| Aprenda
Semiologia com Dr. Joubert Barbosa (1942)
"Maneiras
de examinar as funções mentais"
ASSOCIAÇÃO
DE IDÉIAS
Associação
de idéias ou associação dos
fatos psicológicos é a tendência
de um fato psicológico sugerir outro fato.
É a tendência do espírito
passar espontaneamente de uma idéia para
outra.
Tem por objeto todos os fatos psicológicos:
afetivos, representativos e volitivos.
Há três leis que procuram explicar
a tendência das idéias sugerirem
umas às outras:
a) lei de contigüidade:
duas ou mais idéias adquirem a propriedade
de se associar e evocar mutuamente, quando já
estiveram contíguas no espírito;
b) lei de semelhança: certas
idéias se evocam em virtude de semelhança;
c) lei do contraste: uma idéia
tende naturalmente a sugerir a idéia do
contrário.
“A associação se opera exatamente
como se fora um hábito, tanto mais facilmente
quanto mais viva impressão nos tiver causado
a idéia do ato, quanto mais freqüentemente
houver sido reproduzido ou, enfim, quanto maior
atenção lhes tiver sido dada.”
(L. Jaspers)
PATOLOGIA
DA ASSOCIAÇÃO
Aceleramento
de associação —
As idéias e imagens surgem uma após
outra, aparecendo geralmente sem ordem lógica.
É acompanhado, algumas vezes, de exaltação
da memória e freqüentemente de grande
labilidade de atenção. O paciente
também revela certo grau de excitação
motora, falando, escrevendo ou gesticulando mais
que habitualmente.
Quando
este transtorno se torna mais acentuado, temos
a fuga de idéias. A associação,
então, se processa com grande rapidez,
as idéias e imagens se sucedendo como uma
catarata. É mais comum na excitação
maníaca, na fase aguda da paralisia geral
etc.
Retardamento
de Associação —
É fenômeno oposto ao precedente.
As associações se fazem com lentidão,
seja porque a atenção está
polarizada num determinado sentido, seja porque
fortes estados afetivos dominem a atividade psíquica.
Outras vezes há uma deficiência global
dos processos intelectuais ou uma debilidade global
das funções psíquicas.
Pode-se
observar nos estados neurastênicos, melancólicos
e demenciais.
Correspondendo
a esse estado psíquico se observa um retardamento
de atividade motora e, às vezes, mutismo.
Perseverança
— Consiste em responder
diferentes perguntas com as mesmas palavras. A
estímulos diferentes correspondem sempre
idênticas representações.
É devida, geralmente, a complexos afetivos.
Interceptação
— Consiste na interrupção
brusca no curso de idéias, durante um certo
período. O paciente que conversava com
naturalidade, pára bruscamente de falar
ou interpõe palavras e pequenas frases
sem nexo com o assunto principal, continuando
pouco depois a exposição que iniciara.
Observa-se na esquizofrenia.
Incoerência
— O pensamento se mostra
fragmentado, faltando conexão entre idéias
e juízos que constituem. Tal fenômeno
se associa, geralmente, à fuga de idéias.
É comum se observar nos estados confusionais.
Desagregação
— Observa-se aqui a
“destruição da unidade dos
conteúdos ideológicos normais, de
maneira que se separa o que está unido
e se une o que está correntamente separado,
introduzindo-se nas vivências representações
heterogêneas, como se vê nesse exemplo:
devo descender de Diógenes, porque Diógenes
procurara as pessoas com uma lanterna e eu creio
que isso é um absurdo” (BUNKE).
A desagregação
pode se manifestar pelo fenômeno da resposta
ao lado. À pergunta “que idade
você tem”, o paciente responde: “porque
as casas são altas”. A resposta ao
lado é típica da síndrome
de Ganser e se observa na pseudodemência
histérica e na esquizofrenia.
Prolixidade - O paciente revela
grande dificuldade em sintetizar seu pensamento,
tornando-se a exposição abundante
em detalhes supérfluos faltando, ao mesmo
tempo, a agilidade psíquica que permitiria
desprezar os fatos secundários e utilizar
apenas os principais. É comum na demência
profunda, na oligofrenia, epilepsia e estados
senis.
SEMIOLOGIA
DA ASSOCIAÇÃO DE IDÉIAS
No
curso da própria exploração,
encontramos elementos para analizar a capacidade
associativa do paciente, observando não
somente a linguagem falada mas também tudo
que foi ditado ou escrito pelo próprio
paciente.
Há,
entretanto, algumas provas que nos permitirão
julgar o tempo gasto nas associações,
a natureza das mesmas e os fatores que influem
para manifestações anormais.
PROVA
DAS ASSOCIAÇÕES CONDICIONADAS
Constitui
também um método de estudo psicanalítico,
às vezes, descobrir tendências, desejos,
complexos etc.
MATERIAL
— Numa folha de papel estão
dispostas, uma abaixo da outra, várias
palavras, algumas de escasso conteúdo afetivo,
outras de significação intensamente
emocional, umas de significação
abstrata, outras de significação
concreta. Segue-se uma coluna para anotar a resposta,
outra para o tempo em quintos de segundo, uma
terceira para observações, outra
para a segunda resposta, seguindo-se a coluna
das observações respectivas.
