
INTRODUÇÃO
Um bebê dorme em seu berço.
Não é provável que tenha mais do que três meses.
Parece sereno e tranqüilo - eventualmente mexe
levemente seus dedos e por vezes parece sorrir.
Não há expressão em seu sorriso - é antes uma
contratura muscular que se dissipa abruptamente
e a face se descontrai.
Súbito, a um ruído, acorda-se
num choro convulso e incontrolável. Há pânico
em sua expressão e agita-se freneticamente no
leito. Tudo indica um ser que sofre e é incapaz,
com seus recursos, de se acalmar. A mãe atenta
toma-o nos braços, com firmeza e fala carinhosa.
Mais do que o conteúdo de suas palavras o tom
indica que ali está alguém capaz e confiável.
Como se algo mágico ocorresse, a criança se tranqüiliza.
Esta é uma cena comum de
todos os nossos lares. Nada de inusitado ou espetacular,
mas repleta de perguntas e mistérios a um observador
atento. Para efeitos deste trabalho quero apenas
destacar o aspecto inefável da relação. Um pequeno
ser, que ainda não dispõe da palavra como meio
de comunicação, e frente a uma experiência de
pânico e angústia é tranqüilizado por um adulto
que se utiliza apenas de seus próprios recursos
pessoais. Nada foi ensaiado, preparado ou aprendido.
Nenhum sofisticado meio de comunicação foi utilizado.
É como se apenas o contato pele-pele estivesse
revestido de todos os poderes tranqüilizadores.
A ênfase desta introdução
está na existência de um complexo e eficiente
meio de inter-relação que preexiste a todas as
formas de comunicação interpessoais humanas. O
que de resto não é estranho ou novo a qualquer
observador do mundo animal, em especial dos mamíferos.
Há no mundo particular da relação mãe-bebê um
interjogo emocional que não pode ser expresso
em termos adultos porque
neste nível da relação não existem a lógica
e a coerência próprias do raciocínio adulto.
Quando trabalhamos e convivemos
com pacientes psicóticos no hospital, notadamente
numa Comunidade Terapêutica onde desenvolvemos
nossa experiência, somos testemunhas de uma relação
similar e igualmente particular que ocorre entre
estas pessoas e seus terapeutas.
A experiência descrita neste
trabalho refere-se a um conjunto de hipóteses,
observações e conclusões relativas ao desenvolvimento
de uma atividade especial - a Atividade Para Pacientes
Mais Necessitados.
José
Blaya Perez Filho
Psiquiatra graduado da Associação Encarnación Blaya
- Clínica Pinel. Trabalho supervisionado
pelo Dr. Marcelo Blaya Perez
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O conhecimento psiquiátrico
tradicional tem considerado a participação de
pacientes em atividades com um meio terapêutico
e como um parâmetro de progresso.
Foi, no entanto, o trabalho
psicanalítico com crianças de Melanie Klein que
demonstrou uma compreensão profunda da importância
da atividade lúdica no desenvolvimento normal
da criança e a formulação teórica aplicável a
quadros psicóticos adultos.
No início de seu trabalho
psicanalítico com crianças, Klein observou que
a criança expressa suas fantasias e ansiedades
através do brincar. Concluiu que a atitude da
criança para com o brinquedo era muito reveladora
de fantasias de ataque e reparação. Por exemplo:
danificar um brinquedo que represente um irmão
faz com que se afaste deste brinquedo devido ao
medo persecutório do objeto danificado por temer
que ele tenha se tornado perigoso e vingativo.
O sentimento de perseguição pode ser tão intenso
que encubra os sentimentos de culpa e depressão,
ou estes podem ser tão fortes que levem a uma
intensificação dos sentimentos de perseguição.
