o manejo de pacientes violentos, quando bem
indicada e realizada de maneira adequada. É
um método seguro, eficiente, que não afeta o nível
de consciência do paciente e por ser reversível,
pode ser retirado progressivamente à medida que
o próprio paciente vai apresentando condições
de controlar seus impulsos.
Ao
contrário do que muitas vezes se pensa, a reação
do paciente à contenção mecânica é, no final do
tratamento, de gratidão, ao se dar conta de que
foi impedido de agir de forma destrutiva durante
seu episódio de agitação.
A
contenção mecânica deve ser realizada seguindo
algumas recomendações:
1) Preferentemente cinco pessoas
devem estar envolvidas na contenção.
Uma que coordena e que dirige a palavra
ao paciente, em geral o clínico, e outras quatro
pessoas (uma para cada membro do corpo) com treinamento
prévio neste tipo de procedimento.
2) A contenção deve ser de um material
resistente (lençóis
se possível).
3)
O paciente deve ser contido em decúbito lateral
e com a cabeça levemente elevada. O decúbito dorsal
com os braços abertos deixa o paciente em posição
de uma vulnerabilidade. Além disso, aumenta o
risco de aspiração, caso o paciente vomite.
4)
Durante todo o procedimento, o paciente deve ser
esclarecido sobre o que está sendo feito, bem
como os motivos, tentando explicar o caráter não-punitivo
do mesmo.
5) O paciente contido deve ser
constantemente observado, tanto em relação à segurança
e conforto da contenção quanto a outros parâmetros,
como sinais vitais e nível de consciência.
6) A contenção mecânica não deve
ser vista como um procedimento isolado para o
manejo do comportamento violento. A sua maior
importância é propiciar a abordagem verbal do
paciente de uma forma segura para ambos. Com o
paciente contido é possível obter dados de história
e estado mental que permitam um diagnóstico e
uma conduta mais adequada, mesmo em termos psicofarmacológicos.
Paciente
com risco de suicídio
Existe uma ampla gama de situações envolvendo risco
de suicídio na clínica, as quais vão desde ideações
suicidas leves até o paciente que chega em coma
por ingestão de medicamentos. A avaliação do risco
de suicídio permanece sendo um desafio. Apesar
de os fatores de risco serem bons guias na escolha
da conduta, eles devem ser individualizados, e
em cada paciente o peso de cada fator contará
diferentemente.
Prevalência
A prevalência de suicídio no Brasil situa-se em torno
de 4 por 100.000 habitantes, apesar de este dado
poder ser questionado pela complexidade de sua
determinação. Os dados sobre número de tentativas
de suicídio são ainda mais questionáveis, a começar
pelas dificuldades conceituais envolvidas. A literatura
americana mostra que a prevalência de tentativas
chega a ser 40 vezes mais freqüente que a de suicídios
concretizados.
Fatores
de risco
Embora a conduta suicida tenha um espectro amplo,
parece haver uma diferença no perfil dos pacientes
que tentam o suicídio e os pacientes que realmente
se suicidam. De um modo geral, os pacientes que
se suicidam tem um diagnóstico psiquiátrico definido
(depressão, esquizofrenia, dependência do álcool
ou drogas e transtornos de personalidade). Além
disso, variáveis como desesperança e isolamento
social parecem ser muito importantes na avaliação
do risco.
O quadro anexo resume os principais fatores de risco
para o suicídio.
Prioridades
no manejo da tentativa de suicídio
Paciente
que tentou suicídio
A
primeira parte do atendimento de um paciente que
tentou suicídio deve ser centrada sobre o manejo
da complicação médica decorrente.
No
paciente que tentou suicídio por ingestão de medicamentos:
O
nível de
consciência é o primeiro aspecto a ser avaliado.
-
Nos pacientes capazes de informar, a obtenção
de dados, como o nome da medicação, dose, tempo
decorrente desde a ingestão, velocidade do consumo,
associação de medicamentos, drogas ou álcool são
prioridades.
-
Naqueles em coma, a obtenção de alguma informação
junto a acompanhantes ou familiares deve ser tentada.
Manobras para diminuir a absorção devem ser realizadas.
-
Indução de vômitos ou lavagem gástrica.
-
Uso
de
substâncias que possam antagonizar o efeito
da droga ingerida. O
uso de antagonistas de benzodiazepínicos
mais recentemente desenvolvidos (por ex.: fumazenil)
parece ser uma opção interessante a ser introduzida
em nosso meio.
Paciente
com risco de suicídio
Avaliação do risco é uma tarefa extremamente difícil
por vários motivos:
-
Primeiro, pela seriedade do que está em
questão: a vida ou a morte do paciente.
-
Segundo, porque o psiquiatra tem de decidir não
apenas sobre
um diagnóstico, mas acima de tudo sobre um prognóstico,
no qual as dificuldades são muito maiores.
- Terceiro, porque
o psiquiatra muitas vezes vê o paciente
na emergência, não o conhece profundamente, sendo
o risco de suicídio freqüentemente o motivo da
busca do atendimento.
