| -
D -
dano
cerebral relacionado com o uso de álcool
- Termo
genérico que engloba a deterioração
da memória e das funções
mentais superiores relacionadas com o lobo
frontal e o sistema límbico. Assim,
compreende tanto a síndrome amnésica
induzida pelo álcool (F10.6) como
a síndrome do lobo frontal (incluído
em F10.7). No entanto, o termo é
com freqüência usado quando somente
um destes transtornos está presente.
A
perda de memória na síndrome
amnésica afeta caracteristicamente
a memória recente. O dano do lobo
frontal manifesta-se por deficiências
relativas ao pensamento abstrato, a conceitos
e ao planejamento e processamento de informação
complexa. Outras funções cognitivas
estão relativamente bem conservadas
e a consciência não está
perturbada. Deve-se distinguir entre dano
cerebral relacionado com o álcool
e demência alcoólica. Nesta
última situação, há
um maior dano global das funções
cognitivas e, geralmente, a presença
de evidência de outras etiologias,
tais como repetidos traumatismos cranianos.
Ver
Demência Alcoólica.
defeito
- Deterioração
irreversível de qualquer função
psicológica particular (p.ex., defeito
cognitivo) do desenvolvimento geral das
capacidades mentais, ou dos padrões
característicos do pensamento, afeto
e comportamento que constituem a personalidade
do indivíduo. Um defeito em qualquer
uma destas áreas pode ser inato ou
adquirido. Um estado característico
de defeito da personalidade, incluindo em
suas manifestações desde perda
do vigor emocional e intelectual, leves
excentricidades comportamentais até
autismo e embotamento afetivo, foi descrito
por Kraepelin (1856-1926) e Eugen Bleuler
(1857-1939) como sendo uma característica
da evolução da doença
esquizofrênica, em contraste com a
psicose maníaco-depressiva.Ver
Alterações Permanentes da
Personalidade; Deterioração
Esquizofrênica.
defeitos congênitos relacionados
com o álcool - Ver Síndrome
Fetal Alcoólica.
deficiência - Falta
ou redução. No contexto psiquiátrico
(Ing.: impairment), é qualquer perda
ou anormalidade de uma estrutura ou função
psicológica, fisiológica ou
anatômica. Ver Desvantagem; Incapacidade.
deficiência de niacina (E52)
- Níveis inadequados de ácido
nicotínico (ou niacina) produzem
o quadro clínico da pelagra, caracterizado
por uma dermatite simétrica nas partes
do corpo expostas ao sol, sintomas gastrintestinais
(náuseas, vômitos, distensão
abdominal, diarréia) e encefalopatia.
Esta última pode simular qualquer
tipo de transtorno mental, mas a depressão
é provavelmente a manifestação
psiquiátrica mais comum. Desorientação
alucinações e delirium também
podem surgir e alguns pacientes podem evoluir
para a demência. A pelagra é
endêmica nas classes menos favorecidas
nos países onde a dieta é
inadequada e onde o milho não processado
é a dieta principal. Em outros países,
ela aparece principalmente entre os alcoolistas.
deficiência de vitamina B12
- Carência de vitamina B12, geralmente
uma deficiência nutricional secundária
à absorção insuficiente
de vitamina pelo íleo, em indivíduos
com doenças gastrintestinais crônicas.
Uma conseqüência freqüente
é a degeneração subaguda
da medula, do nervo óptico, da substância
branca cerebral e dos nervos periféricos.
O envolvimento da medula se manifesta como
uma doença sistemática, caracterizada
por parestesias progressivas simétricas
dos pés ou mãos (dormência,
formigamento, queimação, etc.)
seguida de falta de firmeza ao andar e,
finalmente, espasticidade, ataxia e paraplegia.
Os sintomas psicológicos incluem
apatia, irritabilidade, desconfiança
e, com a progressão, confusão
e demência.
deficiência de vitamina C
- Ver Escorbuto.
deficiência mental (F70-F79)
- Condição de desenvolvimento
interrompido ou incompleto da mente, caracterizado
particularmente pela redução
das capacidades que contribuem para o nível
global da inteligência, i.é.,
habilidades cognitivas, lingüísticas,
motoras e sociais manifestada durante o
período de desenvolvimento. A deficiência
pode ocorrer com ou sem qualquer outra condição
física ou mental. Os graus de deficiência
são convencionalmente estimados por:
a) Testes padronizados de inteligência
cujo resultado (Quociente Intelectual ou
QI) médio é 100 com desvio
padrão de 15 pontos.
b) Escalas de medida de adaptação
social num dado meio. Nenhuma destas medidas
pode dar mais que uma indicação
aproximada do grau de deficiência
mental. O funcionamento intelectual e a
adaptação social podem mudar
no decorrer do tempo e podem melhorar em
função da maturação
e da resposta à reabilitação
e ao treinamento. Sinonímia: Subnormalidade
Mental; Oligofrenia.
leve (F70). Suscetível de
experimentar uma certa dificuldade na escola;
muitos adultos serão capazes de trabalhar,
ter e manter boas relações
sociais e contribuir para a sociedade. Alguns
aspectos da aprendizagem podem ser mais
lentos e podem, requerer treino mais sistemático.
O intervalo aproximado do QI é de
50-69 (adultos com idade mental de 9 a 12
anos).
moderada (F71). Marcado atraso
de desenvolvimento na infância, mas
muitos aprendem a desenvolver um certo grau
de independência em cuidar de si e
adquirir uma adequada escolaridade e capacidade
de comunicação. Quando adultos,
necessitarão, em grau variado, de
ajuda para viver e trabalhar na comunidade.
O intervalo aproximado de QI é de
35-49 (adultos com idade mental de 6 a 9
anos).
grave (F72). Pode responder a programas
adequados de reabilitação,
apesar das limitações físicas
e orgânicas, mas o indivíduo
provavelmente permanecerá dependente
e com necessidade de ajuda permanente. O
intervalo aproximado de QI é de 20-34
(adultos com idade mental de 3 a 6 anos).
profunda
(F73). Limitação grave da
capacidade de cuidar de si próprio,
de continência, comunicação
e mobilidade, mas o indivíduo pode
ser capaz de ter alguma resposta a programas
de reabilitação. O QI situa
abaixo de 20 (adultos com idade mental de
3 anos, no máximo).
degeneração
- Alteração patológica
em um tecido ou organismo, que consiste
em uma descontinuidade de sua estrutura
original. Na psiquiatria do século
XIX, o termo foi associado à desacreditada
teoria de Morel (1809-1873), que postulava
a transmissão de características
hereditárias adversas de geração
em geração.
degeneração cerebromacular
- Ver Doença de Tay-Sachs.
delinqüência grupal -
Ver Transtorno de Conduta Socializado.
delirante, cognição - Sob a designação
de Cognição Delirante incluem-se certas
convicções intuitivas que surgem inesperadamente,
sobretudo no início de surtos psicóticos
agudos, vivências que, não raro, se mantêm,
arraigadas e firmes, durante largo tempo.
O característico dessas vivências é que,
em contraste com as anteriores, elas dispensam
por completo de conexões significativas
com quaisquer dados perceptivos ou representativos
concretos, ocorrendo à guisa de intuições
puras atuais.
É o que pode se evidenciar no seguinte relato
do tipo: "Súbito, eu me dei conta
de que a situação significava qualquer coisa
de mau, mas eu não sabia o que".
O mesmo se verifica, neste outro exemplo,
em que a paciente se revela repentinamente
tomada da tranqüila convicção de sua alta
linhagem: "sabia que era filha do
Presidente da República", certeza
que se instala sob a forma de uma evidência
interna imediata, isto é, que não lhe vem
de qualquer interpretação, suposição ou
reflexão crítica ou lógica, referente a
acontecimentos vividos.
Caracteriza-se igualmente como Cognição
Delirante, por exemplo, a vivência experimentada
por um paciente que, acometido de súbita
alteração, sai para a rua, dizendo: "Eu
sou o filho da estrela d'Alva".
Algumas vezes, contudo, essas cognições
aparecem em estreita consonância com a temática
delirante, ligando-se então, incidentalmente,
a acontecimentos implicados no delírio.