Quando o material podia ser interpretado adequadamente
ela observava uma melhora da relação da criança
com aquele irmão representado pelo objeto. Reputava
como importante no terapeuta uma compreensão das
flutuações entre amor e ódio, felicidade e depressão,
satisfação e ansiedade persecutória. O analista
deve ser capaz de não demonstrar desaprovação
se a criança destroça um brinquedo, não o incita
a expressar sua agressividade nem sugere que o
brinquedo possa ser reparado. Deve permitir que
a criança experimente suas emoções e fantasias
como elas aparecem, para poder compreender e interpretar
a mente da criança livre de influências educativas
e morais.
O estudo da obra de Klein
animou-nos a tentar uma adaptação aplicável ao
adulto psicótico. Uma modificação técnica importante
que se apresenta é a de que o adulto, ainda que
regressivo e aproximando-se de um comportamento
infantil, continua sendo um adulto. Optamos por
uma técnica não interpretativa, mas igualmente
isenta de conotações educativas ou moralistas.
As fantasias de ataque podem ser expressas nas
atividades livremente. A função do terapeuta é
a aceitação das projeções sem revide e sobreviver
a elas como um ser livre e independente e portanto
capaz de gratificar. O terapeuta é generoso e
compreensivo exceto se interpuser a agressão física
real contra alguma pessoa. Um exemplo pode auxiliar
o entendimento. Uma residente está reunida com
alguns pacientes para fazer pintura em papel.
Um dos pacientes, ávido e excitado, começa a gastar
inúmeras folhas, uma atrás da outra, expressando
fantasias agressivas e vorazes. Em poucos minutos
as folhas disponíveis se esgotam. A terapeuta
percebe que ele não vira duas delas em baixo de
uma pasta e disse com tranqüilidade: Aqui ainda
tem mais duas! O paciente pareceu surpreso, recusou
e disse que não as “estragaria” pois poderia vir
mais alguém e serem necessárias. O exemplo destaca
que uma atitude neutra, não retaliadora e desvinculada
de idéias de certo-e-errado, feio-e-bonito podem
levar o paciente a uma situação de compreensão
interna. A “teoria de cura” do paciente envolve,
através de identificações projetivas maciças,
enlouquecer ao outro na crença de que assim ele
próprio se alivia. O terapeuta aceita ser o receptáculo
destas projeções mas precisa se manter livre e
não age de acordo com o controle onipotente proposto
pelo paciente.
Nossa expectativa teórica
envolve uma experiência em três tempos: no primeiro
o paciente anima-se a romper seu compromisso com
o autismo e aproxima-se de seus objetos internos
representados pelo terapeuta e a realidade externa;
no segundo momento, e através da atividade, o
paciente expressa sua violência e hostilidade
com liberdade e o terapeuta o acompanha como companheiro
capaz de compreender e aceitar, mas mantendo-se
livre do controle onipotente; a terceira fase
envolve a culpa e a reparação na qual o paciente
é capaz de reconstruir seus objetos internos através
do processo depressivo.
DESENVOLVIMENTO
DO PROGRAMA
O paciente é identificado
como mais necessitado por seu terapeuta assistente
e isto é comunicado aos demais membros da equipe
através de uma prescrição. Na organização da Comunidade
Terapêutica é a única atividade que independe
de iniciativa do paciente para sua inclusão no
grupo. As relações de tempo e espaço estão a um
nível de compromisso mínimo. O autismo e as formas
bizarras de conduta são aceitas, respeitadas e
acolhidas. O trabalho do terapeuta é o de introduzir
pequenas cunhas de realidade contrapartida, através
do manuseio de matérias simples.
O material é escolhido por
suas características e ao gosto do terapeuta.
A experiência tem-nos feito optar por materiais
e atividades como argila, pintura em papel, pintura
em argila, colagem, instrumentos musicais simples,
pequenos jogos de montar, jogo de bola, desenho
e lixação. Todos os pacientes necessitados da
unidade são convidados pessoalmente por todos
os terapeutas, diariamente, para participarem
de suas atividades. Tomamos o cuidado de manter
uma constância quanto à atividade, horário, local
e tempo de duração. Assim no decorrer de poucos
dias o paciente é capaz de identificar “Dr. João”
com argila e com 15 horas. Para que se possa valorizar
melhor esta constância basta relembrar a recomendação
da raposa ao Pequeno Príncipe na obra de Saint-Exupèry
quando lhe sugere que venha sempre na mesma hora,
pois assim com antecedência ela já pode ficar
feliz.