-
Quarto, o conhecimento dos fatores de risco
nas tentativas de suicídio é um importante guia
no manejo e na decisão da conduta a ser tomada
em relação ao paciente (Quadro anexo).
Outras
variáveis também estão envolvidas nesta avaliação.
A
noção de ambivalência
é fundamental para quem lida com o paciente com
ideação suicida
na emergência. Como regra geral, todo o
paciente com ideação suicida é ambivalente em
relação à concretização de seu ato. Se assim não
o fosse, ou ele não pensaria nisso ou ele já o
teria concretizado. Cabe ao clínico estimar o
grau desta ambivalência e diagnosticar com que
recursos internos e externos (familiares e ambientais)
conta o paciente.
Uma
segunda noção importante é a de desesperança.
O suicídio parece estar mais relacionado ao
grau de desesperança do que precisamente com a
intensidade da depressão.
O
paciente com risco de suicídio é um paciente com
um sofrimento intenso e é sempre um paciente grave.
É bem verdade que o gesto suicida sempre quer
comunicar algo e não é necessariamente um desejo
de acabar com a vida. É freqüente a idéia do suicídio
como algo capaz de aliviar seu sofrimento: a agressão
e a vingança aos que “ficam”; o desejo de que
sintam a sua falta, etc.
A
idéia de que o paciente possa estar “manipulando”
é um termo que muitas vezes os familiares e os
profissionais utilizam para transmitir a não gravidade
de uma situação que envolve risco de suicídio,
especialmente em pacientes com transtorno de personalidade,
no mais das vezes histriônico, ou eventualmente
borderline.
No entanto, quando alguém manipula com a própria
vida, isso em si já é grave, visto que existem
outras formas de manipulação.
A
decisão fundamental, após uma avaliação de risco
de suicídio, é a indicação
ou não de internação hospitalar para o esbatimento
do risco.
De
uma maneira geral, as internações estão indicadas
quando:
-
o paciente está psicótico, com a presença
de delírios, ou idéias de comando e alucinações;
-
quando existe um fator que interfere com
o nível de consciência, impossibilitando a avaliação
do paciente na emergência (intoxicação por álcool
ou drogas);
- quando não existe modificação na ideação suicida, após intervenção
junto ao paciente e à família;
-
existe pouco suporte familiar ou esgotamento
dos recursos familiares;
-
as tentativas de suicídio são freqüentes
ou escaladas;
-
o psiquiatra tem dúvida quanto ao risco.
Um importante indicador para a conduta é a possibilidade
de estabelecer com o paciente e com a família
um “pacto anti-suicida”,
isto é, se o paciente sente que seus impulsos
suicidas estão sob o seu controle, se ele sente
em condições de comunicar sua piora à família
ou ao seu médico, como também, se a família se
sente em condições de estar sempre próxima, atenta
a sinais de agravamento do quadro ou recrudescimento
dos impulsos suicidas.
Muitas vezes, esta medida evita a internação
e restabelece a esperança do paciente na sua capacidade
de sair de seu estado. Após o atendimento de emergência,
o paciente deve sistematicamente seguir acompanhamento
psiquiátrico, como interno ou em nível ambulatorial,
com consultas freqüentes.
AVALIAÇÃO
DO RISCO DE SUICÍDIO (ROY, 1989)
|
Variável
|
Alto
Risco |
Baixo
Risco |
|
DEMOGRÁFICA
Idade
Sexo
Situação conjugal
Emprego
Relações interpessoais
Estrutura familiar |
>
45 anos
masculino
divorciado/viúvo
desempregado
conflituosas
caótica/conflituada
|
< 45 anos
feminino
casado
empregado
estáveis
estável
|
|
SAÚDE
Física
Mental
|
doença crônica
hipocondria
uso excessivo de
medicamentos
depressão
severa
psicose
transt. pers. severo
alcoolismo/abuso de
drogas
|
boa
sente-se bem
pouco uso
depressão moderada
neurose
person. normal
bebedor social
|
|
ATIVIDADE SUICIDA
Ideação
suicida
Tentativas de suicídio
|
freqüente/intensa
prolongada
múltiplas
planejada
salvamento improvável
desejo de morrer
auto-acusação
método letal
|
infreqüente/leve
transitória
primeira
impulsiva
salvamento provável
desejo de mudar
raiva
método não letal |
|
RECURSOS
Pessoais
Sociais |
poucas aquisições
insight pobre
afeto pobre e pouco controlável
isolamento
família pouco envolvida
|
muitas aquisições
bom insight
afeto adequado
bom envolvimento
integração família envolvida
|
Situações
de crise
Situações
de crise são freqüentemente presenciadas num serviço
de emergência.
A
situação de crise é resultante de um conflito
entre um fator desencadeante e os recursos do
paciente (internos e externos) para lidar com
o estressor. Amiúde, estas crises estão associadas
a fatores desencadeantes intensos, como a morte
de uma pessoa próxima ou violência física ou sexual,
em que as defesas usuais do paciente são ultrapassadas
pela intensidade do abalo.
