INTERAÇÕES
MEDICAMENTOSAS
Carlos Magno Greghi - 2002
Farmacêutico - Hospital Universitário
Regional do Norte do PR - Universidade Estadual
de Londrina
APRESENTAÇÃO
O
objetivo deste trabalho é proporcionar
maior segurança aos profissionais de saúde
que trabalham com a prescrição,
a dispensação e a administração
de medicamentos. O texto está dividido
em duas partes sendo que a primeira é baseada
na monografia apresentada ao curso de pós-graduação,
em ciências fisiológicas, da Universidade
Estadual de Londrina, como requisito parcial à
obtenção do título de especialista
e aborda detalhadamente os mecanismos farmacocinéticos
das interações entre os medicamentos.
O conhecimento dos mecanismos prováveis
das interações medicamentosas é
a única maneira do profissional de saúde
estar bem preparado para analisar novos achados
de modo sistemático. Para planejar um regime
terapêutico adequado ao paciente, é
necessário estar familiarizado com os princípios
básicos das interações entre
as drogas.
A segunda parte traz informações
mais práticas como: dados sobre as interações
farmacodinâmicas; interações
entre medicamentos e álcool, lista de interações
e casos clínicos farmacológicos
discutidos.
Foram
aplicados os melhores esforços para assegurar
que as informações e procedimentos
apresentados no texto estejam em acordo com os
padrões aceitos à época da
publicação; entretanto, tendo em
conta a evolução da ciência
médica, as mudanças regulamentares
governamentais e o constante fluxo de novas informações
sobre terapêutica medicamentosa, aconselhamos
que os leitores consultem sempre em outras fontes
fidedignas de modo a se certificarem de que não
houve alterações ou novos estudos
sobre o tema.
1
PARTE 01 “MECANISMOS FARMACOCINÉTICOS
DAS INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS”
INTRODUÇÃO
A
saúde, que é definida, segundo a
Organização Mundial da Saúde
(OMS), como sendo “um estado de completo
bem-estar físico, mental e social”
e não apenas a ausência de desconforto
ou de enfermidade, é uma das necessidades
básicas do homem e tem sido sua constante
preocupação. Para conservá-la
ou restaurá-la vem o homem, desde as primeiras
eras, lançando mão dos mais variados
recursos, mormente aqueles destinados a evitar
e combater as doenças, sobretudo por meio
de drogas e medicamentos.
O restabelecimento da saúde de um paciente
está baseado tanto no diagnóstico
correto como numa terapêutica adequada.
O conhecimento das propriedades básicas
das substâncias utilizadas para este fim,
bem como de sua ação farmacológica,
é fundamental para a prática da
medicina. Porém isto não é
suficiente, pois é preciso pensar que o
corpo humano é um sistema complexo formado
por uma infinidade de substâncias que fatalmente
entrarão em reação com os
fármacos administrados. Também é
natural de se pensar que no caso da administração
com fins terapêuticos, ou não, de
mais de uma substância, estas possam se
interagir entre si no organismo. Os efeitos de
um medicamento, quando administrado concomitantemente
com outros, podem ser diferentes dos efeitos esperados
se este medicamento fosse empregado isoladamente
(FONSECA AL,1991).
A prescrição de vários medicamentos
para o tratamento de uma patologia, é uma
prática muito comum. Nos hospitais, a maioria
dos pacientes pode receber várias drogas
simultaneamente. Nos serviços clínicos,
o número médio de drogas administradas
a pacientes durante uma hospitalização
pode variar de 10 a 13, sendo que muitos podem
receber até muito mais. No caso dos pacientes
ambulatoriais, além dos medicamentos prescritos,
muitos costumam consumir analgésicos, medicamentos
para resfriados, antiácidos, anticoncepcionais
e outras drogas sem prescrição.
Considerando ainda que a maioria das 50.000 especialidades
farmacêuticas registradas na Divisão
de Medicamentos, da Secretaria da Saúde,
é constituída de medicamentos com
vários princípios ativos, a probabilidade
de interação entre os vários
fármacos e modificação dos
efeitos terapêuticos é muito alta.
Na prática clínica, muitas das interações
medicamentosas têm importância relativa,
com pequeno potencial lesivo para os pacientes,
porém há interações
com efeitos colaterais graves, podendo inclusive
levar o paciente a óbito, o que ressalta
a importância do conhecimento das interações
e da identificação precoce dos pacientes
em risco (OGA & BASILE, 1994).
Foi relatado em um estudo de STEEL et al (1981),
que 36% de 815 pacientes admitidos em um hospital
universitário apresentaram algum tipo de
doença iatrogênica. Em 9% deles,
o incidente foi considerado grave e em 2 % a doença
iatrogênica provavelmente tenha contribuído
para a morte do paciente. A exposição
a medicamentos foi um fator particularmente importante
em determinar complicações nos pacientes
em estudo. Ainda de acordo com estes autores as
estimativas sobre a incidência de interações
droga-droga oscilaram de 3 a 5 %, para pacientes
que recebiam poucos medicamentos; naqueles que
recebiam entre 10 a 20 drogas, a incidência
alcançada foi de até 20%.