Habitualmente são ofertadas
entre quatro e sete atividades diárias por terapeutas
diferentes e em horários diferentes possibilitando
ao paciente participar de quantas desejar. Todos
os terapeutas, do chefe de unidade ao residente
menos experiente, estão compromissados com a tarefa
que assume um caráter prioritário sobre todas
as outras da unidade. A atividade é sempre desenvolvida
no ambiente-de-estar da unidade dando-se a liberdade
ao paciente de chegar e retirar-se do local quando
lhe aprouver dentro dos cinqüenta minutos que
dura cada período. O exemplo clínico abaixo tenta
uma melhor compreensão:
Um paciente melancólico,
setenta e três anos, aposentado, é admitido por
vir num quadro de apatia, ansiedade, ideação suicida,
insônia e eventuais crises de agitação e agressividade.
Vinha doente há vários anos e encontrava-se inativo.
O quadro foi precipitado por uma enfermidade cardíaca
que limitou e modificou significativamente seus
hábitos de vida. Não participava das reuniões
de grupo operativo da unidade e era hostil às
tentativas de aproximação por parte da equipe
e companheiros. Desde o início participava dos
trabalhos de argila, tarefa coordenada por seu
terapeuta assistente. Limitava-se a amassar o
barro em suas mãos lentamente. No decorrer de
duas semanas conseguia moldar grosseiramente um
simulacro de cinzeiro. Por esta época já era um
homem mais acessível e começara a participar das
reuniões de grupo operativo. Quando conseguiu
finalmente concluir seu primeiro cinzeiro ofertou-o
ao terapeuta dizendo-lhe que ao longo dos últimos
anos era a primeira coisa de seu que conseguia
fazer. Nas duas semanas que precederam a alta
conseguiu desenvolver um bom trabalho como Paciente-Atendente,
uma ocupação bem mais sofisticada e complexa.
É possível que uma relação bipessoal tolerante
e satisfatória possibilite novas experiências
multipessoais gratificantes, e um gradual desenvolvimento
das capacidades perdidas do paciente.
O exemplo parece-me típico,
se bem não se possa estabelecer regras definidas
de desenvolvimento. Não raro somos testemunhas
de acompanhamentos bem mais longos e de movimentos
mais lentos do paciente. Se acompanharmos o desenvolvimento
de um ovo uma situação semelhante pode ser observada.
Visto de fora, o observador tem a impressão de
que tudo está estático, nada acontece, mas se
lhe for possível abrir uma pequena janela que
permita visualizar o interior constatará o turbilhão
de mudanças que culminarão com um novo ser independente
ao final de três semanas. Cada paciente nosso
necessita de um tempo de gestação própria e individual
e qualquer tentativa terapêutica de apressar o
processo é danosa. A experiência da participação
em atividades especiais como as descritas só é
possível num clima em que se respeitem as manifestações
do indivíduo e se esteja atento ao tamanho de
seus passos, para saber quanto durará a caminhada.
OBJETIVOS
Este programa
visa:
§
Estimular a capacidade de integração do paciente com os demais
grupos dentro de seus limites e possibilidades;
§
Promover no paciente maior aceitação de si mesmo;
§
Redescobrir suas capacidades não psicóticas;
§
Levá-los a perceber que são capazes de executar tarefas simples
e úteis para si mesmos e para os outros;
§
Estimular o cuidado, capricho e asseio com a aparência pessoal;
§
Despertar neles vontade
de participar de atividades com outros pacientes;
§
Criar hábitos de higiene;
§
Evitar que o paciente se isole;
§
Aumentar a auto-estima;
§
Melhorar o contato com a realidade objetiva;
§
Estimular o afeto entre os internos, diminuindo o nível de
agressividade;
§
Desenvolver atitudes mais adequadas;
§
Diminuir a ociosidade;
§
Restabelecer a confiança em si mesmo e nos outros;
§
Apoiar e orientar a família do paciente;
§
Diminuir as reinternações;
§
Comprometer a família
no tratamento e recuperação do paciente
e manutenção da mesma;
§
Levar a família a acompanhar o desenvolvimento do paciente;
§
Levar a família a aprender com o terapeuta, o modo tolerante
de aceitar as dificuldades transitórias do paciente.