Esse tipo de Cognição Delirante ligada à
temática do próprio delírio se observa,
por exemplo, em pacientes obcecados com
a Bíblia. Jaspers cita o caso de certa jovem
que, ao ler o episódio da Ressurreição de
Lázaro, sente-se, de repente, ela própria,
encarnada na pessoa de Maria. Daí em diante
assume o delírio onde sua irmã é Marta,
Lázaro é um primo seu e passa a viver, com
grande intensidade, o acontecimento narrado
na Bíblia.
delírio
- Convicção ou juízo
falso, incorrigível, fora dos padrões
da realidade e incompatível com as
crenças sociais da cultura e do meio
do indivíduo. Os delírios
primários são essencialmente
incompreensíveis em termos de história
de vida e de personalidade do indivíduo;
os delírios secundários são
psicologicamente compreensíveis e
estão associados a outras perturbações
mentais, como, p.ex., transtorno afetivo
ou de desconfiança.
Uma distinção foi feita por
Birnbaum em 1908 e Jaspers em 1913 entre
delírio propriamente dito e idéias
delirantes; estas últimas são
meramente um juízo equivocado mantido
com excessiva tenacidade. Em avaliações
psiquiátricas, uma crença
cultural pode ser confundida com um delírio
se o clínico não souber que
esta crença particular é uma
crença prescrita culturalmente e
“normal”, independentemente
de sua validez empírica. O brusco
questionamento das crenças culturais
sem a sua adequada substituição
por outros conceitos ou crenças pode
resultar em anomia ou crise de identidade.
delírio de controle
- Ver Delírio de Influência.
delírio de grandeza
- Crença mórbida na própria
importância, grandiosidade ou superioridade
(como, p.ex., no delírio de missão
messiânica), freqüentemente acompanhada
por outras idéias delirantes. Pode
ser sintoma de paranóia, esquizofrenia
(com freqüência, mas não
invariavelmente do tipo paranóide),
mania e síndromes orgânicas
cerebrais, particularmente paralisia geral.
delírio de influência
- Convicção delirante que
algo de si está sendo substituído
ou está sendo submetido à
influência e controle de alguma força
estranha. As descrições originais
deste fenômeno delirante o associavam
a pseudo-alucinações (Kandisnki,
1849-1889) e a alterações
da consciência (Clérambault,
1872-1934).
delírio de perseguição
- Crença patológica de vitimização
de um ou mais indivíduos ou grupos.
Ocorre nos transtornos paranóides,
mais comumente na esquizofrenia, mas também
em alguns estados orgânicos ou depressivos.
Certos transtornos da personalidade aumentam
a predisposição para tais
delírios.
delírio polimórfico
- Quadro composto por delírios (p.ex.,
idéias delirantes, juízos
delirantes) com numerosos conteúdos
inconsistentes e contraditórios.
Caracteriza-se pela inconstância dos
temas e mudança de forma em breves
unidades de tempo; é um fenômeno
que se contrapõe ao delírio
sistematizado.
delírio sensitivo de auto-referência
(F22.0) (Al.: Sensitiver Beziehungswahn)
- Forma específica de psicose paranóide
não esquizofrênica com idéias
mórbidas de auto-referência
surgindo da base de uma estrutura de personalidade
introvertida sensitiva, com uma capacidade
pobre de desenvolver a liberação
de afeto e tensão. A psicose normalmente
se segue a uma experiência significante
envolvendo humilhação e amor-próprio
ferido. A personalidade é caracteristicamente
bem preservada e o prognóstico, favorável.
O conceito foi introduzido por Kretschmer
(1888-1964).
delirium (F05) - Síndrome
orgânica cerebral aguda, de etiologia
inespecífica, caracterizada por perturbações
da consciência, atenção,
percepção, orientação,
pensamento, memória, comportamento
psicomotor, emoções e ciclo
sono-vigília. O estado de delirium
é transitório e de intensidade
flutuante. A duração é
variável, de poucas horas a poucas
semanas e a gravidade varia de leve até
muito grave. A maior parte dos casos remite
dentro de 4 semanas ou menos; contudo, não
são incomuns casos de delirium que
duram mais do que 6 meses. A síndrome
de abstinência induzida pela retirada
do álcool com delirium é conhecida
como delirium tremens. Sinonímia:
Estado Confusional Orgânico Agudo.
Ver Síndrome de Abstinência;
Síndrome de Abstinência com
Delirium.
delirium associado ao VIH
- O delirium pode estar sobreposto a déficits
cognitivos da demência associada ao
VIH e pode agravar o seu curso. O delirium
pode também ocorrer na altura da
seroconversão em associação
com meningite asséptica. Mais freqüentemente,
o delirium em doentes com AIDS/SIDA pode
estar relacionado com hipóxia (p.ex.,
pneumonia por Pneumocystis carinii), meningite
por criptococos, infecções
sistemáticas (p.ex., bacteremia por
estafilococos), lesões expansivas
cerebrais (p.ex., linfoma do SNC ou abscesso
cerebral devido à toxoplasmose),
alterações metabólicas
(alterações do equilíbrio
hidroeletrolítico e ácido-básico)
e uso de drogas psicotrópicas (especialmente
antidepressivos tricíclicos, cuja
ação anticolinérgica
parece ser mais pronunciada nestes doentes).
delirium tremens (F10.4) - Síndrome
de abstinência com delirium; um estado
psicótico agudo que ocorre durante
a fase de abstinência em indivíduos
dependentes de álcool e caracterizado
por confusão, desorientação,
ideação paranóide,
delírios, ilusões, alucinações
(tipicamente visuais ou táteis, menos
comumente auditivas, olfatórias ou
vestibulares), inquietação,
distração, tremores (algumas
vezes grosseiros), sudorese, taquicardia
e hipertensão. É usualmente
precedida por sinais de síndrome
de abstinência simples. O início
do delirium tremens ocorre usualmente 48h
ou mais após a retirada ou a redução
do consumo de álcool, mas pode apresentar-se
até 1 semana após este período.
Deve ser distinguido da alucinose alcoólica,
que nem sempre é um fenômeno
da abstinência. A condição
é conhecida coloquialmente como "DT".
deliróide, idéia
delírios
secundários
delírio humor-congruentes
A
distinção fundamental entre Idéias Delirantes
(que é o Delírio) e Idéias Deliróides, é
que nas Idéias Deliróides a imagem do mundo
exterior é falsificada de acordo com
as demandas afetivas e instintivas fragilizadas.
O sistema deliróide constrói a realidade
da qual a pessoa necessita emocionalmente,
portanto, é uma construção da realidade
secundária às exigências emocionais
e não, como no Delírio, uma ocorrência primária.
O raciocínio que caracteriza a idéia deliróide
é bastante similar àquele que todos nós
utilizamos, embora de grau muito diferente
(patológico). Seria uma fantasia ou devaneio
patologicamente mais sólido que aqueles
aos quais todos nós estamos sujeitos nos
momentos de angústia. Na penúria nos imaginamos
ganhando na loteria, o deliróide tem certeza
de que ganhou...
Por isso a idéia deliróide é compreensível
para as pessoas normais na maioria das vezes.
Nossas crenças tendem a ser subjetivamente
coloridas e, sem dúvida, todos recorremos
a certas ficções por insegurança. O emprego
da Racionalização e da Projeção com propósitos
defensivos, por exemplo, têm o mesmo objetivo
psicológico da utilização patológica desses
Mecanismos de Defesa como acontece nas Idéias
Deliróides.
As Idéias Deliróides, notadamente aquelas
organizadas e sistematizadas, constituem
tentativas de manipular os problemas e as
tensões da vida através de fantasias elaboradas
para fornecer aquilo que a vida real nega,
entretanto, devido ao seu aspecto mórbido,
tais fantasias não são construídas numa
estrutura compatível com uma adaptação social
normal.
Verificamos, com freqüência, que o conteúdo
das Idéias Deliróides revela aspectos significativos
dos problemas pessoais do paciente. As fontes
desses problemas podem ser freqüentemente
encontradas em inclinações e impulsos contrariados,
esperanças frustradas, sentimentos de inferioridade,
inadequações biológicas, qualidades rejeitadas,
desejos importunantes, sentimentos de culpa
e outras situações que exigem uma defesa
contra a angústia. Uma profunda necessidade
de consolo pode ser satisfeita por idéias
auto-elogiosas, portanto, uma falsa Idéia
Deliróide de grandeza, por exemplo, pode
refletir uma defesa contra sentimentos de
inferioridade.
