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Introdução
ao Tratamento dos Transtornos Mentais
(Avaliação e Tratamento)
(continuação
da página anterior)
Hospitalização
O
atendimento hospitalar é indicado: quando
o paciente está demasiado doente para cuidar
de si mesmo ou quando representa séria
ameaça para si ou para os outros; quando
houver necessidade de observação
e procedimentos para diagnóstico; ou quando
se exigem tipos específicos de tratamento,
como complexos testes com medicamentos ou um ambiente
hospitalar (milieu therapy). Os sintomas que pedem
hospitalização incluem autonegligência,
comportamento violento ou bizarro, risco de suicídio,
ideação paranóide ou delusão,
acentuada deterioração intelectual
e mau discernimento. Nos anos recentes, a tendência
tem sido admitir pacientes nos hospitais gerais
da comunidade, tratar os pacientes de modo agressivo
e dar-lhes alta imediata para o nível seguinte
de tratamento — hospitalização
diurna, semi-internação, terapia
ambulatorial etc. Sessenta por cento de todas
as admissões psiquiátricas são
readmissões. A decisão de propor
hospitalização involuntária
só deve ser tomada depois de pesar os benefícios
potenciais para paciente e comunidade, contra
a perda de autonomia do indivíduo.
DISTÚRBIOS
PSIQUIÁTRICOS COMUNS
»
STRESS E DISTÚRBIOS DE AJUSTAMENTO (Distúrbios
Situacionais)
Fundamentos
do Diagnóstico
- Ansiedade
ou depressão claramente subordinados
a um stress identificável.
- Futuros sintomas
de ansiedade ou depressão, comumente
produzidos por stress semelhante de menor
grandeza.
- Álcool
e outras drogas são comumente usados
em auto-tratamento.
Considerações
Gerais
O
stress existe quando a capacidade adaptativa do
indivíduo é destruída por
acontecimentos. O acontecimento pode ser insignificante,
quando visto de modo objetivo, e mesmo mudanças
favoráveis (p.ex.: promoção
e transferência) que exigem comportamento
adaptativo podem produzir stress. Para cada indivíduo,
o stress é definido subjetivamente e a
resposta ao stress é uma função
da personalidade de cada pessoa e de sua qualificação
fisiológica.
Classificação
e Constatações Clínicas
Diferem
as opiniões quanto aos fatos que são
mais capazes de produzir reações
de stress. As causas do stress são diferentes
nas diferentes idades — por exemplo, no
início da idade madura, as origens do stress
são encontradas no casamento ou no relacionamento
pais/filhos, na relação de emprego
e na luta para alcançar estabilidade financeira;
na meia-idade, o foco se transfere para as cambiantes
relações conjugais, problemas com
pais idosos e problemas ligados aos filhos crescidos
que estão enfrentando situações
estressantes; na velhice, as principais preocupações
costumam ser a aposentadoria, perda da capacidade
física, grandes perdas pessoais e pensamentos
sobre a morte.
Um
indivíduo pode reagir ao stress tornando-se
ansioso ou deprimido, desenvolvendo um sintoma
físico, fugindo, bebendo, começando
um caso amoroso ou de infinitas outras maneiras.
As respostas subjetivas comuns são o medo
(de que se repita o acontecimento causador do
stress), a raiva (na frustração),
a culpa (por impulsos agressivos) e a vergonha
(pelo desamparo). O stress agudo e reativado pode
se manifestar por inquietude, irritabilidade,
fadiga, maior reação de sobressalto
e uma sensação de tensão.
A incapacidade de se concentrar, distúrbios
do sono (insônia, pesadelos) e preocupações
somáticas geralmente levam a automedicação,
na maioria das vezes com álcool ou outros
depressores do sistema nervoso central. O comportamento
inadaptado ao stress é chamado distúrbio
de ajustamento, especificando-se o maior sintoma
(p.ex. “distúrbio de ajustamento
com humor depressivo”).
O distúrbio de stress pós-traumático
(incluído entre os distúrbios ansiosos
no DSM-IV) é uma síndrome caracterizada
pela “revivência” de um acontecimento
traumático (p.ex.: estupro, queimaduras
graves, combate militar), com menor capacidade
de resposta e fuga de acontecimentos atuais ligados
ao trauma. Os pacientes experimentam hiperestimulação
fisiológica, que inclui reações
de sobressalto, pensamentos invasivos, ilusões,
associações muito generalizadas,
problemas de sono, pesadelos, sonhos com o acontecimento
causador, impulsividade, dificuldades de concentração
e uma hiperatenção. Os sintomas
podem ser precipitados ou exacerbados por acontecimentos
que recordem o stress original. Os sintomas freqüentemente
surgem depois de um longo período de latência
(p.ex.: o abuso sofrido por uma criança
resultaria, mais tarde, numa incipiente síndrome
de stress pós-traumático). Quanto
mais cedo surgirem os sintomas, após o
trauma inicial, e quanto antes for iniciada a
terapia, melhor será o prognóstico.