O conhecimento dos mecanismos prováveis
das interações medicamentosas é
a única maneira do profissional de saúde
estar bem preparado para analisar novos achados
de modo sistemático. Para planejar um regime
terapêutico adequado ao paciente, é
necessário estar familiarizado com os princípios
básicos das interações entre
as drogas.
O
estudo dos mecanismos pelos quais acontecem as
interações farmacocinéticas
é o principal objetivo desta monografia.
2
CLASSIFICAÇÃO DAS INTERAÇÕES
MEDICAMENTOSAS
As
interações medicamentosas podem
ser classificadas por seu mecanismo de instalação.
Embora, sob o ponto de vista pragmático,
interessa ao clínico simplesmente saber
se a interação ocorre ou não
e qual a sua magnitude; o conhecimento dos mecanismos
no processo interativo é de suma importância.
Estes mecanismos nem sempre são totalmente
conhecidos e geralmente são complexos,
o que torna difícil classificá-los
com precisão. Além disso, a interação
muitas vezes é resultante de mais de um
mecanismo, porém, conforme o mecanismo
predominante, as interações podem
ser classificadas em físico-químicas,
farmacodinâmicas e farmacocinéticas.
2.1 Interações Físico-Químicas
Pode
haver interações entre duas ou mais
substâncias por mecanismos puramente físico-químicos.
Estas interações podem ser chamadas
de farmacêuticas, porque se referem àquelas
interações antes das drogas serem
administradas, fora ainda do organismo, especialmente
com misturas destinadas a uso intravenoso.
Estas reações físico-químicas
podem resultar na inativação dos
efeitos biológicos de uma ou ambas as drogas
ou na formação de novo composto,
cuja atividade difere da esperada. Tais reações
podem exteriorizar-se por precipitação,
turvação, floculação
e alterações na cor da mistura,
contudo, a ausência dessas alterações
não garante a inexistência de interação;
neste caso somente o conhecimento dessa possibilidade
impede o uso indevido.
Os mecanismos físico-químicos freqüentemente
observados nas interações medicamentosas
compreendem as reações de óxido-redução,
inativação de um medicamento pela
incidência de luz, fenômenos de adsorção,
como por exemplo o caso do carvão ativo
que adsorve os alcalóides na sua superfície
porosa, reações de precipitação
e formação de complexos, neutralização
ácido-básica. No quadro 1 estão
demonstrados alguns exemplos de interações
físico-químicas que podem ocorrer.
QUADRO
1 - Exemplos de interações físico-químicas
ou incompatibilidades farmacêuticas.
| -
Os beta-lactâmicos podem ser inativados
pelo pH ácido de soros glicosados. |
| -
Alguns antineoplásicos, como a doxorrubicina
devem ser protegidos da luz por serem fotossensíveis
e devem ser administrados em equipos escuros. |
| -
Um agente conservador pode inativar outro
medicamento. Ex. bissulfito para as penicilinas. |
| -
O gluconato de cálcio e fosfato de
potássio se forem misturados em nutrição
parenteral podem precipitar. |
| -
As penicilinas e as cefalosporinas reagem
com o grupo amino dos aminoglicosídeos
e os inativam, portanto não devem
ser misturados em soluções
intravenosas. |
| -
As tetraciclinas são agentes quelantes
eficientes contra vários cátions
com os quais formam complexos pouco solúveis. |
| -
Inativação do nitroprussiato
pela luz. |
| -
Adsorção da insulina pelo
vidro. |
2.2
Interações Farmacodinâmicas
São as interações em que
os efeitos finais são resultantes das ações
farmacodinâmicas próprias de cada
agente terapêutico administrado e podem
ocorrer em nível de receptores e estruturas
intimamente associadas a eles, ou ainda quando
os fármacos agem em sistemas diferentes
mas o efeito de um deles é alterado pelo
efeito do outro. As interações farmacodinâmicas
são quase sempre previsíveis se
tivermos um profundo conhecimento da farmacologia
das drogas envolvidas.
2.3 Interações Farmacocinéticas
São
assim chamadas as interações em
que um dos fármacos modifica a cinética
de outro administrado concomitantemente. Em 1953,
Dost propôs o termo farmacocinética
para descrever o movimento da droga através
do organismo. A farmacocinética igualmente
estuda quantitativamente a cronologia dos processos
metabólicos da absorção,
distribuição e eliminação
das drogas.
As interações farmacocinéticas
são as mais freqüentes e promovem,
muitas vezes, influência significativa sobre
a terapêutica medicamentosa. Ao contrário
das interações farmacodinâmicas
que são quase sempre previsíveis,
as alterações na farmacocinética
de uma droga induzida por outra não costumam
ser intuitivamente óbvias. Essas interações
recebem muita atenção, e muitos
exemplos são encontrados na literatura.