Na Depressão Grave com Sintomas Psicóticos,
como sabemos e bem atestou Kurt Schneider,
embora a tristeza vital seja considerada
primária, no sentido de ser também incompreensível
e psicologicamente irredutível, dela deriva
e se vincula toda a gama de Idéias Deliróides
depressivas. Essas Idéias Deliróides são
pseudo-delírios ou Delírios Secundários,
como os denomina Jaspers, por tomá-los psicologicamente
compreensíveis e dentro do quadro clínico
geral em que se formam. Atualmente fala-se
também em Delírio Humor-Congruentes.
delirium
tremens relacionado ao álcool
- Ver Síndrome de Abstinência
com Delirium.
demência - Síndrome,
geralmente crônica e progressiva,
devido a uma patologia encefálica
na qual se verificam diversas deficiências
das funções corticais superiores,
que incluem memória, pensamento,
orientação, compreensão,
cálculo, capacidade de aprender,
linguagem e julgamento; a consciência
não é afetada; as deficiências
cognitivas são acompanhadas (e ocasionalmente
precedidas) por deterioração
do controle emocional, da conduta social
ou da motivação.
demência alcoólica
(F10.7) - Termo de significado
variável, que comumente designa um
transtorno crônico ou progressivo
resultante de um beber arriscado, caracterizado
pelo comprometimento das múltiplas
funções corticais superiores,
que incluem memória, raciocínio,
orientação, compreensão,
cálculo, capacidade de aprendizagem,
linguagem e julgamento. A consciência
é preservada. As perturbações
cognitivas são comumente acompanhadas
de deterioração do controle
emocional, do comportamento social ou da
motivação. A existência
da demência alcoólica como
uma síndrome específica é
posta em dúvida por alguns que atribuem
a demência a outras causas. Ver demência;
transtorno psicótico residual ou
de início tardio induzido por álcool
ou drogas.
demência associada ao VIH
(F02.0) - Demência de tipo
subcortical, caracterizada por lentificação
psicomotora, incapacidade de manter a atenção
e transtornos da volição.
Os indivíduos com demência
associada ao VIH tipicamente referem perda
de memória, lentificação,
dificuldade de concentração
e dificuldade na resolução
de problemas e de leitura. Podem apresentar-se
apáticos e com reduzida espontaneidade
e dificuldade de socialização.
O exame do estado mental demonstra dificuldades
na atenção, lentificação
psicomotora, perturbações
mnésicas e dificuldade de raciocínio.
O exame físico freqüentemente
revela tremor, dificuldades em movimentos
rápidos repetitivos, perda de equilíbrio,
ataxia, hipertonia, hiper-reflexia generalizada,
sinais de liberação do lobo
frontal e perturbação dos
movimentos de acompanhamento e sacádicos
dos olhos. Os testes neuropsicológicos
caracteristicamente revelam anomalias em
várias áreas, particularmente
na atenção, capacidade de
resolução rápida de
problemas seqüenciais e do desempenho
motor. A demência associada ao VIH
geralmente evolui rapidamente para uma deterioração
grave e morte.
Ao exame anatomopatológico, a condição
é geralmente caracterizada por encefalite
de células multinucleadas e macrófagos
em resposta à infecção
pelo VIH, monócitos e células
multinucleadas resultantes da fusão
desses dois tipos de células. Contudo,
de um terço a metade dos doentes
evidenciam apenas astrogliose central e
palidez da mielina. Em cerca de um terço
dos doentes o antígeno p24 pode ser
detectado no LCR. As imagens de tomografia
computadorizada e da ressonância magnética
geralmente demonstram atrofia cerebral com
alargamento dos sulcos e ventrículos
cerebrais. Ver Complexo Relacionado à
Aids/Sida (Cds); Demência.
demência da aids/Sida
- Ver Demência Associada ao VIH.
demência hidrocefálica: é uma forma
muito rara de demência, e ocorre uma hidrocefalia
com pressão cerebral normal. Está relacionada
a doenças cerebrais ocorridas no passado,
como hemorragia cerebral, meningite e/ou
encefalite ou traumatismo de crânio, e que
levam à interrupção do fluxo de líquido
céfalo-raquidiano dentro do cérebro. Freqüentemente,
entretanto, não se encontra uma causa. Exames
como tomografia cerebral ou ressonância
nuclear magnética cerebral mostram-se alteradas,
indicando o aumento de tamanho dos ventrículos
cerebrais. A pressão intracraniana fica
pouco elevada ou normal. Clinicamente se
apresenta com três sintomas característicos:
demência, dificuldade para andar e incontinência
urinária. O tratamento é cirúrgico e consiste
na instalação de um sistema de derivação
do líquido céfalo-raquidiano com
a interposição de uma válvula.
demência na doença
de Creutzfeldt-Jakob (F02.1) -
Demência progressiva com extensas
manifestações neurológicas,
devido a alterações neuropatológicas
específicas que são provavelmente
determinadas por um agente transmissível.
Inicia-se geralmente na meia-idade ou na
velhice, mas pode ocorrer no período
adulto. O curso é subagudo levando
à morte em um ou dois anos.
demência na doença
de huntington (F02.2) - Demência
que ocorre como parte de um processo degenerativo
difuso do cérebro, como manifestação
de uma patologia hereditária rara
descrita por Huntington (1850-1916).
demência na doença
de parkinson (F02.3) - Ocorrência
simultânea de demência e de
doença idiopática de Parkinson,
geralmente em seus estágios mais
avançados e graves. A freqüência
atual desta associação pode
exceder a prevalência esperada tanto
da doença de Alzheimer como da doença
vascular em pacientes com doença
de Parkinson, mas não foram encontradas
características específicas
que permitem diferenciar esta condição
dos transtornos demenciais comuns. A demência
na doença de Parkinson deve ser diferenciada
da acinesia psíquica, da lentificação
do processamento cognitivo e da depressão
encontradas comumente em pacientes com doença
de Parkinson. Sinonímia: Demência
na Paralisys Agitans; Demência em
Parkinsonismo; Síndrome Parkinsoniano-Demencial.
Ver Doença de Parkinson.
demência na doença
de pick (F02.0) - Demência
de evolução progressiva, iniciada
na meia-idade, caracterizada por lenta e
precoce alteração do caráter,
deterioração do desempenho
social, destacando-se inicialmente uma deterioração
intelectual, da memória e da linguagem;
mais tarde, aparecem apatia, euforia e,
ocasionalmente, fenômenos extrapiramidais.
O quadro neuropatológico evidencia
atrofia seletiva dos lobos frontal e temporal.
demência na infecção
pelo vírus da imunodeficiência
humana - Ver Demência Associada
ao VIH.
demência paralítica
- Ver paralisia geral (progressiva).
demência por múltiplos
infartos - Ver Demência Vascular
por Infartos Múltiplos.
demêntia praecox - Termo
obsoleto para a esquizofrenia.
demência precoce
- Grupo de doenças de início
precoce que, de acordo com Kraepelin (1856-1926)
— que empregou um termo criado por
Morel (1809-1873) — invariavelmente
resultava em defeito, ao contrário
da psicose maníaco-depressiva, na
qual era possível remissão
completa ou cura. A formulação
original de Kraepelin para a demência
precoce (1896) incluía formas leves,
graves e hebefrenia. A catatonia e a demência
paranóide eram tidas como entidades
distintas até 1899, quando foram
reunidas sob o conceito de demência
precoce. Em 1909, Eugen Bleuler (1857-1939)
propôs rebatizar este conjunto de
transtornos sob a designação
de “grupo das esquizofrenias”;
o termo, atualmente, está obsoleto.
demência pré-senil
- Demência que tem seu início
antes dos 65 anos de idade. Ver Demência
na Doença de Creutzfeldt-Jakob; Demência
na Doença de Hüntington; Demência
na Doença de Parkinson; Demência
na Doença de Pick; Doença
de Alzheimer.
demência pugilística
- Alteração da memória
e da atenção e mudanças
da personalidade atribuíveis a contusões
cerebrais repetidas, como, p.ex., as sofridas
por boxeadores. Podem-se manifestar afecções
indicativas de lesão cerebelar, piramidal
e extrapiramidal com alterações
neuropatológicas da região
septal, da substância cinzenta mediotemporal,
das vias cerebelares e da substância
nigra.
