Introdução
ao Tratamento dos Transtornos Mentais
(Avaliação e Tratamento)
Stuart J Eisendrath &
Jonathan E. Lichtmacher
Tradução: Merle Scoss
Introdução
Distúrbios psiquiátricos são
deficiências funcionais resultantes de alteração
de um ou mais dos seguintes fatores interrelacionados:
(1) função biológica; (2)
inadaptação psicodinâmica;
(3) comportamento aprendido; e (4) condições
sociais e ambientais. Embora o estado clínico
num dado momento determine qual a área
de disfunção será enfatizada,
o tratamento apropriado do paciente exige uma
abordagem que avalie adequadamente todos os fatores.
Função Biológica
Os
distúrbios psiquiátricos de origem
biológica podem estar subordinados a doenças
físicas identificáveis ou ser causados
por distúrbios bioquímicos do cérebro.
Uma ampla variedade de distúrbios psiquiátricos
(p.ex.: psicose, depressão, delírio,
ansiedade), bem como sintomas inespecíficos,
são causados por doença orgânica
do cérebro ou por desarranjo do metabolismo
cerebral resultante de doenças, aberrações
bioquímicas (geralmente disfunção
neurotransmissora), deficiências nutricionais
ou agentes tóxicos.
As
funções neurotransmissoras foram
correlacionadas com os principais distúrbios
psiquiátricos. A deficiência colinérgica
está presente em algumas demências
e o desequilíbrio adrenérgico é
importante em algumas psicoses. Os mecanismos
serotonérgicos estão significativamente
envolvidos nos distúrbios afetivos, agressividade,
autismo e problemas de ansiedade, especialmente
nos distúrbios obsessivo-compulsivos.
Inadaptação
Psicodinâmica
A
inadaptação psicodinâmica
envolve aberrações intrapsíquicas
e costuma ser tratada com uma abordagem psicoterapêutica.
Há muitas formas de psicoterapia: de apoio,
interpretativa, cognitiva, persuasiva, educativa
ou combinações desses métodos.
A profundidade, duração, intensidade
e freqüência das sessões podem
variar.
Comportamento Aprendido
O
comportamento aprendido faz parte do mecanismo
patogenético de todos os distúrbios
psiquiátricos. Por exemplo, no distúrbio
de somatização, o paciente pode
ter aprendido que estar doente é a única
maneira de obter atenção. Alterar
esse reforço positivo seria crítico
para produzir uma mudança de comportamento.
Os distúrbios de personalidade são
exemplos de fracasso em aprender a incorporar
padrões de comportamento aceitáveis
nos ambientes sociais.
Condições
Sociais e Ambientais
Os
fatores sociais e ambientais sempre foram considerados
de importância vital para o equilíbrio
mental do indivíduo. Sem embate com o ambiente,
não pode haver doença socialmente
reconhecida. As exigências da vida cotidiana
contribuem tanto para o desenvolvimento de uma
personalidade estável quanto para os desvios
da norma. Há uma influência étnica,
em constante mutação, que determina
quais tipos de comportamento serão tolerados
e quais serão considerados desvios. As
atitudes e medos culturais desempenham papéis-chave
na percepção da doença e
na aceitação do tratamento. As mudanças
nos padrões de trabalho dos pais e nos
padrões de estudo e trabalho dos jovens
adultos são complexas e geralmente prolongam
o período de dependência e aumentam
as tensões na unidade familiar.
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