A farmacocinética utiliza metodologia matemática
para descrever as variações no tempo
dos processos de absorção, distribuição,
biotransformação e excreção.
A variável básica desses estudos
é a concentração das drogas
e dos seus metabólitos nos diferentes tecidos
e excreções do organismo. Esta concentração
está correlacionada com a via de administração,
com a dose empregada, com a eliminação
e varia com o tempo da observação.
Quando uma droga se transfere de uma parte (ou
compartimento) do corpo para outra, essa transferência
segue certas regras da cinética que dizem
respeito, especialmente, à velocidade de
transferência e ao que dela depende, isto
é, as modalidades de cinética de
primeira ordem, de ordem zero ou do tipo Michaelis-Menten.
A escolha do modelo farmacocinético requer
considerações especiais e tem que
levar em conta as características físicas
e químicas das drogas, assim como o seu
compartimento no sistema biológico (SILVA,1998).
A concentração sérica de
fármacos está em equilíbrio
dinâmico com os receptores desses fármacos.
Portanto, o nível sérico de um fármaco
é excelente indicador para os efeitos tóxicos
e farmacológicos. Os parâmetros farmacológicos
que representam a absorção, distribuição
e eliminação são obtidos
do perfil de concentração plasmática
do fármaco.
Estudos laboratoriais mostram a estreita correlação
entre o nível sangüíneo dos
fármacos e a intensidade de seus efeitos.
O efeito de um fármaco geralmente aparece
quando a concentração deste no sangue
atinge um certo nível plasmático
efetivo, porém a elevação
deste nível pode causar sérios problemas
ao aproximar-se do nível plasmático
tóxico. A relação entre o
nível plasmático efetivo e o nível
plasmático tóxico é denominada
índice terapêutico de um fármaco
(GREENBLATT & KOCH-WESWER,1975).
O perfil farmacocinético de uma droga se
estabelece através da análise dos
seguintes tópicos:
a) modelos farmacocinéticos;
b) ordens de cinética; absorção;
c) biodisponibilidade;
d) meia-vida biológica;
e) concentração plasmática;
f) distribuição (volumes real e
aparente de distribuição);
g) biotransformação;
h) excreção.
Quando duas ou mais drogas são administradas
concomitantemente elas podem ter alterações
em seu perfil farmacocinético. A absorção
do local de administração, a distribuição,
biotransformação e eliminação
determinam o tempo em que a droga começa
a agir, a intensidade e duração
da ação; portanto, qualquer outra
substância que interagir nestes processos
vai influenciar no tempo ou na intensidade de
ação de um medicamento.
O conhecimento destas interações
pode levar o clínico a fazer modificações
na dosagem e/ou na posologia destas drogas com
o intuito de evitar possíveis efeitos indesejados
(GIBALDI & LEVY,1976).
A redução no grau de absorção
ou a aceleração da biotransformação
de um fármaco ocasiona redução
do seu nível plasmático e tende
a prejudicar a eficácia terapêutica.
Inversamente, a inibição da eliminação
de um fármaco (por biotransformação
e/ou por excreção) resulta quase
sempre na exacerbação dos efeitos,
inclusive da toxicidade. Essas variações
têm grande significado, principalmente para
aqueles fármacos de pequena margem de segurança,
em que as doses terapêuticas e tóxicas
estão bastante próximas. Têm-se,
por exemplo, os antibióticos aminoglicosídeos,
quinidina, procainamida, fenitoína, digitálicos,
os anticoagulantes orais entre outros.
As interações farmacocinéticas
podem ser classificadas baseando-se no seu mecanismo,
ou seja, na fase farmacocinética em que
ocorre a interação, conforme pode
ser visto no quadro 2.
QUADRO
2 - Classificação das interações
medicamentosas baseadas nas fases farmacocinéticas
suscetíveis à interferência.
Absorção |
-
Interações físico-químicas
no trato gastrintestinal
- Motilidade gastrintestinal
- Alteração na função
da mucosa
- Flora bacteriana
|
| Distribuição |
-
Fluxo sangüíneo
- Ligação tecidual
- Ligação às proteínas
plasmáticas
- Transporte ativo para o local de ação
|
Biotransformação |
-
Indução Enzimática
- Inibição Enzimática
|
| Excreção |
-
Filtração Glomerular
- Reabsorção Tubular
- Secreção Tubular
- Excreção biliar
|
3
ABSORÇÃO
A
menos que uma droga atue topicamente ou seja,
no seu próprio local de aplicação,
ela deve inicialmente penetrar no sangue para
depois ser distribuída para o seu local
de ação. A mera presença
da droga no sangue, contudo, não provoca
uma resposta farmacológica; para que seja
eficaz, a droga deve deixar o espaço vascular
e penetrar nos espaços intracelulares e/ou
extracelulares. A velocidade com a qual uma droga
atinge seu local de ação depende
de dois processos: sua taxa de absorção
e sua taxa de distribuição.
