Introdução
ao Tratamento dos Transtornos Mentais
(Avaliação e Tratamento)
(continuação
da página anterior)
AVALIAÇÃO
PSIQUIÁTRICA
O
diagnóstico psiquiátrico repousa
sobre os princípios estabelecidos de histórico
e exames completos. Todas as forças que
contribuem para a condição de vida
do indivíduo devem ser identificadas, e
isso só pode ser feito se o exame incluir
história pessoal, estado mental, situação
médica (inclusive drogas) e pertinentes
fatores sociais, culturais e ambientais que se
chocam contra o indivíduo.
Entrevista
Todo
histórico psiquiátrico deve cobrir
os seguintes pontos: (1) a queixa, do ponto de
vista do paciente; (2) doença atual, ou
a evolução dos sintomas; (3) sinais
neurovegetativos, como libido, apetite e sono;
(4) distúrbios anteriores, com a natureza
e extensão de seu tratamento; (5) histórico
da família — importante para os aspectos
genéticos e influências familiares;
(6) história pessoal — desenvolvimento
na infância, ajustamento na adolescência,
nível de educação e padrões
do trato ao adulto; (7) funcionamento na vida
atual, com atenção às áreas
vocacional, social, educacional e de lazer; e
(8) uso de álcool e outras drogas no passado.
Geralmente
é essencial obter informações
adicionais com a família. Observar as interações
do paciente com outras pessoas significativas,
no contexto de uma entrevista familiar, pode proporcionar
importantes dados para o diagnóstico e
até mesmo sublinhar a natureza do problema
e sugerir uma abordagem terapêutica.
O
exame formal do estado mental deve ser especialmente
detalhado quando existem evidências ou alto
risco de disfunção cognitiva. O
exame do estado mental inclui o seguinte: (1)
Aparência: Observe singularidade: no traje,
maquilagem etc. (2) Atividade e comportamento:
Postura, gestos, coordenação motora
etc. (3) Afeto: Manifestação externa
de emoções como depressão,
raiva, euforia, medo, ressentimento ou falta de
resposta emocional. (4) Humor: O relato que o
paciente faz de seus sentimentos e suas manifestações
emocionais observáveis. (5) Fala: Coerência,
espontaneidade, articulação, hesitação
ao responder e duração da resposta.
(6) Conteúdo do pensamento: Associações,
preocupações, obsessões,
despersonalização, delusão,
alucinações, ideação
paranóide, raiva, medo ou experiências
incomuns; ideação suicida e homicida.
(7) Cognição: (a) orientação
para pessoa, lugar, tempo e circunstâncias;
(b) memória e evocação recentes
e remotas; (c) cálculos, retenção
de números (o normal é de seis em
diante), séries de setas ou três
(d) estoque de conhecimentos gerais (presidentes,
estados, distâncias, fatos); (e) capacidade
de abstração, em geral testada com
provérbios comuns ou com analogias e diferenças
(p. ex.: “Qual a semelhança e qual
a diferença entre uma mentira e um erro?”);
(f) capacidade para identificar, nomeando, lendo
e escrevendo, nomes e objetos de teste especificados;
(g) função ideomotora que combina
compreensão e capacidade de realizar uma
tarefa (p.ex.: “Mostre-me como se lança
uma bola”); (h) capacidade de reproduzir
construções geométricas (p.ex.:
um paralelogramo, quadrados se interceptando);
e (i) diferenciação entre direita
e esquerda. (8) Julgamento em relação
a problemas ligados ao bom senso, como o que fazer
quando acaba um remédio. (9) Percepção
da natureza e extensão da dificuldade atual
e suas ramificações na sua vida
cotidiana.
Testes
cognitivos, como o Exame do Estado Minimental,
produzem uma pontuação numérica,
com até 30 pontos dados para as respostas
certas às perguntas (probabilidade orgânica
<27 pontos). Deve-se realizar uma avaliação
cognitiva específica, pois muitos pacientes
são capazes de mascarar uma deficiência
na conversação rotineira.
O
exame de um paciente psiquiátrico deve
incluir histórico médico e exame
físico completos (com ênfase no exame
neurológico), bem como todos os exames
de laboratório e outros estudos especiais.
A doença física pode freqüentemente
se apresentar como doença psiquiátrica,
e vice-versa.
Auxílio
Especial para o Diagnóstico
Estão
disponíveis muitos testes e procedimentos
de avaliação, que podem ser usados
para apoiar e esclarecer as impressões
iniciais do diagnóstico.
A.