JUSTIFICATIVA
O Programa de Atendimento
a pacientes psicóticos processuais (Quadros Psicóticos
Orgânicos Senis e Pré-Senis; Quadros Psicóticos
Orgânicos Transitórios; Outros Quadros Psicóticos
Orgânicos e Psicoses Esquizofrênicas) visa: assegurar
um tratamento adequado a esses pacientes, atenção
especial, visto que os mesmos têm maior comprometimento
de suas funções psíquicas e maior dificuldade
adaptativa, visa também um maior envolvimento
e compromisso da família com o tratamento do paciente,
uma vez que normalmente a tendência da família
é deixar a cargo do hospital toda a responsabilidade
do tratamento e muitas vezes negligenciando o
tratamento, não dando continuidade à medicação
em casa e às condutas orientadas pelo médico ou
terapeuta, provocando assim a recaída do estado
de saúde do paciente e conseqüente reinternação.
Mesmo porque a família envolvida com a doença
do paciente age muitas vezes inconsciente e também
necessita de apoio e orientação.
ATIVIDADES
PLANEJADAS
A atividade para o paciente
mais necessitado é prescrita pela equipe multiprofissional
que o atende para o Programa de Atendimento aos
Pacientes mais Necessitados independentemente
do pedido manifesto do paciente. Esse é um dos
primeiros cuidados para com ele.
O terapeuta vai ao seu encontro,
e o convite para que participe da atividade é
feito pessoalmente. Na ocasião, o paciente é chamado
por seu nome, o terapeuta se apresenta e comunica
a ele o tempo que terão juntos e como poderão
utilizá-lo sendo respeitado seu desejo de não
participar.
A AMN* é realizada sempre
em um mesmo local e de fácil acesso.
Cada terapeuta oferece vários
períodos de 50 minutos durante a semana, e todos
os pacientes, com esta prescrição, são convidados
para a atividade.
O material utilizado é simples
– papel, tintas, lápis, cola, revistas, barro
– e o terapeuta mantém em seu horário a mesma
atividade. De preferência, também se utiliza um
mesmo horário com a finalidade de que o menor
número de variáveis seja oferecido.
A postura fundamental do
terapeuta em AMN* é a tolerância. Essa atitude
permite que o paciente utilize, ou não, o material,
chegue ao final ou saia antes, guarde para si,
ofereça ou pendure no mural da sala de terapia
ocupacional o seu trabalho.
Não se interpreta o que
é feito. Valoriza-se o contato e a tentativa que
o paciente realiza de executar uma tarefa. A tolerância
e a ausência de atividades críticas criam, normalmente,
um ambiente descontraído onde o paciente se expressa
livremente.
É comum o paciente tentar,
seguidamente, se apoderar do material de outras
pessoas, o que é trabalhado discriminando-se com
o paciente o que é seu do que não o é.
O terapeuta deixa a posição
tolerante apenas quando se configura uma situação
de agressão física, que é manejada em “grupo de
8”.
O ritmo da evolução na atividade
é sempre dado pelo paciente. Nossa observação
é a de que nem sempre isso ocorre sem retrocessos.
* AMN – Atividade para o
paciente mais necessitado
GRUPO
DE DRAMATIZAÇÃO
É
fundamentalmente uma criação, é uma ação de imagens
contidas no complexo mundo do doente mental, representando
um diálogo eficaz consigo mesmo.
Quando realizado livremente,
deixando-se que o paciente extravase toda a sua
potencialidade emocional, funciona como um agente
de encenação da própria vida.