A abordagem terapêutica é a de facilitar
a recuperação normal que estava
bloqueada por ocasião do trauma. A terapia
nessa ocasião deve ser breve, simples (catarse
e trabalho sobre a experiência traumática)
e expectante (de pronta recuperação
e rápido retorno ao trabalho).
O
tratamento iniciado mais tarde, quando os sintomas
já se cristalizaram, inclui programas para
a cessação do álcool e abuso
de outras drogas, psicoterapia de grupo e sistemas
de apoio social.
Diagnóstico
Diferencial
Os
distúrbios de ajustamento devem ser distinguidos
dos distúrbios ansiosos, distúrbios
afetivos e distúrbios de personalidade
exacerbados pelo stress, e dos distúrbios
somáticos com revestimento psíquico.
Tratamento
A.
Comportamental: As técnicas para
redução do stress incluem a imediata
redução do sintoma (p.ex.: respirar
numa bolsa para hiperventilação)
ou o pronto reconhecimento e remoção
de uma fonte de stress antes que surjam os sintomas
amadurecidos. Muitas vezes é útil
para o paciente manter um registro diário
dos fatores que precipitam e aliviam o stress
e de suas respostas. As técnicas de relaxamento
e exercício também são úteis
para reduzir a reação aos acontecimentos
estressantes.
B.
Social: As reações de stress
às crises da vida são —mais
do que qualquer outra categoria — uma função
de revolta psicossocial, e é freqüente
os pacientes apresentarem sintomas somáticos.
Embora não seja fácil para o paciente
fazer as mudanças necessárias (ou
elas teriam sido feitas há muito tempo),
é importante que o terapeuta estabeleça
a estrutura do problema, pois o sistema de negação
do paciente pode obscurecer as questões.
Esclarecer o problema permite que o paciente comece
a vê-lo dentro do contexto apropriado e
facilita as decisões, às vezes difíceis,
que ele finalmente terá de tomar (p.ex.:
mudar de emprego ou reinstalar um filho adulto
dependente).
C.
Psicológico: A psicoterapia profunda
prolongada raramente é necessária
em casos de resposta de stress isolada ou distúrbio
de ajustamento. A psicoterapia de apoio (ver acima),
com ênfase no aqui e agora e no fortalecimento
das defesas existentes, é uma abordagem
útil, para que o tempo e a própria
resiliência do paciente restaurem o nível
de funcionamento anterior. As síndromes
de stress pós-traumático respondem
à catarse imediata e à psicoterapia
dinâmica, orientada para a aceitação
do acontecimento, com a expectativa de rápida
recuperação e retorno ao nível
de funcionamento anterior. Os problemas conjugais
são uma importante área de interesse,
e é importante que o médico disponha
de uma fonte de referendo fidedigna quando for
indicado o aconselhamento conjugal. No distúrbio
de stress pós-traumático, são
de utilidade a psicoterapia de grupo e o aconselhamento
individual.
D.
Médico: O uso judicioso de sedativos
(p.ex. lorazepam, 1-2 mg/dia, por via oral) durante
tempo limitado e como parte de um plano global
de tratamento pode aliviar os sintomas agudos
de ansiedade. Os problemas surgem quando a situação
se torna crônica devido a um tratamento
inadequado ou quando a abordagem terapêutica
favorece o desenvolvimento da cronicidade (ver
Drogas sedativo-hipnóticas, abaixo).
Prognóstico
O
retorno a um funcionamento satisfatório,
depois de curto período, faz parte do quadro
clínico dessa síndrome. A resolução
pode ser adiada se as respostas de outras pessoas
às dificuldades do paciente forem impensadamente
nocivas ou se benefícios secundários
excederem as vantagens da recuperação.
Quanto mais longa a cronicidade, pior será
o prognóstico.
GrissoT,Appelbaum PS: Comparison of standards
for assessing patients’ capacities lo make
treatment decision. Am J Psychiatry 1995; 52:1033.
[NLM Cit ID: 953137381 (Choice of standards for
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Katon W et al: Collaborative management to achievc
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95205543] (Collaborative management by the primary
care physician and a consulting psychiatrist,
intensive patient education, and surveillance
of continued refills of antidepressant medication
improved adherence to antidepressant regimens
in patients with major and with minor depression.)
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