As
palavras (estímulos) geralmente empregadas
são as seguintes:
cabeça, céu, água, morto,
amizade, frio, simpatia, conta, dinheiro, povo,
desengano, suspeito, religião, luz, costa,
liberdade, camisa, rosa, bandeira, navio, sangue,
viagem, pássaro, matrimônio, reza,
queda, família, novena, peixe, esperança,
caixa, vingança, segredo, delicadeza, ridículo,
ironia, intimidade, velhice, filho, mês,
homem, médico, abuso, coche, vida, livro,
arte, ventre, vinho, coelho, sonho, desprezo,
confusão, descobrimento, nudez, caminho,
amor, ideal, anel, ciência, solidão,
incompreensão, chave, número, noite,
mentira, surpresa, fingimento, pecado, remédio,
fé, castigo, corpo, crime, vontade, sorte,
moda, dor, justiça, prisão, perda,
temor, esconder, fogo, desejo, beleza, mulher,
Jesus Cristo, inveja, emoção, peito,
vício, felicidade, simulação,
irmão, menino, perdão, suicídio.
Quando o exame tem fim médico-legal, é
recomendável substituir algumas palavras
acima pelas seguintes: — valente, miséria,
ladrão, paixão, roubo, terror, traição,
avarento, covardia, remorso, punhal, trabalho,
prostituição, violação,
detenção, ferir, enganar, sedução.
APLICAÇÃO
— O exame deve ser precedido em
sala pouco iluminada, longe de qualquer ruído.
Procura-se obter do paciente o máximo possível
de despreocupação.
Pronunciada
uma palavra (estímulo), o examinando responderá
com a primeira palavra que lhe ocorra, não
devendo ocultá-la nem se preocupar com
o valor da mesma.
Para
se obter tal resultado deve-se instruir convenientemente
o paciente e ensaiar, com antecedência,
a prova.
O operador
mede o tempo de reação com um cronômetro
de quintos de segundo e anota, na coluna de observações,
as modificações físicas que
o indivíduo apresente bem como as respostas
colaterais.
Passado
um curto intervalo de tempo a prova é repetida,
empregando-se os mesmos estímulos e solicitando-se
as mesmas respostas.
APURAÇÃO
— Para a interpretação
levamos em conta o tempo de reação
e a forma de associação.
Quanto
ao tempo, as reações são
aceleradas ou retardadas. O tempo médio
é de seis a doze quintos de segundos.
Quanto
à forma podemos distinguir:
a) Associações por continuidade:
descritiva (pena-escrever); causa (beijo-amor);
por coordenação (laranja-banana);
predicativa (serpente-venenosa); por oposição
(longo-curto).
b) Associações por contigüidade;
por sinonímia (casa-residência);
por coexistência (gato-rato); por
coincidência (capa-espada).
c) Associações por assonância:
roca-rosa.
d) Associações mistas (com
um elemento intermediário oculto): centrípeta
(luz-lanterna-vermelha); centrífuga (céu-astro-rastro).
e) Associações absurdas:
lâmina-santo.
Os
sintomas observados são os seguintes:
1) retardamento do tempo de associação;
2) exteriorizações afetivas, simbolizações
e atos de irresolução ou perplexidades
que acompanham a palavra reação;
3) repetição da palavra-estímulo
e outras anomalias de reação.
4) reagir com citações ou denominando
objetos do meio ambiente;
5) persistência de palavras-estímulos
(neutras);
6) transtornos na reprodução.
PROVA
DE HEILBRONNER
|
MATERIAL
— Consta de seis séries
de desenhos esquemáticos, simples,
representando objetos conhecidos. Todos
os desenhos da mesma série representam
o mesmo objeto. O primeiro desenho de cada
série é incompleto mas suficiente
para que o indivíduo normal reconheça
o que representa. Em cada desenho seguinte
se introduzem novos detalhes que favorecem
o reconhecimento.
APLICAÇÃO
– Mostram-se, um por um,
os desenhos de cada série e se pergunta
de cada vez: - Que parece isto? Que representa?
Que há neste desenho que não
há no anterior? |
APURAÇÃO –
O indivíduo normal basta ver o primeiro
ou o segundo desenho para reconhecer o que representa.
Nos
casos de oligofrenia e de confusão mental
o reconhecimento só é possível
desde que se veja o último desenho.
O hipomaníaco
excede-se em comentários e soluções
estranhas, geralmente corretas.
O esquizofrênico
revela perseverança e preocupação
com detalhes.
PROVA
DE ASSOCIAÇÕES LIVRES
MATERIAL
– Um cronômetro, lápis
e papel.
APLICAÇÃO
– Solicita-se que o paciente diga
todas as palavras que lhe ocorreram durante três
minutos.
Anota-se
o número de diferentes palavras ditas durante
cada meio minuto e o total no espaço do
tempo marcado.
APURAÇÃO
– Normalmente ocorrem de 60 a 100
palavras.
PROVA
DE MASSELON
MATERIAL
– Empregam-se as seguintes séries
de palavras:
Débito |
Ladrão |
Prisão |
Árvore |
Pássaro |
Ninho |
Caçador |
Lebre |
Campo |
Água |
Montanha |
Vale |
Rei |
Soldado |
Pátria |
Neve |
Inverno |
Frio |
Padre |
Igreja |
Missa |
Piloto |
Mar |
Navio |
Lápis |
Escola |
Caderno |
APLICAÇÃO
– Pede-se ao paciente que combine
grupos de três palavras em uma ou duas orações.
APURAÇÃO
– O maior ou menor número
de orações resultantes indica a
maior ou a menor capacidade de associação
de idéias. |