Assim sendo a absorção envolve a
passagem da droga de seu local de administração
para o sangue e a distribuição envolve
o transporte da droga para os tecidos. A compreensão
das características estruturais e funcionais
que influenciam a passagem das drogas nas membranas
biológicas tem sido alvo de grandes esforços.
Apesar de algumas substâncias serem translocadas
por mecanismos de transporte especializados e
de compostos polares pequenos poderem ser filtrados
através dos poros membranosos, a maioria
dos compostos exógenos penetra nas células
mediante difusão através das membranas
lipídicas.
No estudo da absorção das drogas,
os seguintes itens devem ser analisados:
a) membranas biológicas;
b) propriedades físico-químicas
das moléculas das drogas;
c) forças responsáveis pela passagem
das drogas através das membranas;
d) modalidade de absorção das drogas;
e) locais de absorção das drogas
e vias de administração.
3.1 Ingestão Oral.
O
grau de absorção dos fármacos
é decisivo, para se obter o nível
desejado da substância no sangue, particularmente
quando a via escolhida é a oral. A absorção
pelo trato gastrintestinal (TGI) é regulada
por fatores, tais como o estado físico
da droga, a área da superfície para
a absorção, o fluxo sanguíneo
esplâncnico, e a concentração
no local da absorção. Uma vez que
grande parte da absorção pelo TGI
ocorre por processos passivos, o fármaco
é mais bem absorvido na forma não-ionizada
e mais lipofílica. Assim, poder-se-ia esperar
uma absorção ótima de ácidos
fracos no meio ácido do estômago,
enquanto a absorção de bases poderia
ser favorecida no intestino delgado relativamente
alcalino, todavia, é uma simplificação
excessiva extrapolar o conceito de partição
do pH para uma comparação de duas
membranas biológicas diferentes, como os
epitélios do estômago e do intestino.
O estômago é revestido por uma membrana
espessa, coberta de muco, com pequena área
de superfície e alta resistência
elétrica.
A principal função do estômago
é digestiva; por outro lado, o epitélio
do intestino possui uma área de superfície
extremamente grande - ele é fino, tem baixa
resistência elétrica e sua principal
função é facilitar a absorção
de nutrientes. Dessa forma, qualquer fator que
acelere o esvaziamento gástrico poderá
aumentar a velocidade de absorção
de um fármaco, ao passo que qualquer fator
que retarde o esvaziamento do estômago provavelmente
terá o efeito oposto, independente das
características do fármaco (BENET
et al, 1996).
Estudos
experimentais obtidos no trabalho clássico
de BRODIE (1964) e de estudos mais recentes são
compatíveis com a seguinte conclusão:
a forma não-ionizada de uma droga será
absorvida mais rapidamente do que a forma ionizada
em qualquer lugar do TGI. No entanto, a velocidade
de absorção de um fármaco
no intestino será maior do que a no estômago
mesmo quando o fármaco estiver predominantemente
ionizado no intestino e em grande parte não-ionizado
no estômago.
Os fármacos que são destruídos
pelo suco gástrico ou que irritam a mucosa
gástrica, são administrados algumas
vezes em formas com um revestimento que impede
sua dissolução no meio ácido
do estômago. Todavia, algumas preparações
protegidas também podem resistir à
dissolução no intestino, determinando
muito pouca absorção do fármaco.
A velocidade de absorção de um fármaco
está estreitamente relacionada ao tempo
necessário para que o fármaco atinja
o seu nível plasmático efetivo e
conforme a natureza da substância ingerida
por via oral, absorção se dá
em diferentes locais do trato digestivo. Assim,
substâncias altamente lipossolúveis
são absorvidas já pela mucosa bucal.
Entre os fármacos mais utilizados por esta
via, citam-se os nitratos e os nitritos, em formulações
sublinguais para o tratamento de angina do peito.
O segmento terminal do intestino grosso, o reto,
também pode servir como local útil
para administração de drogas, particularmente
quando a via oral é inadequada. Esta via
protege sensivelmente as drogas não apenas
de alterações, mas também
das reações de biotransformação
que ocorrem no fígado. Entretanto, a absorção
por esta via é freqüentemente irregular
e incompleta e muitas drogas causam irritação
da mucosa retal.
3.2 O Estudo da Farmacocinética
nas Interações em Nível de
Absorção
Em
termos de importância clínica, a
primeira etapa para classificar as interações
que influenciam a absorção das drogas
envolve as alterações na concentração
máxima atingida no plasma (Cmáx)
e no tempo decorrido para atingir esta concentração
(tmáx) quando comparadas
com condições controle.