Ensina ao doente normas
sociais, como a colaboração, obediência e cavalheirismo,
desenvolve o raciocínio e a criatividade através
da improvisação e estímulo necessário.
É uma atividade de característica
grupal, com grande sentido de socialização. Deve
reinar um clima livre de tensões, deve haver muita
espontaneidade, mais interessante, ainda que nasçam
do próprio grupo as formulações das peças, as
músicas, os cenários, as máscaras, as roupas etc.
Pois, por mais simples que
nos pareça, tendem a exprimir, as vivências, os
conflitos, e desejos dos doentes.
A encenação funciona como
um exercício de concepção de espaço (deslocamento,
dominação e a percepção de si mesmo).
ATIVIDADES
EXPRESSIVAS
As
atividades expressivas tais como: pintura, colagem,
recorte não só proporcionam esclarecimentos para
processos patológicos através da análise de seus
conteúdos, mas que se constitui num verdadeiro
agente terapêutico.
Tais atividades podem ser
utilizadas pelo doente mental como um instrumento
de organização de seu psiquismo, levando-o à realidade.
MODELAGEM
EM ARGILA E MASSA
É importante em termos de
expressão terapêutica e é uma atividade que apresenta
um caráter disciplinar. A argila é empregada principalmente
para pacientes mais regredidos por trabalhar com
a liberação da agressividade.
COMISSÃO
DE HIGIENE AMBIENTAL
- JUSTIFICATIVA:
O Hospital São João
através da C.H.A., vem oferecer ao indivíduo (paciente)
oportunidade de estabelecer comportamentos e hábitos
que foram prejudicados pela doença, bem como cuidados
de higiene pessoal, estimulando também o interesse
dos pacientes à higiene ambiental.
A partir do momento em que
o paciente começa a se interessar e se integrar
em atividades rotineiras como: arrumar camas,
varrer os quartos e se preocupar com a higiene,
ele estará se adaptando novamente ao convívio
interpessoal adequado, resgatando assim seu vínculo
sócio-familiar.
- OBJETIVO GERAL
Resgatar o convívio sócio-familiar,
através de um trabalho em equipe e de cooperação.
- OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
- estimular
o autocuidado;
- incentivar
o trabalho em equipe;
- estimular
a cooperação entre os pacientes;
- orientar
os pacientes na manutenção do ambiente terapêutico,
bem como sua limpeza e higiene.
- ATIVIDADES:
- arrumação
das camas,
- varrer
quartos e corredores;
- limpeza
dos pátios, salas de TV e banheiros;
- limpeza
dos leitos e enfermarias;
- vistoria
diária.
Obs.: Como estímulo pelo esforço e
interesse nas atividades diárias, os pacientes
participam de uma reunião de confraternização
semanal com entrega de certificados aos que melhor
se desempenharam durante a semana.
ATIVIDADES
RECREATIVAS
As atividades recreativas
são realizadas com bola, corda, latas, argolas,
petecas, cantigas de roda, atividades com arcos,
com bastão, etc.
Estas
atividades proporcionam grande prazer aos pacientes
e por isso são
bem aceitas pela maioria deles. Elas ajudam o
paciente a integrar-se ao meio social, colaborando
com o desenvolvimento intelectual e emocional.
ATIVIDADES
FÍSICAS
A atividade física é de
fundamental importância, sendo que o espírito
competitivo deve ser incentivado.
Visa proporcionar ao paciente
psiquiátrico condições que favoreçam a sua integração
na sociedade, promovendo alternativas diferenciadas
seguindo os princípios básicos de normalização,
integração e individualização.
Um programa esportivo, quando
feito adequadamente, baseado sempre na etapa mental,
cronológica e motora, propicia um desenvolvimento
orgânico satisfatório pela melhoria do sistema
cardiovascular e respiratório, tônus muscular,
ajuste postural, maior agilidade, flexibilidade
e ampliação dos movimentos.