demência senil -
Demência que tem seu início
após os 65 anos de idade. Ver Demência
na Doença de Creutzfeldt-Jakob; Demência
na DOENÇA de Hüntington; Demência
na Doença de Parkinson; Demência
na Doença de Pick; Doença
de Alzheimer.
demência vascular (F01)
- Demência resultante de infarto cerebral
devido à doença vascular,
inclusive a doença hipertensiva vascular
cerebral. A demência pode suceder-se
a crises isquêmicas passageiras, a
uma sucessão de acidentes vasculares
cerebrais agudos ou, menos comumente, a
um único e grave ataque apoplético.
demência vascular de início
agudo (F01.0) - Demência
vascular que se instala rapidamente depois
de uma sucessão de crises popléticas
ou após uma única e maciça
hemorragia.
demência vascular mista cortical
e subcortical (F01.3) - Demência
cujo quadro clínico ou cujos resultados
de investigação laboratorial
(inclusive necropsia) — ou ambos —
mostra a presença de componentes
indicativos de lesão cortical e subcortical
concomitantes.
demência vascular por múltiplos
infartos (F01.1) - Demência
resultante predominantemente de lesão
cortical, com início gradual, seguindo-se
a diversos episódios isquêmicos
passageiros que produzem acumulação
de infartos no parênquima cerebral.
demência vascular subcortical
(F01.2) - Demência que segue
um processo hipertensivo e é caracterizada
pela destruição isquêmica
da substância branca profunda em ambos
os hemisférios. O quadro clínico
pode ser muito parecido com o da doença
de Alzheimer, mas o córtex cerebral
deve estar preservado. Ver Síndrome
de Binswanger.
dependência (F1X.2)
- Como um termo geral, o estado de necessidade
ou dependência de alguma coisa ou
alguém para apoio, funcionamento
ou sobrevivência.
Quando aplicado ao álcool e outras
drogas, o termo implica a necessidade de
repetidas doses da droga para sentir-se
bem ou para evitar sensações
ruins. No DSM-IIIR, a dependência
é definida como um grupo de sintomas
cognitivos, comportamentais e psicológicos
que indicam que uma pessoa tem o controle
do uso da substância psicoativa prejudicado
e continua esse uso a despeito de conseqüências
adversas. É aproximadamente equivalente
à síndrome de dependência
da CID-10. No contexto da CID-10, o termo
dependência refere-se geralmente a
qualquer dos elementos da síndrome.
O termo é freqüentemente usado
como equivalente de alcoolismo.
Em 1964, uma Comissão de Peritos
da OMS introduziu "dependência"
em substituição a adicção
e habituação. O termo pode
geralmente ser usado com referência
a todas as drogas psicoativas (p.ex., dependência
de drogas, dependência química,
dependência do uso de substância),
ou referindo-se especificamente a uma droga
em particular ou a uma classe de drogas
(p.ex, dependência de álcool,
dependência de opióide). Embora
a CID-10 descreva dependência em termos
de classes de drogas, há diferenças
entre os sintomas
característicos de diferentes drogas.
De forma não qualificada, dependência
refere-se a ambos os elementos físicos
e psicológicos. Dependência
psicológica ou psíquica refere-se
à experiência de controle prejudicado
sobre o beber ou o uso da droga (Ver cravwg,
compulsão), enquanto dependência
fisiológica ou física refere-se
à tolerância e sintomas de
abstinência (Ver neuroadaptação).
Em discussões de orientação
biológica, dependência é
freqüentemente usada para referir-se
somente à dependência física.
Dependência (ou dependência
física) é também usado
no contexto psicofarmacológico num
sentido limitado, referindo-se somente ao
desenvolvimento de sintomas de abstinência
que seguem uma parada do uso de droga. Neste
sentido restrito, dependência cruzada
é vista como complementar à
tolerância cruzada, com ambas definições
referindo-se somente à sintomatologia
física (neuroadaptação).
dependência cruzada -
Termo farmacológico usado para denotar
a capacidade de uma substância (ou
classe de substâncias) de suprimir
as manifestações da síndrome
de abstinência de outra substância
ou classe e assim manter o estado de dependência
física. Note que dependência
é normalmente usado num sentido psicofarmacológico
mais estrito, associado à supressão
dos sintomas da síndrome de abstinência.
Uma conseqüência do fenômeno
da dependência cruzada é que
a dependência a uma substância
é mais provavelmente desenvolvida
se o indivíduo já está
dependente de uma substância relacionada.
Por exemplo, a dependência de um benzodiazepínico
desenvolve-se mais rapidamente em indivíduos
já dependentes de uma outra droga
deste tipo ou de outras substâncias
com efeitos sedativos, tais como álcool
e barbitúricos. Ver Desintoxicação;
Tolerância Cruzada.
dependência de álcool
- Ver Dependência.
depressão - Em linguagem
leiga, um estado de acabrunhamento, desânimo
ou tristeza que pode indicar má saúde.
Em um contexto médico, o termo se
refere a um estado mental dominado por uma
diminuição do humor e freqüentemente
acompanhado por um conjunto de sintomas
variados, particularmente ansiedade, agitação,
sentimentos de desvalia, idéias suicidas,
hipobulia, lentificação psicomotora
e vários sintomas somáticos,
disfunções fisiológicas
(p.ex., insônia) e queixas diversas.
Como síndrome, a depressão
é um elemento importante em várias
categorias de doenças. O termo é
amplamente utilizado — por vezes,
de modo impreciso — para designar
um transtorno, uma síndrome ou um
estado de doença. Ver Melancolia.
depressão anaclítica - A Depressão
Anaclítica é uma depressão infantil precoce
que representa um severo prejuízo no desenvolvimento
físico e psíquico das crianças vítimas de
abandono e/ou negligência. Esse tipo de
depressão infantil e precoce foi descrita
pela primeira vez por Spitz, que a via como
um quadro de perda gradual de interesse
pelo meio, perda ponderal (de peso), comportamentos
estereotipados (tais como balanceios) e,
eventualmente, até a morte.
É devido a esses trabalhos sobre abandono
e negligência que Winnicott chega a dizer
que "Sem ter alguém dedicado especificamente
às suas necessidades, o bebê não consegue
estabelecer uma relação eficiente com o
mundo externo. Sem alguém para dar-lhe gratificações
instintivas e satisfatórias, o bebê não
consegue descobrir seu próprio corpo nem
desenvolver uma personalidade integrada".
depressão anômica
- Estado crônico de disforia que ocorre
num contexto de confusão cultural
e privação social. É
caracterizada por desânimo, sentimento
de fracasso pessoal, pouco amor-próprio
e desorientação moral. A depressão
anômica ocorre em associação
com desculturação em grupos
que passam por rápidas mudanças
tecnológicas e socioculturais. Ver
Desculturação.
depressão endógena
- Termo consagrado pelo tempo, porém
controverso, que se refere a estados depressivos
supostamente originários em uma base
puramente constitucional e para qual nenhuma
etiologia orgânica e nenhuma conexão
causal com um desconforto psicológico
grave pode ser demonstrado. O termo é
também usado descritivamente para
indicar uma variedade de síndrome
depressiva caracterizada por humor depressivo
e que não responde a estímulos
externos, com flutuações diurnas,
lentificação, alterações
do sono com despertar precoce típico,
anergia e sinais de depressão vital
e, em vários casos, agitação,
delírios depressivos e alucinações.
depressão mascarada
- Forma de depressão com sintomatologia
única ou múltipla de natureza
somática e variada e sem a manifestação
conspícua de transtorno de humor.
Todavia, alterações de humor
sutis, anedonia, indecisão, alterações
do sono, ansiedade e obsessões leves
estão em geral presentes e podem
prover a base para o diagnóstico.
depressão mascarada
-
Forma de depressão com sintomatologia
única ou múltipla de natureza
somática e variada e sem a manifestação
conspícua de transtorno de humor.