Os efeitos das interações envolvendo
a absorção no perfil da concentração
plasmática da droga são ilustrados
na figura 1. As interações clinicamente
significantes são avaliadas geralmente
levando-se em conta a taxa de absorção,
a Cmáx, o tmáx
e a área sob a curva concentração-tempo
(ASC).
 |
FIGURA
1 - Os efeitos das interações envolvendo
a absorção no perfil da concentração
plasmática da droga.
a)
Absorção acelerada. b) Absorção
retardada. c) Absorção diminuída.
d) Absorção aumentada. Em todos
os casos, a linha sólida representa o controle
e a linha pontilhada representa o efeito da interação.
Índice terapêutico é a diferença
entre a concentração mínima
efetiva e a concentração tóxica.
ASC = área sob a curva concentração-tempo.
Cmáx. = concentração máxima
atingida no plasma; tmáx
= tempo para atingir a Cmáx.
Notar que quando o índice terapêutico
é estreito, variações no
grau de absorção da droga pode ser
importante clinicamente, uma vez que pode atingir
concentrações plasmáticas
abaixo da concentração terapêutica
assim como atingir concentrações
tóxicas. Adaptado de FLEISHER et al, (1999).
Os
modelos farmacocinéticos para se estudar
os efeitos das interações durante
a absorção são definidos
com base em 4 possíveis etapas limitantes
da absorção, que incluem a permeabilidade
das drogas nas membranas biológicas, taxa
de desintegração e dissolução
da forma farmacêutica, esvaziamento gástrico
e o trânsito do conteúdo no TGI,
e efeito de primeira passagem (biotransformação
da droga na mucosa intestinal ou no fígado).
3.3 Mecanismo de Interações
Medicamentosas na Absorção
Os processos de esvaziamento gástrico,
trânsito intestinal, desintegração
e dissolução da forma farmacêutica,
difusão da droga dissolvida pelo lúmen
intestinal e o contato com as membranas das células
absortivas, assim como todos os processos envolvidos
na passagem da droga para a corrente sangüínea
podem ser alterados por várias interações
e, portanto, podem influenciar a absorção
das drogas.
Os processos de absorção que podem
ser influenciados por interações
estão ilustrados na figura 2.
Os
mecanismos deste tipo de interação
podem ser divididos em duas categorias principais:
interações físico-químicas
envolvendo mudanças na estabilidade, solubilidade
e difusão e interações fisiológicas
ou bioquímicas.
 |
FIGURA
2 - Os processos de absorção que
podem ser influenciados por interações
de drogas com outras drogas e de drogas com alimentos.
3.3.1
Interações físico-químicas
As
interações físicas e químicas
podem ocorrer entre drogas, entre componentes
específicos da alimentação
e entre componentes da formulação
farmacêutica. Estes tipos de interações
envolvem a desintegração da forma
farmacêutica (comprimidos, drágeas
e cápsulas), dissolução da
droga e a degradação da droga.
Esses mecanismos também são importantes
para antagonizar os efeitos exacerbados de fármacos
administrados em altas doses, assim como para
prevenir efeitos tóxicos de agentes não
medicamentosos, e podem ser usados com fins terapêuticos.
Uma interação muito utilizada no
caso de intoxicações por via oral,
é a administração de carvão
ativado que absorve outras drogas na sua superfície
porosa e assim diminui a absorção
do agente tóxico.
3.3.1.1 Influência na taxa de dissolução
A
concentração da droga que está
em solução na luz intestinal, e
portanto, disponível para a absorção,
é determinada pela taxa de dissolução
da droga. Esta taxa de dissolução
pode ser afetada pelo pH do meio. Bases fracas
tem velocidade de dissolução diminuída
em pH alto, enquanto que ácidos fracos
se dissolvem mais rapidamente nestas condições.
Um estudo realizado por CARVER et al (1999) mostra
que pacientes que receberam alimentos concomitantemente
com Indinavir (uma base fraca inibidora de protease),
comparado com a administração em
jejum, tiveram uma diminuição significativa
na absorção do medicamento. Sendo
que a área sob a curva concentração-tempo
(ASC) de 0 a infinito diminuiu em 68%, 45%, 34%
e 30% nos pacientes que receberam alimentos protéicos,
carboidratos, gorduras e alimentos de alta viscosidade,
respectivamente, comparados ao grupo controle
que recebeu o Indinavir em jejum. A Cmáx
foi diminuída em 74%, 59%, 46% e 36%, e
o tmáx foi prolongado
de 1 hora para 3.8, 3.6, 2.1 e 2.0 horas para
proteínas, carboidratos, gorduras e alimentos
viscosos respectivamente, demonstrando que a elevação
do pH gástrico por alimentos pode levar
a precipitação de drogas. A redução
da concentração plasmática
da droga observada com a ingestão de outros
alimentos que não causam elevações
apreciáveis do pH gástrico indica
que outros fatores também podem estar influenciando
na absorção do Indinavir.
