Consenso
sobre a Síndrome de Abstinência do
Álcool (SAA)
e o seu tratamento
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6.
Orientação familiar
Educação
em saúde é fundamental para assegurar
não só o entendimento do cliente,
como também de sua família, sobre
os problemas relacionados ao uso crônico
de álcool. Assim como é imprescindível
a orientação do paciente sobre o
seu problema, a família, parte integrante
dessa disfunção, precisa ser informada
e encaminhada para um tratamento mais intensivo,
se necessário. Em qualquer dos níveis
de comprometimento que o indivíduo se apresente,
é essencial trabalhar os conceitos de síndrome
de dependência e abstinência alcoólica,
com objetivo claro de desenvolver, nesse sistema
familiar, a crítica sobre seu papel nesse
transtorno, como também promover sua mudança
de pensamento e comportamento. Trabalhar a auto-
estima e a importância da desintoxicação,
assim como a prevenção da recaída,
são estratégias a serem adotadas
nessa fase inicial do tratamento, não só
com o paciente, como também com seu sistema
familiar e social.
7.
Pareamento
A
idéia da avaliação dos tratamentos
em todos os países é muito clara,
pois todos concordam que não há
uma forma de tratamento única e ideal para
todas as pessoas com problemas devidos ao uso
do álcool e de outras drogas.19 A escolha
do melhor tratamento depende de um diagnóstico
precoce e adequado, e isso decorre de uma metodologia
de avaliação rigorosamente organizada.
Atualmente, esse é o principal desafio
nas pesquisas em desenvolvimento.20
Portanto,
diferenciar os tratamentos e parear os indivíduos
de acordo com suas peculiaridades podem melhorar
o resultado da intervenção.21 O
pareamento do paciente com o tipo de abordagem,
como uma forma de melhorar a efetividade, foi
sugerido desde Jellinek em 1941. Para o sucesso
da proposta de tratamento, muitos aspectos têm
que ser levados em consideração.22
Aproximar as características do tratamento
com as peculiaridades do paciente pode determinar
resultados diferentes em relação
à efetividade.23 Assim, não existe
uma forma única de tratamento, nem a melhor.
Cada vez mais, a idéia de parear o paciente
segundo suas características pessoais e
o tipo de abordagem vêm orientando os diversos
serviços na busca de uma efetividade satisfatória
e de uma melhor relação custo-benefício.17
O
ambulatório é uma intervenção
não intensiva, menos estruturada, em relação
à internação, pois utiliza
menos recursos. É segura e menos dispendiosa,
sendo considerada a mais popularmente difundida,
tratando 90% dos pacientes dependentes de álcool.24
Para pacientes com síndrome de abstinência
leve/moderada, sem comorbidades clínicas
e/ou psiquiátricas graves, essa intervenção
é adequada e sem riscos. É um tratamento
menos estigmatizante, promovendo a manutenção
do indivíduo no seu sistema familiar, social
e profissional, além de possibilitar a
participação mais ativa da família
no tratamento.25-27
O
hospital é um tratamento mais estruturado
e intensivo e, portanto, mais custoso, mas tem
se mostrado tão efetivo como o ambulatório.
Está indicado para pacientes com síndrome
de abstinência grave; em casos de comorbidades
clínicas e/ou psiquiátricas graves
com remissão prolongada; em dependentes
graves que não se beneficiaram de outras
intervenções; para aqueles que usam
múltiplas substâncias psicotrópicas,
e também para aqueles que apresentam comportamento
auto ou heteroagressivo. A disfunção
grave de sistema familiar e social pode ser determinante
de encaminhamento para o modelo hospitalar.28,29
8.
Comorbidades
As
principais complicações e/ou comorbidades
clínicas associadas à SAA estão
descritas nas tabelas abaixo e devem ser pesquisadas. |