Todavia, alterações de humor
sutis, anedonia, indecisão, alterações
do sono, ansiedade e obsessões leves
estão em geral presentes e podem
prover a base para o diagnóstico.
depressão
pós-natal - Ver Depressão
Puerperal.
depressão pós-parto
- Ver Depressão Puerperal.
depressão puerperal (F53.0)
- Perturbação afetiva, usualmente
transitória, que se segue a um parto,
e que tem início no período
puerperal (aproximadamente até 45
dias após o parto). As características
clínicas variam de um breve rebaixamento
do humor até uma depressão
grave com ansiedade e apreensão,
sentimentos de indiferença ou hostilidade
para com a criança e o pai desta
e alterações do sono.
depressão vital - Mudança
mórbida característica no
sentimento vital que, de acordo com Schneider
(1887-1967), é uma "melancolia
quase física, em geral agudamente
localizada, aliada a outros desconfortos
corporais".
depressor - Qualquer agente
que suprime, inibe ou diminui alguns aspectos
da atividade do SNC. As principais classes
de depressores do SNC são os sedativos/hipnóticos,
opióides e neurolépticos.
Álcool, barbitúricos, anestésicos,
benzodiazepinas, opiáceos e seus
análogos sintéticos são
exemplos de drogas depressoras. Os anticonvulsivantes
são incluídos algumas vezes
no grupo dos depressores, por causa de suas
ações inibitórias da
atividade neuronal anormal.
Os transtornos relacionados ao uso de depressores
são classificadas na CID-10 como
transtornos por uso de substâncias
psicoativas, nas categorias F10 (para álcool),
F11 (para opióides) e F13 (para sedativos
ou hipnóticos). Ver Álcool;
Benzodiazepina; Neuroléptico; Opióide;
Sedativo/ Hipnótico.
dereísta - Descreve atividade
mental que não está de acordo com a realidade,
com a lógica.
desatenção seletiva - Termo
referente a uma operação de segurança identificada
por Sullivan, na qual os aspectos produtores
de ansiedade de uma situação não têm acesso
permitido à consciência.
descarga
autonômica - Atividade do
sistema nervoso vegetativo (autonômico)
resultante da ativação de
neurônios em quaisquer das estruturas
envolvidas na regulação ou
expressão autonômica: córtex
cerebral, substância cinzenta subcortical
como amígdala, septo, diencéfalo,
porções da substância
reticular do tronco cerebral e fibras nervosas
periféricas simpáticas ou
parassimpáticas. A menos que especificado,
descarga autonômica geralmente se
refere à ativação da
porção simpática do
sistema, manifestada por uma das seguintes
características: constrição
dos vasos sanguíneos na pele e vísceras,
piloereção, relaxamento das
paredes musculares de vísceras ocas,
taquicardia, aumento da pressão sanguínea,
dilatação pupilar, aumento
da freqüência e da amplitude
da respiração e da excitabilidade
motora. Algumas vezes referida como resposta
de "luta ou fuga", a descarga
autonômica é característica
de estados de ansiedade e pânico,
reações de estresse e terror
noturno.
descargas epilépticas no
EEG - Quando um traçado
EEG pode ser realizado durante um ataque
epiléptico, os sinais característicos
incluem pontas (ondas com forma de ponta,
de 20-70 ms de duração) e
ondas lentas aparecendo focalmente ou de
forma generalizada. No traçado EEG
intercrítico, as indicações
diagnósticas de epilepsia são
os paroxismos de pontas e de ondas, de pontas
generalizadas, de pontas focais ou ondas
rápidas (de duração
de 70-200 ms) ou de complexos localizados
de ondas rápidas e lentas. Um traçado
EEG intercrítico normal não
exclui a epilepsia; técnicas de indução,
tais como hiperventilação
e estimulação luminosa podem
ser usadas se houver suspeitas clínicas
de um transtorno epiléptico.
descarrilamento
("afrouxamento de associações").
Um padrão de discurso no qual as idéias
da pessoa mudam de um assunto para outro
sem qualquer relação ou apenas obliquamente
relacionado. Ao mover-se de uma frase ou
oração para outra, a pessoa muda de assunto,
idiossincraticamente, de um quadro de referência
para outro, podendo dizer coisas em justaposição,
sem que tenham um relacionamento significativo.
Esta perturbação ocorre entre as frases,
em contraste com a incoerência na qual a
perturbação se dá dentro das frases. Uma
mudança ocasional de assunto sem aviso ou
conexão obvia não constitui um descarrilamento.
descompensação
- Deterioração das defesas existentes, levando
a uma exacerbação do comportamento patológico.
descriminalização
- Anulação de leis ou regulamentações
que definem como criminoso um comportamento,
produto ou condição. O termo
é usado tanto em conexão com
drogas ilícitas como com delitos
de embriaguez em via pública (Ver
embriagado). Algumas vezes é também
aplicado à redução
na gravidade de um crime ou de penalidades
criminais, como quando a posse de cannabis
é reduzida de crime que leva à
prisão para infração
que pode ser penalizada com uma advertência
ou multa. Assim, a descriminalização
é freqüentemente distinguida
da legalização, o que envolve
a completa anulação de qualquer
definição de um crime, freqüentemente
acompanhado com um esforço governamental
para controlar ou influenciar o mercado
do comportamento ou produto afetado. Ver
Controle do Álcool; Controle de Drogas.
desculturação
- Processo pelo qual pessoas ou povos perdem
sua cultura tradicional (ou pelo menos parte
dela) à medida que assumem certos
aspectos de uma cultura estrangeira (p.ex.,
vestuário, hábitos de higiene,
linguagem, música). O termo, inicialmente
utilizado na África, foi aplicado
a sociedades em desenvolvimento que adaptam
comportamentos, valores e cultura material
superficiais de sociedades industrializadas,
enquanto abandonam aspectos centrais de
suas próprias culturas. Ver Anomia.
desejo sexual excessivo (F52.7)
- Ninfomania na mulher, satiríase
no homem.
desfalecimento - Colapso
súbito no qual a pessoa afetada pode
ouvir, mas não pode se movimentar;
isto pode ocorrer de maneira isolada, recorrente
ou epidêmica. Enquanto síndrome
relacionada à cultura, tem sido observada
no Caribe e na América do Norte em
pessoas de ascendência africana.
desinibição - Estado
de liberação das funções
inibitórias em geral exercidas pelo
córtex cerebral. A desinibição
pode resultar tanto de lesões orgânicas
cerebrais como da administração
de uma droga psicoativa.
A crença de que uma droga psicoativa,
especialmente o álcool, induz farmacologicamente
o comportamento desinibido, é encontrada
desde o século XIX na formulação
fisiológica do desligamento das inibições
localizadas “nos centros superiores
da mente”. Quase qualquer adjetivo,
desde “maligno” a “expressivo”,
pode ser usado para descrever o comportamento
atribuído ao efeito desinibitório.
A expressão “teoria da desinibição"
é usada para distinguir esta crença
de uma perspectiva mais recente que afirma
que os efeitos farmacológicos são
fortemente mediados por expectativas culturais,
pessoais e pelo contexto.
Desinibição é também
usado por neurofisiologistas e neurofarmacologistas
para referir-se à retirada de uma
influência inibitória em um
neurônio ou circuito neuronal em contraste
com a estimulação direta do
neurônio ou circuito neuronal. Por
exemplo, as drogas opióides deprimem
a atividade de neurônios dopaminérgicos
que normalmente exercem um efeito inibitório
na secreção de prolactina
pelas células da hipófise.
Assim, os opióides “desinibem”
a secreção de prolactina e
indiretamente causam uma elevação
do nível de prolactina no plasma.
desinstitucionalização
- Mudança no foco do atendimento à saúde
mental, das formações tradicionais institucionais
para os serviços baseados na comunidade.
desintoxicação
- Processo pelo qual um indivíduo
é afastado dos efeitos de uma substância
psicoativa. Como um procedimento clínico,
o processo de privação ocorre
de maneira segura e efetiva, de modo que
os sintomas da abstinência são
minimizados. O local no qual esse processo
se dá é denominado de unidade
ou centro de desintoxicação.
No início de desintoxicação,
em geral o indivíduo está
clinicamente intoxicado ou já em
abstinência. A desintoxicação
pode ou não envolver o uso de medicamentos.
Quando usada, a medicação
dada é usualmente uma droga que apresenta
tolerância cruzada e dependência
cruzada com a(s) substância(s) usada(s)
pelo paciente. A dose é calculada
para aliviar a síndrome de abstinência
sem induzir intoxicação e
é gradualmente diminuída à
medida que o paciente se recupera.