A dissolução e a absorção
de uma droga ácida como o ibuprofeno, um
medicamento antiinflamatório não
esteróide (MAINE), poderiam ser aumentadas
com a utilização de alimentos e
elevação do pH gástrico.
A formação de complexos e quelação
entre drogas e íons metálicos presentes
em alimentos da dieta e em drogas antiácidas,
representa um segundo tipo de interação
físico-química que diminui a dissolução
da droga e conseqüentemente a sua absorção.
Uma interação clinicamente importante
é a diminuição da absorção
de fluoroquinolonas devido à formação
de complexos com íons metálicos
presentes nos alimentos e antiácidos, que
resultam na perda da eficácia antibacteriana.
Foi constatada uma ocorrência de 22 a 76
% deste tipo de interação em pacientes
que são medicados com estes agentes. A
administração concomitante de antiácidos
a base de alumínio e magnésio e
sucralfato tem os maiores impactos na biodisponibilidade
de quinolonas, seguidos por ferro, cálcio
e zinco. (LOMAESTRO & BAILE, 1995).
A
adsorção e ligação
de drogas com componentes da alimentação
como as pectinas também podem diminuir
a taxa de dissolução. Da mesma forma,
a colestiramina e o colestipol que são
resinas trocadoras de íons (para eliminação
de sais biliares e redução de colesterol)
formam complexos com uma série de medicamentos
(antidepressivos, neurolépticos, digitálicos,
anticoagulantes) diminuindo a sua absorção.
O efeito de goma guar (“guar gum”),
um medicamento a base de fibra alimentar comercializado
no Brasil com o nome de BioFiber, sobre a absorção
de digoxina e fenoximetil penicilina (penicilina
V, ou Pen V), foi estudado por HUUPPONEN et al
(1984), que verificaram que a goma guar reduz
a concentração sérica de
digoxina durante o período absortivo. No
entanto, a mesma quantidade de digoxina foi encontrada
na urina de pacientes que receberam a fibra e
de pacientes que não receberam. Tal fato,
porém não foi verificado com a Pen
V, uma vez que a Cmáx
e ASC foram reduzidas pela administração
de goma guar.
3.3.1.2 Influência na taxa de degradação
Problemas
relacionados à instabilidade em meio ácido
de antibacterianos orais (penicilina, eritromicina)
estão sendo resolvidos através da
elaboração de compostos mais estáveis.
Em outros casos, formulações farmacêuticas
adequadas são utilizadas para minimizar
a degradação ácida da droga
em preparações orais. Por exemplo,
a didanosina, um inibidor da transcriptase reversa
instável em meio pH baixo, é formulado
com um antiácido para diminuir a instabilidade
da droga no estômago.
A hidrólise enzimática ainda constitui
um fator limitante para a administração
oral de drogas de natureza protéica como
a insulina. Na tentativa de superar esta limitação,
um grande número de formulações,
incluindo microsferas e lipossomas, estão
sendo investigados.
3.3.1.3 Interferência na difusão
da droga pelo TGI
Barreiras
físicas como a viscosidade do conteúdo
gastrintestinal (GI) pode diminuir a velocidade
de difusão da droga da luz intestinal para
as membranas absortivas, principalmente no duodeno
, quando uma droga é ingerida concomitantemente
com alimentos sólidos ou viscosos. No jejuno,
a diluição e a digestão do
alimento, diminuirão a viscosidade; assim,
os efeitos devido à viscosidade do meio
podem resultar em diminuição na
absorção de drogas que são
absorvidas preferencialmente na porção
inicial do intestino delgado.
3.3.2 Interações que interferem
nos mecanismos fisiológicos do trato GI
A
interação de drogas com alimentos,
outras drogas e mesmo com os excipientes da formulação
farmacêuticas podem alterar a função
fisiológica GI e influenciar na absorção.
A absorção das drogas e as interações
estão relacionadas com as diferenças
existentes entre as porções do TGI
(quadro 3).
QUADRO
3 - Propriedades Fisiológicas do TGI em
estado de jejum
| Região |
pH |
Tempo
de permanência |
Estômago |
1.5-2 |
0-3
horas |
| Duodeno |
4.9-6.4 |
3-4
horas |
Jejuno |
4.4-6.4 |
3-4
horas |
| Íleo |
6.5-7.4 |
3-4
horas |
Cólon |
7.4 |
mais
que 18 horas |
A
idade e algumas doenças podem alterar a
fisiologia GI e intensificarem as conseqüências
das interações medicamentosas na
absorção. No quadro 4 temos resumidamente
algumas alterações na fisiologia
do TGI devido a estes fatores.
QUADRO 4 - Alterações na fisiologia
GI devido à idade ou a doenças
| Situação |
Mudanças
na fisiologia GI |
Idade
avançada |
diminuição
da taxa de secreção ácida
e aumento do pH gástrico |
| Irritação
ou doenças intestinais inflamatórias |
aumento
do transporte paracelular e diminuição
de transporte mediado por transportadores
específicos |
Remoção
cirúrgica do trato GI |
Diminuição
da área de absorção |
| Fibrose
cística |
Diminuição
do pH intestinal |
AIDS |
Diminuição
da secreção ácida e
aumento no pH gástrico |
Fonte:
FLEISHER D et al (1999).