A terapia auxilia no esquema
corporal, coordenação dinâmica geral (grosseira
e fina), equilíbrio estático e dinâmico, dominância
lateral, orientação e estrutura espaço-temporal,
relaxamento global, segmentário associados à respiração
e ainda no desenvolvimento da noção de velocidade
e força.
Proporciona a liberação de sentimentos
como agressividade, medo, frustração, repressão
etc.
COMISSÃO
DE HORTICULTURA
INTRODUÇÃO:
A
Terapia Ocupacional é uma forma de tratamento
que utiliza a atividade como recurso terapêutico,
onde, através da dinâmica que se estabelece na
relação da tríade terapêutica - paciente - atividade,
previne, trata e integra, proporcionando uma melhor
qualidade de vida aos indivíduos com problemas
físicos, mentais e / ou sociais.
A
Terapia Ocupacional tem como princípio primordial
à integração global do indivíduo, partindo desse
pressuposto teórico e da vivência prática neste
Hospital, sentimos a necessidade da elaboração
de um programa de horticulturas para os pacientes
psicóticos processuais.
OBJETIVOS:
- Promover maior integração do indivíduo.
- Promover a autovalorização e o autocuidado.
- Proporcionar sentimento de produtividade,
responsabilidade e iniciativa.
- Enfatizar a dinâmica da participação
e cooperação em uma atividade grupal.
CRITÉRIOS PARA
ADMISSÃO DO PACIENTE NO GRUPO:
A organização deste trabalho
inicia-se dentro do próprio hospital, através
de uma triagem dos pacientes, realizada pela equipe
multiprofissional, com o objetivo de constatar
os seguintes itens:
- Aptidão
- Interesse
- Capacidade
- Nível
de agressividade
- Risco
de fuga e / ou suicídio.
OPERACIONALIZAÇÃO:
As atividades deverão ser
realizadas com tarefas e rotinas pré-determinadas,
com o acompanhamento de um técnico, que promoverá
a manutenção dos objetivos anteriormente citados.
Operacionalizando a rotina, as atividades
serão desenvolvidas às segundas, quartas e sextas-feiras
das 16 às 17 horas
As
atividades terão uma seqüência, por exemplo, vão
desde a preparação do solo até a colheita. A duração
das atividades será de 2 horas, sendo que há intervalos
para água e banheiro, de acordo com a necessidade
de cada um, lembrando que encerrando as atividades,
os pacientes recolherão seus respectivos instrumentos
de trabalho e farão sua higiene pessoal.
RECURSOS MATERIAIS:
-
Enxadas
-
Regadores
-
Rastelos
-
Pá
-
Carriola
-
Chapéu
-
Botas
ATIVIDADES PROPOSTA:
-
Preparação dos canteiros
-
Preparação do solo
- afofar terra
- colocação de adubo
-
Plantio
-
Limpeza
-
Irrigação
-
Colheita
ALFABETIZAÇÃO
OBJETIVO:
Alfabetizar os pacientes
buscando desenvolver seu raciocínio dentro de
suas possibilidades, oferecendo uma atividade
extra, desenvolvendo condição ao paciente de adquirir
novos conhecimentos e proporcionando condições
de maior interação com o meio.
O paciente será integrado
a um processo gradativo de aprendizagem que terá
por alvo permitir-lhe a:
- Associar
o som à gravura;
- Repetir
o som e transcrevê-lo;
- Leituras
e cópias de sílabas, palavras, frases, e textos.
-
Ilustração
- Narração e reprodução
de textos
- Ditado
METODOLOGIA:
Os pacientes serão encaminhados
para esta atividade através da equipe multidisciplinar.
As aulas serão ministradas na sala de Terapia
Ocupacional masculina, formando grupos de mais
ou menos 40 pacientes, no período das 10:00 horas
às 11:00 horas, todos os dias.
A avaliação do conteúdo será constante,
diária, através de observações, diálogos e testes.