A desintoxicação como um procedimento
clínico implica que o indivíduo
seja supervisionado até recuperar-se
completamente da intoxicação
ou da síndrome de abstinência
física. O termo “autodesintoxicação”
é usado algumas vezes para denotar
a recuperação não assistida
de um episódio de intoxicação
ou sintomas da abstinência.
deslocamento - Mecanismo
de defesa mental, operando inconscientemente,
pelo qual uma emoção é transferida ou "deslocada"
de seu objeto original para um objeto substituto
mais aceitável.
desorientação -
Obscurecimento das esferas temporal, topográfica
ou pessoal da consciência, associado
a várias formas de síndromes
cerebrais orgânicas ou, menos comumente,
com síndromes dissociativas. Em avaliações
interculturais, o clínico deve estar
sensível às diferenças
culturais relativas a calendários,
diferenças geográficas na
identificação de estações
do ano, do acesso a meios de mensuração
de unidades do tempo ligadas à cultura
(p.ex., relógios) e vários
meios de orientação espacial
(p.ex., indicar andares de um edifício,
conhecimento dos nomes de distritos locais).
despersonalização
- Estado de perturbação da
consciência no qual a pessoa percebe
a si mesma como irreal, distante ou artificial;
tais alterações da consciência
de si mesmo aparecem sem alteração
sensorial e com integridade da capacidade
de expressão emocional. Entre uma
grande variedade de fenômenos de sofrimento
subjetivo, muitos deles difíceis
de serem verbalizados, os mais relevantes
se referem à experiência de
transformação corporal, auto-avaliação
compulsiva, ausência de resposta afetiva
(apatia), perturbação da orientação
temporal e da percepção do
fluir do tempo, alienação
da consciência de identidade (orientação
autopsíquica) ou automatização.
O paciente pode sentir-se distanciado de
suas experiências, como se visse a
si mesmo de longe ou como se tivesse morrido.
A consciência do caráter patológico
destas experiências costuma estar
conservada. A despersonalização
pode ocorrer como manifestação
isolada, mesmo em pessoas sadias submetidas
a fadiga ou sobrecarga emocional, ou pode
compor quadros clínicos mais complexos
de ruminação e outros estados
de ansiedade obsessiva, depressão,
esquizofrenia, certos transtornos da personalidade
e alterações funcionais cerebrais.
Sua patogenia é desconhecida. Ver
Sindrome De Despersonalização/Desrealização.
desrealização -
Experiência subjetiva de alienação
semelhante à despersonalização,
mas que envolve o mundo externo ao invés
das experiências próprias do
indivíduo e sua personalidade. O
ambiente pode parecer descolorido, sem vida
e parecer artificial ou num estágio
no qual as pessoas estão agindo em
papéis errados. Ver Síndrome
de Despersonalização/Desrealização.
desregulação
circadiana - Transtorno do ritmo
circadiano atribuível à falha
de sincronização dos marcapassos
circadianos internos. Ver Relógio
Biológico; Oscilador Circadiano.
desvantagem (ING.: Handicap) - Obstáculos,
conseqüentes a deficiências ou
incapacidades, que limitam ou impedem a
um indivíduo o desempenho de papéis
ou atividades normalmente esperados por
seu grupo social, de acordo com sua idade,
sexo e outros fatores sociais e culturais.
Representa uma discordância entre
o desempenho ou status de um indivíduo
e as expectativas do próprio indivíduo
ou do grupo social a que ele pertence. Resulta
das barreiras físicas ou de qualquer
outra natureza, erigidas pelo grupo social
em relação a um indivíduo
(ou grupo de indivíduos) em função
de sua identidade particular como portador
de um dado transtorno. Ver Deficiência;
Incapacidade.
desvio - Em geral, forma
de comportamento que se afasta significativamente
daquilo que é considerado como normal
em uma dada cultura. O termo pode ser neutro,
designando baixa freqüência estatística,
ou pode traduzir um significado sociológico,
p.ex., quebra de regras, conduta estigmatizada
ou censurada ou adoção de
papéis marginais na sociedade. Ver
Normalidade.
desvio sexual - Ver Transtorno
da Orientação Sexual.
deterioração esquizofrênica
- Redução da capacidade cognitiva
adaptativa, da resposta volitiva e afetiva,
da motivação e das habilidades
sociais, que ocorrem em uma parte das doenças
esquizofrênicas, após o início
da doença, por períodos variáveis.
Este processo normalmente resulta em um
defeito ou em um estado terminal, mas nem
sempre é irreversível. Ver
Defeito; Sintomas Negativos.
determinismo cultural - A
visão de que o desenvolvimento, a
psicologia e o comportamento humano são
determinados pela cultura, com pouca ou
nenhuma contribuição de fatores
biológicos e psicológicos.
É um conceito que se opõe,
por um lado, ao determinismo biológico
(ou seja, a biologia determina tudo), e,
por outro lado, ao determinismo psicológico
(ou seja, a psicologia determina tudo).
dhat (P4Q.8) - Síndrome
específica a certas culturas, na
qual há uma preocupação
indevida sobre os efeitos debilitantes da
emissão do sêmem.
diacetilmorfina
- Nome alternativo genérico
para heroína. Ver Opióide.
díade
- O relacionamento entre duas pessoas,
tal como o relacionamento terapêutico entre
enfermeira e cliente.
diamorfina - Nome alternativo
genérico para heroína. Ver
opióide.
diazepam - Um benzodiazepínico
comum.
dificuldade de aculturação
- Lentidão ou inadequação
para adaptar-se às exigências
de um novo ambiente no qual se pode esperar
uma razoável integração
do indivíduo.
difusão cultural - Propagação
de traços culturais através
de contatos com outras sociedades. Em relação
à psiquiatria, a difusão cultural
pode ser aplicada a manifestações
psicopatológicas (p.ex., o koro na
Ásia), conceitos psicológicos
(p.ex., o inconsciente), procedimentos terapêuticos
(p.ex., o hospital psiquiátrico,
o repouso, os medicamentos), ou métodos
de manutenção da saúde
mental (p.ex., férias de responsabilidades
e de papéis usuais). Ver Contágio.
difusão do pensamento
- Experiência de que os próprios
pensamentos são, de alguma maneira,
compartilhados por outras pessoas assim
que são produzidos, ou são
tornados do conhecimento público.
dipsomania (F10.2) - Forma
de uso excessivo de álcool caracterizada
por uso episódico, porém descontrolado.
Ver Alcoolismo; Transtorno por Abuso de
Substância Psicoativa.
dirigir alcoolizado - Termo
geralmente usado para a ação
delituosa de dirigir um veículo com
teor alcoólico no sangue acima dos
limites estabelecidos. Nos últimos
anos, as leis contra dirigir alcoolizado
têm sido freqüentemente ampliadas
e aplicadas também para "dirigir
drogado" ou "dirigir intoxicado",
geralmente proibindo dirigir com qualquer
traço de certas drogas específicas
na corrente sanguínea. Sinonímia:
dirigir embriagado.
disartria - Transtorno
da articulação da fala que
interessa o componente motor da expressão
verbal que pode ser causado por lesões
dos neurônios30 motores superiores
ou inferiores, das vias extrapiramidais
ou cerebelares ou dos músculos da
fala.
discinesia - Termo geral
que cobre várias formas de movimentos
anormais que incluem tremor, tique, balismo,
torção espasmódica,
atetose, distonia e mioclono.
discinesia tardia - Síndrome
neurológica que, em geral, aparece
após um longo período de tratamento
com neurolépticos, e que se manifesta
por movimentos involuntários anormais,
lentos e irregulares, da língua,
lábios, boca e tronco e por movimentos
coreoatetóides das extremidades.