3.3.2.1
Interações envolvendo o trânsito
GI
As interações na luz do TGI incluem
mudanças no pH e taxa de esvaziamento gástrico,
alterações na motilidade intestinal
e nas secreções (intestinal, pancreática
e biliar).
A taxa de esvaziamento gástrico afeta a
transferência da droga (forma dissolvida
ou não) para os sítios de absorção
no intestino. Um grande número de fatores
influencia a velocidade de esvaziamento gástrico,
incluindo o volume e conteúdo estomacal,
calorias, osmolaridade, viscosidade, temperatura
e capacidade de seqüestro de cálcio,
e estes fatores podem ser responsáveis
pela variação na absorção
de certas drogas. A alteração do
pH gástrico provocado pelos alimentos protéicos
ou antiácidos pode exercer influência
também na velocidade da passagem do conteúdo
gástrico para o intestino, além
de alterar o grau de ionização de
eletrólitos fracos presentes no estômago.
Existem drogas que afetam a motilidade do TGI
e, portanto, interferem na velocidade e/ou no
grau de absorção de outras drogas
administradas concomitantemente. É importante
salientar que a absorção pode ter
a sua velocidade reduzida, embora seja completa,
visto que ela ocorre ao longo de todo o TGI. Agentes
GI pró-cinéticos (metoclopramida,
domperidona e cisaprida) aumentam a velocidade
de esvaziamento gástrico e estes efeitos
podem propiciar o aparecimento mais precoce de
concentrações máximas de
outras drogas administradas por via oral. A metoclopramida
aumenta a velocidade de absorção
de várias classes de drogas, acarretando
uma diminuição do tmáx
e aumento da Cmáx,
porém, o efeito desses agentes na ASC de
zero a infinito, quando mensuradas, não
é consistente. A cisaprida e a domperidona
parecem ter efeitos similares, mas há menos
estudos sobre estes produtos. Apesar de muitos
dos efeitos descritos na literatura serem de pequena
importância clínica, eles podem ser
bastante significativos quando se prescreve drogas
com baixo índice terapêutico (GREIFF
& ROWBOTHAM, 1994).
Todos
os analgésicos opióides (por exemplo,
codeína, morfina) e as drogas anticolinérgicas
(atropina, loperamida) diminuem a velocidade de
esvaziamento gástrico e a motilidade intestinal
e esta diminuição encontra-se associada
a uma absorção mais lenta, a Cmáx
menor da droga e um Tmáx
maior. Porém o óleo de rícino
e outros catárticos que aumentam a motilidade
intestinal também podem diminuir o grau
de absorção das drogas.
A interferência também pode ser indireta,
por exemplo, substâncias como a levodopa,
a metildigoxina ou a penicilina, se encontram
metabolizadas ou degradadas no estômago;
se o esvaziamento gástrico é reduzido
e o tempo de permanência no estômago
aumentar, a quantidade disponível para
o organismo é diminuída.
3.3.2.2 Alterações da função
da mucosa induzidas por drogas
Vários
estudos in vitro ou in vivo
têm mostrado que agentes que alteram o muco
GI e as membranas epiteliais podem modificar a
absorção de drogas. Algumas drogas
podem aumentar a fluidez da membrana da mucosa
o que pode levar a um aumento da difusão
de substâncias através da membrana,
resultando em maior taxa de absorção.
As drogas com toxicidade GI específica
(por exemplo, a colchicina) podem lesar a mucosa
ou bloquear o transporte ativo. Teoricamente,
estas ações podem resultar em interações
com outros fármacos.
A competição entre diferentes drogas
e/ou nutrientes por transportadores da membrana
intestinal responsáveis pela absorção
tem sido demonstrada em pesquisas realizadas
in vitro e in vivo. Em estudos clínicos,
uma diminuição na absorção
relacionada com aumento da dose sugere que pode
estar acontecendo uma saturação
na absorção mediada por transportadores
específicos, porém tem-se dificuldade
em se demonstrar interações medicamentosas
devidas a esta competição em ensaios
clínicos.
3.3.2.3 Interações com vias
de eliminação intestinal
Dados
recentes sugerem que a absorção
de drogas pode ser comprometida por mecanismos
de eliminação intestinal, incluindo
secreção e a biotransformação
intestinais. Tem-se levantado a hipótese
(CAVET et al, 1996) que uma competição
entre digoxina e antagonistas de cálcio
(verapamil e nifedipina), ou entre digoxina e
vimblastina, pela eliminação intestinal
via P-glicoproteína pode contribuir para
o aumento da concentração plasmática
de digoxina. A eliminação intestinal
de drogas pela P-glicoproteína e outros
possíveis transportadores na membrana da
mucosa intestinal pode limitar a absorção
de várias drogas.