RECURSOS MATERIAIS:
- papel
almaço
- papel
sulfite
- cadernos
- lápis
- borrachas
- apontadores
- lápis
de cor
- giz
- sacos
plásticos para guardar os materiais dos pacientes
- apagador
COMISSÃO
DE PASSEIO
Este
é um projeto que visa reestruturar as possibilidades
dos pacientes processuais a um ajustamento social,
buscando uma melhor integração dos mesmos na sua
rotina hospitalar e/ou extra-hospitalar.
Cada atividade extra-hospitalar
realizada deverá reintegrar alguma função social,
devendo inserir numa atmosfera terapêutica completando-se
entre si.
A organização desta atividade
inicia-se através de uma triagem dos pacientes,
realizada pela equipe multiprofissional e com
autorização escrita pelo familiar responsável.
As atividades deverão ser
realizadas com tarefas e rotinas pré-estabelecidas,
com o acompanhamento do terapeuta responsável.
EXPRESSÃO
CORPORAL
Os distúrbios mentais levam
às alterações parciais ou totais do esquema corporal
de acordo com a intensidade ou gravidade do sistema
emocional, onde a capacidade de elaboração de
idéias ou formulação de frases reflete o estágio
dos cuidados do próprio físico.
O paciente psiquiátrico
deve ser trabalho em grupo ou individualmente
de acordo com a sua capacidade de resposta, atividade
sob comandos, coordenação motora, equilíbrio e
força.
Através do movimento podemos
desenvolver consciência corporal, percepção de
direção, do espaço, da forma, conceitos de tempo
e também percepção de cor, conceito de número,
dominância lateral e ampliação do vocabulário.
Ao solicitar atividades
verbalize todos os movimentos citando os objetos
envolvidos e partes do corpo ao demonstrar.
Sempre que utilizar um material
novo deve mostrá-lo, nomeá-lo e demonstrar as
possibilidades de movimentá-lo e permitir que
o paciente o faça livremente.
As atividades descritas
podem ser diversificadas quanto ao material e
formas utilizadas, número de repetições, cores
utilizadas, distância, duração, solicitação verbal.
Iniciamos com desenvolvimento do esquema corporal e organização perceptiva.
Exemplos
- em pé:
- apoiado
na planta dos pés
- apoiado
na ponta dos pés
- apoiado
nos calcanhares
- apoiado
na borda externa dos pés
- apoiado
na borda interna dos pés
- apoiado
num pé só, direito e esquerdo
- bater
com os pés no chão (fraco e forte)
- arrastar
os pés no chão
Nesta seqüência poderá variar a frente do corpo: de
lado, frente e costas para o terapeuta.
Em pé, deitado em decúbito dorsal, sentado, de joelhos,
sentado nas pernas:
- bater
um punho no outro
- abrir
e fechar as mãos
- encostar
dedo por dedo
É importante que o paciente
experimente com o corpo todas as posições no espaço
que conseguir realizar, em pé, decúbito dorsal,
decúbito lateral, ventral, de joelhos, em quatro
apoios, inclinada, de cabeça para baixo e pendurada.
- rolar
no chão com braços acima da cabeça e pernas estendidas
- engatinhar
sobre o abdome
- engatinhar
sobre os apoios
- pegar
e largar objetos grandes e pequenos (bolas, bastão,
aros, raquetes, coroas)
- entrepassar-lhes
os objetos por cima, por baixo e pelo lado
- dois
a dois sentar frente a frente com as pernas abertas:
- rolar
a bola em direção ao outro
- jogar
por cima da cabeça
- jogar
com uma das mãos direita e esquerda
Após, vá diminuindo o tamanho da bola e varie o objeto.
Andar:
- para
frente
- para
trás
- para
o lado (direito e esquerdo)
- arrastando
os pés
- na
ponta dos pés
- nos
calcanhares
- entre
objetos espalhados
- entre
duas linhas paralelas traçadas na distância 20
cm uma da outra
- sobre
uma corda no chão com os pés descalços
- em
volta de figura (quadrado, círculo, estrela, etc.)