As discinesias periorais são as mais
comuns; elas incluem movimentos de torção
e protrusão da língua, movimentos
mastigatórios mandibulares e enrugamento
dos lábios (muxoxo). Não se
conhece um tratamento efetivo, mas observam-se
remissões espontâneas em 50-90%
dos casos leves e 5-40% dos casos graves.
discriminação
- 1. Ato de distinguir precisamente e identificar
um objeto ou conceito através do
reconhecimento de diferenças entre
dois objetos ou conceitos. Assim, discriminação
auditiva é a habilidade de diferenciar
entre sons da fala, entre fala com significado
e sílabas sem sentido ou barulho,
entre vozes diferentes, etc. Da mesma forma,
discriminação visual é
a habilidade de diferenciar entre as letras
de uma palavra escrita e rabiscos, entre
números diferentes, entre cores,
etc. 2. Identificação, na
maioria das vezes de forma negativa ou pejorativa,
de um indivíduo como pertencente
a um grupo ou minoria social.
disfagia - Deglutinação
difícil e dolorosa.
disfasia - Forma parcial
ou incompleta de afasia. Ver afasia.
disforia - Humor desagradável.
Ansiedade. Angústia.
disforia quanto ao gênero - Uma aversão persistente em relação a algumas ou todas as características
ou papéis sociais que conotam o próprio
sexo biológico.
disfunção autonômica16
somatomorfa (F45.3) - Sintomas
apresentados por um paciente como se fossem
devido a um transtorno físico de
um sistema ou de um órgão
em grande parte ou completamente sob inervação
e controle autonômico, p.ex., sistemas
cardiovascular, gastrintestinal, respiratório
e geniturinário. As queixas podem
ser baseadas em sinais objetivos de estímulo
autonômico, tais como palpitações,
sudorese, rubor, tremor e expressão
de medo e receio da possibilidade de um
transtorno físico ou podem ser de
natureza inespecífica ou mutável,
tal como dores passageiras, sensações
de queimadura, peso, aperto e sensações
de estar inflado ou distendido, que são
referidas pelo paciente a um órgão
ou a um sistema específico.
disfunção cerebral
mínima - Termo geral, não
aceito universalmente, aplicado à
limitação relativamente leve
da função cerebral que afeta
o comportamento, a percepção
e as aptidões escolares em crianças
com inteligência normal. A manifestação
clínica inclui hiperatividade, falta
de coordenação motora, pouca
capacidade de atenção, labilidade
emocional e conduta anti-social. Às
vezes, estão presentes leves alterações
neurológicas. Ver Transtorno Hipercinético.
disfunção hipotalâmica
- Os sintomas e as síndromes hipotalâmicos
incluem hipotermia, hipersônia, síndrome
de Kleine-Levin, síndrome adiposogenital,
diabete insípido, epilepsia autonômica
e estupor. Alguns sintomas e síndromes
devido primariamente a uma disfunção
hipotalâmica têm sido denominados
de disfunção diencefálica.
disfunção orgásmica
- Ver Disfunção Sexual.
disfunção sexual (F52)
- Denota uma variedade de processos nos
quais um indivíduo é incapaz
de participar de um relacionamento sexual
tal como deseja. A resposta sexual é
um processo psicossomático e ambos
os processos psicológico e somático
estão geralmente envolvidos na causalidade
da disfunção sexual. Inclui
falta ou perda de desejo sexual, aversão
sexual, falta de resposta genital, disfunção
orgásmica, ejaculação
prematura, vaginismo não orgânico,
dispareunia não orgânica e
desejo sexual excessivo.
dislalia (F80.0) - Termo
impreciso para a má articulação
dos sons da fala que resulta num discurso
anormal, por comparação ao
de outras pessoas da mesma cultura ou da
mesma faixa etária. Às vezes,
o termo designa a esquiva de todas as consoantes
difíceis; outras vezes, refere-se
especificamente a substituição
do L pelo R e ainda em outras situações
é usado para destacar a ininteligibilidade
da fala de crianças. Ver Transtorno
Específico do Desenvolvimento da
Fala e da Linguagem.
dislexia - Incapacidade
ou dificuldade para a leitura, incluindo
cegueira para as palavras e uma tendência
para inverter letras e palavras na leitura
e na escrita.
dislexia do desenvolvimento
- Ver Transtorno Específico da Leitura.
dismenorréia - Menstruação
dolorosa, mais comumente cólicas
no baixo ventre, freqüentemente acompanhada
de dor de cabeça, irritabilidade,
depressão e fadiga. Em aproximadamente
75% dos casos, a dismenorréia é
primária ou funcional, ou seja, não
se encontra nenhuma causa orgânica.
Ver Sidrome de Tensão Pré-Menstrual.
dismnésia - Perturbação
de memória. A expressão síndrome
dismnésica é empregada algumas
vezes como sinônimo da síndrome
de Korsakov não alcoólica.
Ver Amnésia.
dismorfofobia (F22.8; F45.2) - Termo
criado por Morselli em 1886 para descrever
sentimentos subjetivos de feiúra
ou de um defeito físico percebido
pelo paciente como notável pelos
outros, embora sua aparência esteja
dentro dos limites normais. A síndrome
pode aparecer em estados obsessivos, depressão,
doença cerebral orgânica ou
doenças psicóticas; seu prognóstico
varia de acordo com a natureza da doença
de base.
dispareunia não orgânica
- Disfunção sexual que consiste
em dor durante a relação sexual,
na ausência de alterações
orgânicas locais.
dispraxia - Forma parcial
ou incompleta de apraxia. Ver apraxia.
dispraxia do desenvolvimento - Ver
Transtorno Específico do Desenvolvimento
da Função Motora.
dissociação - Alteração
temporária da consciência não
devido à doença mental orgânica;
suas manifestações clínicas
podem incluir conversão, fuga, desorientação,
amnésia, pseudoconvulsões.
Certas síndromes vinculadas à
cultura, tais como personalidade múltipla,
síndrome de Ganser e síndromes
de possessão freqüentemente
apresentam esta condição considerada
como não-psicótica. Ver Histeria;
Somatização.
dissonia
- Transtornos primários do sono ou vigília,
caracterizados por insônia ou hipersonia
como sintoma principal. As dissonias são
transtornos na quantidade, qualidade ou
tempo de sono.
dissulfiram - O protótipo
da droga sensibilizadora ao álcool
prescrita para ajudar na manutenção
da abstinência do álcool. O
dissulfiram inibe a atividade da aldeidodesidrogenase
e, na presença de álcool,
causa acúmulo de acetaldeído
e uma reação aversiva de rubor
facial, acompanhada por náuseas,
tonturas e palpitações. Esses
efeitos algumas vezes são denominados
de "reação antabuse"
(devido ao nome comercial de uma de suas
apresentações).
distanciamento sonolento
- Termo de Sullivan para a operação de segurança,
originada na infância, onde o indivíduo
adormece quando confrontando por uma
experiência altamente ameaçadora e produtora
de ansiedade.
distimia (F34.1) - Transtorno
caracterizado por uma depressão crônica4
do humor, que dura pelo menos vários
anos, e que não é suficientemente
grave nem tem episódios de duração
suficiente para caracterizar um transtorno
depressivo recorrente. Em psicopatologia,
o termo é usado também para
designar um grupo de sintomas afetivos e
obsessivos em indivíduos com um alto
grau de neuroticismo e introversão.
distonia - Espasmos musculares
agudos tônicos, freqüentemente da língua,
mandíbula olhos e pescoço, mas ocasionalmente
em todo o corpo. Às vezes ocorre
durante os primeiros dias da administração
de drogas antipsicóticas.
distonia -
perturbação na tonicidade dos músculos.
distonia induzida por drogas
- Reação aguda aos medicamentos
antipsicóticos, que ocorre dentro
do período de 48 horas a partir da
administração do medicamento.
Caracteriza-se por espasmos musculares involuntários
que afetam principalmente a cabeça
e o pescoço (p.ex., caretas, opistótono),
mas que também pode envolver os músculos
do tronco e das extremidades.
distorção - Alteração
de fatos, percepções, idéias
ou impulsos de forma que eles não
correspondem às interpretações
ou percepções comumente aceitas.
A distorção pode ser consciente
ou inconsciente, ou pode ser uma combinação
de ambas. De acordo com a teoria psicanalítica,
a neurose de transferência é
um tipo particular de distorção
inconsciente que se desenvolve no contexto
da relação psicoterapêutica.
Geralmente a distorção não
implica nem um erro interpretativo psicótico
nem uma percepção delirante.
distorções de linguagem
- Alterações de palavras,
frases ou construções gramaticais.