A
eliminação intestinal pode ser importante
quando a droga é utilizada em baixas concentrações,
as quais não são capazes de saturar
os transportadores presentes nas membranas intestinais.
Um estudo conduzido por ZHOU et al (1999), mostrou
que uma diminuição significativa
na absorção do ácido 5-aminosalicílico
(5ASA), uma droga utilizada no tratamento de doença
inflamatória intestinal, ocorre quando
esta droga se apresenta em baixas concentrações
no lúmen intestinal. O transporte e o metabolismo
do 5ASA foram estudados em culturas de células
Caco-2 e mostrou que em níveis abaixo de
200 ug/ml no lúmen intestinal (concentrações
que são normalmente encontradas em apresentações
farmacêuticas de liberação
lenta) a eliminação intestinal (metabolismo
pelaN-acetyltransferase e secreção
do 5ASA) é responsável por 50% da
sua eliminação toda; porém
este processo pode ser saturado em concentrações
altas da droga. A eliminação intestinal
pode aumentar drasticamente quando a droga é
administrada com alimentos, devido a um maior
tempo de exposição e baixa concentração
da droga favorecendo as vias de eliminação
intestinal, o que.pode afetar de maneira significativa
os níveis teciduais e portanto, pode ser
um importante fator na determinação
da resposta terapêutica.
A
descoberta de que várias drogas são
metabolizadas pelo citocromo P450 (CYP) 3A4 intestinal,
determina outra fonte de interação
envolvendo a eliminação intestinal.
Interações entre suco de “grape-fruit”
e drogas metabolizadas pelo CYP3A4 intestinal
podem trazer conseqüências clínicas
importantes devido a um aumento da biodisponibilidade
destas drogas, muito provavelmente pela inibição
do metabolismo oxidativo da membrana intestinal.
Os componentes dos sucos de frutas cítricas
que são responsáveis por esta interação
não estão totalmente determinados,
porém sabe-se que uma variedade de flavonóides
encontrada nestes sucos é capaz de inibir
a atividade da CYP3A4 in vitro. (AMEER
& WEINTRAUB, 1997).
3.4 Modificações no Fluxo
Sangüíneo Esplâncnico
Após
haver atravessado o epitélio intestinal,
o medicamento passa para a circulação
geral. Para as substâncias muito lipossolúveis,
a penetração é muito rápida
e o equilíbrio entre o sangue e o sítio
de absorção é rapidamente
atingido, nestas condições, o débito
sangüíneo é o elemento modulador
da absorção. Por exemplo, a administração
oral de digoxina e com certos antagonistas de
cálcio resulta num aumento da absorção
de digoxina, e isto pode ocorrer devido à
capacidade destas drogas em alterar o fluxo sangüíneo
esplâncnico em humanos. Evidências
disto podem ser obtidas em experiências
de perfusão em ratos nas quais o antagonista
de cálcio aumenta a permeabilidade do jejuno
a digoxina.
O aumento do fluxo sangüíneo também
pode ser responsável pela diminuição
da eliminação da droga na passagem
pelo fígado (efeito de primeira passagem
hepática) e assim aumentar a sua biodisponibilidade.
A ingestão de alimentos pode aumentar a
concentração plasmática do
propranolol e da hidralazina, e isto tem sido
atribuído a modificações
no fluxo sangüíneo esplâncnico,
uma vez que, com o aumento deste fluxo aumenta
também a velocidade de absorção
e as concentrações altas destas
drogas no fígado podem levar a saturação
das enzimas responsáveis pela eliminação
hepática de primeira passagem.
Em contrapartida, a velocidade de absorção
de substâncias pouco permeáveis e
que são absorvidas lentamente pode ser
independente do fluxo sanguíneo esplâncnico.
Assim a biodisponibilidade da fenitoína,
uma droga que pode sofrer saturação
do seu sistema de biotransformação,
não é afetada pela mudança
de fluxo induzida pela presença de alimentos
(FLEISHER. et al, 1999).
3.5 Alterações na Flora
Bacteriana Intestinal
As
bactérias intestinais podem desempenhar
importante papel na síntese de vitamina
K, essencial para a função normal
da coagulação, ou podem reativar
alguns metabólitos inativos de drogas excretados
pela bile, efetuando a sua desconjugação
e a sua reabsorção. Assim os antibióticos
de amplo espectro podem interagir com essas drogas,
modificando ou eliminando a flora intestinal,
fazendo por exemplo com que o efeito do anticoagulante
oral, que compete com a vitamina K, seja intensificado.
Se uma droga é biotransformada pelos microorganismos
gastrintestinais, a terapia com antibacterianos,
pode provocar aumento de absorção
da droga, como foi demonstrado para alguns pacientes
que receberam digoxina. (SELLERS, 1991). |