Teste psicológico: O teste feito por um
psicólogo pode medir a inteligência
e funcionamento cognitivo; fornecer dados sobre
personalidade, sentimentos, psicodinâmicos
e psicopatologia; e diferenciar os problemas psíquicos
dos orgânicos. A posição desses
testes é semelhante à de outros
testes da medicina — útil nos problemas
de diagnóstico, mas às vezes despesa
desnecessária.
1.
Testes objetivos: Proporcionam uma avaliação
quantitativa comparada com normas-padrão.
a)
Testes de inteligência: O teste usado com
mais freqüência é a WAIS-R (Escala
da Inteligência Adulta —Revisada),
de Wechsler. Em geral, os testes de inteligência
revelam mais do que apenas o QI. Os resultados,
interpretados por um perito, podem quantificar
a deterioração intelectual que tenha
ocorrido.
b)
Inventário Multifásico de Personalidade
de Minnesota (MMIP): Com base empírica,
o MMIP é um teste de avaliação
da personalidade. A pontuação obtida
pelo paciente é interpretada em comparação
com dados de outros pacientes com o mesmo padrão
de resposta, para avaliar mudanças psicopatológicas.
c)
Instrumentos de categorização: Esses
testes incluem o Inventário de Depressão
de Beck, que quantifica os graus de disforia;
e o Prime-MD, que é uma medida ampla das
preocupações do paciente, e útil
no diagnóstico diferencial.
d)
Avaliação neuropsicológica:
Essa avaliação é feita quando
está presente uma deficiência orgânica,
porém se exigem dados sobre a localização
anatômica e extensão da disfunção.
2.
Testes projetivos: Estes testes não são
estruturados, de modo que o paciente é
forçado a responder refletindo fantasias
e modos individuais de adaptação.
São particularmente úteis para identificar
distúrbios psicóticos e motivações
inconscientes.
a)
Psicodiagnóstico de Rorschah: Esse teste
utiliza dez borrões de tinta para dar informações
importantes sobre temas psicodinâmicos e
aberrações.
b)Teste
de Apercepção Temática (TAT):
Esse teste usa 20 fotografias de pessoas em diferentes
situações, para avaliar áreas
de conflitos interpessoais.
B.
Avaliação neurológica: Em
geral uma consulta é necessária
e pode incluir testes especializados. O espectro
do cérebro é útil para detectar
anormalidades estruturais no paciente que apresenta
histórico e exames não definitivos
(p.ex.: episódios dissociativos, episódios
psicóticos incomuns não explicados
por abuso de drogas). A imagem por ressonância
magnética (IRM) é particularmente
útil para delinear lesões e identificar
doenças desmielinizantes e degenerativas
(p.ex.: a doença de Huntington). A eletrencefalografia
tem utilidade especial no diagnóstico de
convulsões e para diferenciar o delírio
da depressão ou da demência. Tipicamente,
o delírio está associado a uma desaceleração
eletrencefalográfica generalizada, enquanto
a depressão e a demência não
têm essa mudança. A tomografia computadorizada
por emissão de fótons simples (SPECT)
é uma tecnologia de imagens gama como a
tomografia por emissão de pósitrons
(PET), e ambas fornecem espectros tomográficos
da atividade cerebral. Embora mais barata, a SPECT
tem as desvantagens de uma inferior resolução
de imagem e menor quantificação
da atividade regional do cérebro.
Formulação
do Diagnóstico
Um
diagnóstico psiquiátrico deve basear-se
em prova positiva acumulada através das
técnicas acima. Ele não deve ser
baseado simplesmente na exclusão de constatações
orgânicas.
Uma
avaliação psiquiátrica minuciosa
tem valor terapêutico bem como de diagnóstico,
e deve ser expressa em termos que sejam bem compreendidos
pelo paciente, sua família e outros médicos.
Crum
RM et al: Population-based norms for Mini-Mental
State Examination by age and educational level.
Jama 1993;269: 2386 INLM Cit ID: 932406781 (Older
or less well educated subjects may score somewhat
lower but still may be normal.)
McNiel
De, Binder RL: Correlates of accuracy in the assessment
of psychiatric inpatients’ risk of viol3nce.
Am J Psychiatry 1995;152:901. [NLM Cit ID: 95274756]
(Clinicians can accurately classify the potential
for violence in the majority of patients at admission.)
Reifer
DR et al: Impact of screening for mental health
concerns on heath service utilization and functional
status in primary care patients. Arch Intern Med
1996; 156:2593. [NLM Cit ID: 97109023]
Schukit
MA et al: Difficult differential diagnoses in
psychiatry The clinical use of SPECT. J Clin Psychiatry
1995 ;56:539 [NLM Cit ID: 96083337] |