Jarsin: Antidepressant Effectiveness of LI-160

Prof. Dr. Ronald Brenner
Professor de Psiquiatria do Clinical Psychiatry State of New York, Health Science Center at Brooklyn.

Quando comecei a estudar esse assunto, encontrei na literatura, na Alemanha, muitos estudos duplo-cegos, controlados com placebo, muito bons, que demonstraram para mim que realmente a depressão moderada podia ser tratada com uma planta medicinal.

Foi o que propus ao hospital no qual trabalho e inicialmente tive muitos problemas. Porque na América, como em todos os países do mundo, com exceção da Alemanha e da França, creio que há mais resistência em aceitar que uma planta medicinal realmente pode ser medicina. É muito difícil criar uma imagem distinta.

Um extrato de Hypericum perforatum L. foi desenvolvido pela Lichtwer, na Alemanha.

Vários estudos científicos realizados, incluindo uma metanálise, demonstraram de uma maneira científica que o Hypericum perforatum L. é uma planta que pode auxiliar muito no tratamento da depressão (quadro 1).

Um estudo multicêntrico foi realizado por Vorback E. U. et al., na Alemanha, com 209 pacientes, que tomaram seis drágeas de Jarsin ou 150mg de imipramina por três semanas, utilizando a Hamilton Depression Scale (HAMD), escala muito utilizada em todo mundo.

Como resultado constatou-se que no grupo de pacientes houve uma eficácia similar mas o LI 160, mostrou-se significacativamente melhor tolerado que a imipramina.

A grande vantagem do LI 160 foi que os efeitos secundários, como secura na boca, sintomas gástricos, agitação, constipação, etc., foram muito menores do que os da imipramina.

Os vários extratos de Hypericum perforatum L. comercializados não são todos iguais. Em um estudo realizado na Alemanha, com diferentes extratos de St. John's Wort, poucos podiam chegar a 300mg por drágeas. É muito importante que o produto será utilizado seja adequado e bom.

Os constituintes ativos mais importantes de Hypericum perforatum L. parecem ser hipericina e hiperforina. A planta tem cerca de 50 produtos químicos, e na verdade não sabemos qual dos produtos ou combinação realmente tem o efeito antidepressivo.

O que sabemos é que LI 160 é um potente inibidor de recaptação da serotonina, e que também age sobre a noradrenalina e dopamina, o que é muito distinto de todos os antidepressivos que temos hoje em dia.

Quando fizemos os primeiros estudos com LI 160 pensávamos que talvez o mecanismo de ação fosse de inibição da MAO, no entanto, hoje estamos certos de que esse mecanismo é muito fraco, e o que mais interessa aqui é a inibição e recaptação da serotonina.

Armados com essa informação resolvemos fazer o estudo piloto "Comparison of Hypericum perforatum L. Extract LI 160 (St. John's Wort) and sertraline in the treatment of depression", em nosso hospital. Esse é o primeiro estudo que mostra uma comparação direta de Hypericum perforatum L. (LI 160) com sertralina. Esse estudo foi duplo-cego, randomizado e com dois grupos paralelos.

Tivemos 30 pacientes, que estavam em ambulatório, com idade de 18 a 65 anos, HAMD > 17 a 28 e incluímos pacientes com depressão menor DSM IV - DG.

Os critérios de exclusão foram pacientes grávidas, as que estavam amamentando, os pacientes com idéias suicidas ativas, alcoólatras, dependentes de drogas, em uso de anti-psicóticos, diagnóstico de esquizofrenia, pacientes que resistiam ao tratamento da depressão, que tinham sido tratadas por duas vezes com antidepressivos e por tempo adequado.

A depressão apresentou-se mais freqüente nas mulheres (63,3%) do que nos homens (36,7%). Na raça negra 1 (3%), caucasiana 20 (67%), hispânica 6 (20%) e oriental 3 (10%).

Nosso estudo constatou que a maior parte dos nossos pacientes tinha depressão recorrente 21 (70%) e que 9 (3%) tiveram um só episódio. Essas estatísticas são muito comuns. Acredito que o grupo que tivemos nesse estudo era muito representativo, pelo que observamos na clínica e na prática.

Utilizamos o HAMD de 17 pontos, o CGI, escala para medir se o paciente está melhor ou não, D-S, escala de depressão, na qual o próprio paciente faz seu diagnóstico, e alguns alguns exames para checar se havia algum problema de tolerabilidade e problemas médicos.

Quanto aos resultados não houve diferença entre os dois grupos no final do tratamento. A sertralina foi administrada a 75mg e o LI 160 a 900 mg três vezes ao dia.

A conclusão a que chegamos é que em condições duplo-cegas St. John's Wort é exatamente igual a sertralina.

As limitações desse estudo foram que ele envolveu um número muito pequeno de pacientes e que como era um estudo piloto não tivemos um grupo placebo. Na Europa grupos placebos para antidepressivos não existiam, por razões éticas. Nos Estados Unidos, o FDA exige um grupo placebo para estudos maiores.

A randomização ocorreu na primeira semana, 50mg/dia de sertralina e 600 mg/dia de LI 160 por sete semanas, subindo posteriormente as doses em 25mg/ dia para 75mg/dia de sertralina e 300 mg/dia de Li 160 para 900mg/dia.

Após esse estudo resolvemos realizar um segundo e aqui é o primeiro lugar do mundo que estou apresentando.

Dezoito pacientes entraram nesse estudo: 11 no grupo de sertralina e 7 de LI 160. Tínhamos duas células: uma com Hypericum perforatum L. e outra com sertralina. Nos dois grupos administramos Hypericum perforatum L.

No primeiro grupo Hypericum perforatum L. a HAMD dos pacientes melhorou nos seis meses que os observamos. No outro grupo que mudamos sertralina/Hypericum perforatum L. a HAMD dos pacientes melhorou nos seis meses que os observamos. No outro grupo que mudamos sertralina/Hypericum perforatum L. não foram tão bem, embora estatisticamente tenha sido um grupo muito pequeno. Do ponto de vista clínico, o grupo que trocamos sertralina por Hypericum perforatum L. não teve tão bons resultados como os que tivemos com LI 160.

A verdade é que entre os dois grupos não encontramos uma grande diferença estatística, sequer clínica, mas ao analisarmos os dados pareceu-nos que a mudança de sertralina/Hypericum perforatum L. tem que ser bastante gradual e durante um período de tempo grande. Essa é uma questão que precisa ser estudada muito mais a fundo em um estudo maior.

No entanto, eu posso dizer que hoje eu trato pacientes com LI 160 quando percebo que há uma depressão moderada e pequena. Uma boa porcentagem desses pacientes responde muito bem ao tratamento com LI 160. Também posso dizer-lhes com minha experiência clínica, que se um paciente não está respondendo muito bem ao tratamento a 900mg de LI 160 (Jarsin), então deve-se subir uma ou duas doses a mais.

Comece com uma drágea a mais pelo menos três a quatro semanas, mesmo que o paciente melhore. Se não melhorar suba uma dose uma vez mais. Faça o mesmo com pacientes que estão tomando outros antidepressivos.

Não há nenhum estudo que mostre o que estou dizendo, mas do ponto de vista clínico muitos pacientes parecem que não respondem aos 900mg, mas quando aumentamos as doses um pouco respondem bem ao tratamento.

Essa é uma área muito interessante e excitante para nós e esperamos poder realizar outros estudos.

 
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