Princípios de intervenção
A abordagem psicoterápica é a base do manejo de qualquer
situação de crise.
A entrevista imediatamente após a ocorrência do estressor
desencadeante têm um importante papel no processo
de “cicatrização psicológica” (elaboração) de
eventos muito intensos.
A ventilação dos intensos sentimentos que envolvem
a pessoa que vive a situação de crise é a tarefa
primordial do primeiro atendimento. É importante
uma atitude de respeito e escuta empática.
A pessoa que vive uma situação de crise está, em geral,
extremamente fragilizada e tende a ter um comportamento
mais regressivo. O clínico deve evitar fazer diagnósticos
de personalidade precipitados nestas situações,
pois o paciente está sendo visto em um momento
muito particular da sua vida.
A
utilização de ansiolíticos pode eventualmente
ser útil, mas em nenhum momento substitui a abordagem
verbal.
No
caso de situações que envolvem morte ou mutilações,
os pacientes devem ser estimulados a ver a situação
real e participar dos rituais que cada família,
grupo social ou religião tem para elaborar suas
perdas.
É
importante que, no final da entrevista, tanto
o paciente quanto os familiares sejam orientados
quanto às possíveis reações em curto prazo:
dificuldades de sono, revivência da situação
traumática em sonhos, ou necessidade de contar
repetidas vezes a situação traumática. É importante
enfatizar o caráter normal e benigno destas reações,
estimulando os familiares a exercer um papel continente
da ansiedade do paciente.
O
seguimento psicoterápico destes pacientes após
a entrevista de emergência é indicado na maioria
das vezes.
As
teorias de crise enfatizam a importância do manejo
adequado destas situações como forma de enriquecimento
da personalidade através da utilização de defesas
mais adequadas.
As
crises conversivas e dissociativas ("crises
histéricas") É
chamativa a quase inexistência de publicações
quanto ao manejo das chamadas “crises histéricas”
na literatura de psiquiatria de emergência.
Por um lado, houve uma diminuição da prevalência
destes casos nos países ditos do primeiro mundo,
e por outro , isso parece refletir um pouco do
rechaço que existe no atendimento a estes pacientes.
De
qualquer forma, as “crises histéricas” são realidades
clínicas relativamente prevalentes em nosso meio,
especialmente em serviços de urgência em geral,
trata-se de paciente do sexo feminino, jovem de
nível sociocultural baixo, que é trazida ao serviço
em estado de agitação ou pós-agitação.
Os
estados
de agitação caracterizam-se por movimentos
ritmados dos braços, pernas e tronco que lembram
por vezes movimentos de uma crise tônico-clônica
generalizada (grande mal). Outras vezes, são predominantes
os movimentos de bacia, membros inferiores e cabeça,
acompanhados de gemidos e de uma respiração
rápida e ruidosa, lembrando, de forma caricatural
e dramática, uma relação sexual.
Este
quadro pode ser seguido de um estado
pós-agitação que pode ser confundido com um
estado pós-convulsivo.
Estes pacientes trazem dois tipos de
problemas na situação de emergência:
o primeiro é o diagnóstico diferencial,
e o segundo é o manejo, esse agravado pelos sentimentos
que despertam na equipe de atendimento.
Diagnóstico
É
importante que o médico afaste um quadro orgânico
como causa da crise. Sinais vitais, exame físico
e neurológico e, eventualmente, EEG e tomografia
podem ser necessárias. Nos estados do tipo coma,
são freqüentes as tentativas por parte do médico
de provocar estímulos dolorosos e olfativos intensos
(com amoníaco, por exemplo). Isso seguidamente
leva ao estabelecimento de uma relação médico-paciente
tipo “paciente-farsante” e “médico-que-não-está-aí-para-brincadeira”,
em que o objetivo do atendimento é afastar rapidamente
uma causa orgânica e ver-se livre da situação.
Neste contexto, as manobras típicas descritas
acima assumem um caráter claramente punitivo e
de desrespeito para com o paciente.
Princípios
de atendimento
O
paciente que apresenta “crises histéricas” é,
em geral, do sexo feminino, com uma estrutura
de personalidade frágil e via
de regra está vivendo uma situação de crise, em
que um fator desencadeante é facilmente definido
nas horas precedentes (dificuldades interpessoais,
separações, brigas, etc.).
O médico deve ter uma atitude tranqüila,
alternando momentos ativos (reassegurando que
o paciente pode falar, eventualmente sugerindo
dados a partir de informações obtidas com os familiares),
com momentos de observação minuciosa das reações
do paciente.
A
utilização de benzodiazepínicos pode ser útil
em pacientes muito ansiosos. No entanto, a sedação
deve ser evitada num primeiro momento, quando
a abordagem verbal deve ser tentada.
Um
objetivo com estes pacientes na situação de emergência
é que eles possam falar sobre o estressor numa
linguagem verbal e não apenas corporal, para que
se possa fazer um encaminhamento para um tratamento
ambulatorial.
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