- em
passos largos e estreitos
- sobre
figuras de diversas cores
- marchar
erguendo os joelhos
- andar
sobre as nádegas
Atividades com bola:
- pendurar
e pedir que golpeiem:
- com
a mão fechada
- com
a palma da mão
- com
o dorso da mão
- ponta
dos dedos um por um
- usando
bolas de diversos tamanhos iniciando com as maiores
e mais leves:
- rolar
bolas no chão
- jogar
para cima
- jogar
para baixo
- jogar
para o companheiro
- espalhar
bolas de diversas cores e pedir que peguem todas
as vermelhas, por exemplo: colocar uma entre as
pernas e pular
Atividades com o saco de areia:
- Segurar
um com uma mão
- Levantar
e abaixar
- Andar
- Correr
Atividades com pneus:
- colocar
no chão vários pneus próximos
- andar
colocando os pés dentro deles
- pular
dentro deles
- rolar
o pneu no chão
Obs.: Os exercícios poderão ser criados pelo terapeuta
de acordo com a necessidade do paciente.
JOGOS
EDUCATIVOS
Os
Jogos Educativos ajudam na coordenação motora
e na aquisição de conceitos como formas, tamanhos
e cores. Desenvolvem habilidades manuais que preparam
o paciente para atividades da vida diária, ajudando
a formar conceitos corporais e estimulando o raciocínio
e noção de quantidade, tempo, espaço e lugar.
CONCLUSÃO
A observação de uma cena
corriqueira, a relação inefável que se estabelece
entre qualquer mãe e seu bebê, é o ponto de partida
para uma formulação teórica e uma aplicação prática
de um trabalho especial com pacientes regressivos
numa Comunidade Terapêutica. É destacada a importância
de uma forma de comunicação pré-verbal que ocorre
na relação particular mãe-bebê utilizada como
paradigma de todas as futuras relações. A analogia
entre o comportamento infantil normal e o que
se observa em alguns quadros psicopatológicos
adultos onde ocorre a regressão sugere que o mesmo
tipo de aproximação possa ser tentado com pacientes
psicóticos. A atividade lúdica é introduzida como
um objeto intermediário em torno do qual pacientes
e terapeutas desenvolvem suas experiências. O
desenvolvimento da técnica observa uma constância
de tempo, lugar, pessoas e principalmente um respeito
pelo autismo e isolamento do paciente enquanto
ele precisar deste comportamento como forma de
proteção de seu self.
A relação mais próxima do
terapeuta com o paciente, concretizada na AMN,
possibilita alívio da ansiedade, rompimento do
autismo e ampliação das possibilidades de relacionamento.
A postura tolerante do terapeuta
para com o ritmo do paciente e das suas manifestações
emocionais viabiliza a AMN.
O amadurecimento da equipe
terapêutica, que implica o aumento da capacidade
de se aproximar e suportar a loucura, é condição
“sine qua non” para a implantação de um programa
específico de atendimento ao paciente mais necessitado.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
1) BLAYA PERES FILHO, J. Atividade
na Comunidade Terapêutica 1º Nível:
As atividades para Pacientes mais Necessitados.
Arq. Clín. Pinel, IV, (1/2/3): 29-33, 1978
2) FREUD, S. A
Teoria da Libido e o Narcisismo. In:- Edição
Staudart Brasileira das Obras Psicológicas Completas.
Rio de Janeiro, Imago, 1976. V.16.
3) KLEIN, M. & RIVIERE, J.
Amor, Ódio
e Reparação. Rio de Janeiro, Imago, 1975.
4) KLEIN, M. A
Técnica Psicanalítica Através do Brinquedo, sua
História e Significado, 25-48. Novas Tendências
na Psicanálise, Rio de Janeiro, Zahar, 329 p.
1969.
5) KLEIN. M. O
Sentimento de Solidão. Rio de Janeiro, Imago,
1975.
6) OLIVEIRA, E. Comunidade
Terapêutica e Violência: O Controle Democrático.
Arq. Clín. Pinel, IV (1/2/3): 50-55, 1978.
7) SIVADON, P. & CHANOIT, P.
Uma Experiência
Francesa em Socio-terapia. Folheto.
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