Exemplos destas distorções
ocorrem em pacientes afásicos ou
em crianças com transtornos de desenvolvimento
da leitura ou da fala. Estas distorções
podem tornar difícil ou às
vezes impossível o entendimento do
que a pessoa tenta dizer. Em avaliações
clínicas com auxílio de intérpretes,
estes podem não reconhecer o valor
clínico deste quadro e podem tentar
“normalizar” as expressões
do paciente, mascarando a patologia expressa
no discurso do paciente. Ver Linguagem.
distratibilidade - Incapacidade
para manter a atenção; mudança de uma área
ou tópico para outra, com uma provocação
mínima.
distribuição lognormal
- Refere-se à teoria, proposta
por Sully Ledermann, nos anos 1950, que
o consumo de álcool está distribuído
entre os bebedores de uma população
de acordo com uma curva lognormal que varia,
de uma população a outra,
segundo um único parâmetro,
pelo que uma grande proporção
do consumo de álcool se deve a uma
pequena proporção de bebedores.
Se bem que a formulação específica
de Ledermann esteja hoje desacreditada,
aceita-se, em geral, que, nas sociedades
onde se obtém álcool livremente
no mercado, os bebedores estão distribuídos
ao longo de um espectro de níveis
de consumo de álcool, numa curva
unimodal desviada para a esquerda (referida
como a distribuição unimodal
do consumo, a qual também caracteriza
o consumo de muitos outros bens). A ênfase
na distribuição do consumo
na população tornou-se associada
a uma atenção renovada para
com medidas do controle do álcool
que reduzem os níveis dos problemas
ligados ao álcool; por isso, esta
perspectiva orientada para a saúde
pública é, às vezes,
designada como teoria da distribuição
do consumo.
divulgação
do pensamento - Ver
Difusão do Pensamento.
doença
alcoólica - A convicção
de que o alcoolismo é uma condição
de causa biológica primária
e com história natural previsível
configura-a de acordo com as definições
aceitas de uma doença. A perspectiva
leiga dos Alcoólicos Anônimos
(1939) — de que o alcoolismo, caracterizado
pela perda de controle do indivíduo
sobre o beber e assim sobre sua vida, era
uma “doença” —
foi introduzida na literatura acadêmica
nos anos 1950 na forma de conceito de doença
do alcoolismo. O conceito tinha suas raízes
nas concepções médica
e leiga do século XIX de embriaguez
como uma doença. Em 1977, um grupo
de investigadores da OMS, reagindo ao amplo
e diversificado uso do termo alcoolismo,
propôs substitui-lo na nosologia psiquiátrica
por síndrome de dependência
do álcool. Por analogia com dependência
de drogas, a dependência de álcool
tem encontrado aceitação geral
nas atuais nosologias.
doença alcoólica do
músculo cardíaco
- Ver Cardiopatia Alcoólica.
doença da ira do fogo -
Síndrome mais comumente encontrada
na Coréia, caracterizada por sintomas
epigástricos e um medo de morte iminente,
freqüentemente associada a problemas
familiares e/ou depressão.
doença de alzheimer
- Doença cerebral degenerativa primária,
de etiologia desconhecida, com manifestações
neuroquímicas e neuropatológicas
características, incluindo atrofia
cortical com redes neurofibrilares e placas
neuríticas argentofílicas
e uma redução acentuada da
enzima colinaacetiltransferase, da própria
acetilcolina e de outros neurotransmissores
e neuromoduladores. A doença é
usualmente de início insidioso e
evolui lentamente, porém de maneira
contínua em um período de
alguns anos. Os casos de início tardio,
i.é., após os 65 anos de idade
(Tipo l), são caracterizados por
uma evolução lenta sendo o
comprometimento da memória a manifestação
principal; casos com início antes
dos 65 anos (Tipo 2) mostram um curso de
deterioração relativamente
rápida e transtornos múltiplos
das funções corticais superiores
acentuados. A condição foi
descrita pela primeira vez como demência
pré-senil por A. Alzheimer (1864-1915).
doença de creuzfeldt jakob
- Ver Demência na Doença
de Creuzfeldt Jakob.
doença de grisi
- Síndrome relacionada à cultura,
recentemente descrita na América
Central, na qual adolescentes do sexo feminino
fogem de suas aldeias. Ocasionalmente elas
brandem facas e criam o temor de ferir a
si próprias ou a terceiros. É
caracterizada pelo início súbito,
e pode ocorrer de modo endêmico ou
epidêmico8, sendo presumidamente causada
por agressões sexuais realizadas
pelo diabo.
doença de huntington -
Degeneração progressiva dos
gânglios da base, corpo estriado e
córtex cerebral transmitido por um
gene autossômico32 dominante localizado
no braço curto do cromossoma 4 e
caracterizado clinicamente por movimentos
coreiformes progressivos e demência.
O início dos movimentos anormais
ocorre habitualmente entre os 20 e 25 anos
de idade e é seguido, depois de um
período variável, pelo desenvolvimento
de sintomas cerebrais orgânicos. A
doença é habitualmente fatal
nos 10 a 15 anos que seguem o seu início.
Sinonímía: Coreia de Huntington.
doença de parkinson
- Transtorno neurológico, descrito
inicialmente por Parkinson (1755-1824),
que consiste na degeneração
dos gânglios basais, particularmente
a substância nigra. As principais
características clínicas são
rigidez muscular, bradicinesia, tremor e
deformidades posturais. As causas podem
ser idiopáticas, infecciosas ou tóxicas,
ou a condição pode ser parte
de um amplo processo patológico que
afeta o sistema nervoso central, p.ex.,
uma doença cerebrovascular. Os sintomas
parkinsonianos podem também ser induzidos
por medicamentos (parkinsonismo), p.ex.,
os neurolépticos, que produzem um
bloqueio dos receptores de dopamina nos
gânglios basais.
doença de pick - Ver
Demência na Doença de Pick.
doença de tay-sachs
- Transtorno autossômico recessivo
do metabolismo esfingo-lipídico:
a falta da enzima lipossômica hexosaminidase
A leva a uma acumulação de
gan-gliosídeos GM2 nas células
nervosas do córtex e do cerebelo
e dos axônios. A degeneração
das fibras nervosas da retina expõe
o córion vascular na área
macular, produzindo uma mancha vermelho-cereja
patognomônica, visível ao exame
do fundo de olho. Outras manifestações
que surgem nos primeiros 6 meses de vida
incluem uma alteração do desenvolvimento
intelectual e psicomotor, irritabilidade,
cegueira, espasticidade, convulsões
e finalmente rigidez descerebrada e a morte
pela idade de três anos. A incidência
é superior nos judeus Ashkenazi.
O diagnóstico pré-natal e
o rastreamento de heterozigotos têm
resultado na diminuição da
incidência da doença em anos
recentes. Sinonímia: Idiotia Amaurótica
Familiar (Obsoleta); Degenerescência
Cerebromacular; Gangliosidose Gm2.
doença dos nervos - Mal
vago, encontrado em grupos latino-americanos.
Os sintomas mais comuns variam de instabilidade
emocional e ansiedade ao abuso de álcool,
dores de cabeça e síndrome
paranóide. Julga-se que os efeitos
patológicos do estresse no sistema
nervoso contribua para a existência
de uma série de alterações
comportamentais, emocionais ou mentais.
Pode ocorrer em associação
com vários transtornos psiquiátricos,
tais como transtorno de ajustamento, transtorno
do humor, transtorno de ansiedade, transtorno
dissociativo, transtorno por uso de substâncias.
É descrita como um transtorno crônico
ou como uma vulnerabilidade crônica
devido a defeitos constitucionais. Nervos
é um estado semelhante à doença
dos nervos, encontrado em indivíduos
que falam diferentes dialetos do inglês.
Nevra é um estado semelhante à
doença dos nervos, encontrado em
pessoas de origem grega. Ver Neurastenia.
doença hipertensiva vascular
cerebral - O resultado clínico
mais comum das alterações
patológicas dos vasos sanguíneos
cerebrais associadas à hipertensão
é a hemorragia intracerebral, provavelmente
causada por microaneurismas das pequenas
artérias. Em casos raros, uma encefalopatia
aguda acompanha um grau avançado
de hipertensão, com vasoconstrição
que leva a um edema cerebral.
doença maníaco-depressiva
- Termo empregado pela primeira
vez por Kreapelin (1856-1926) na sexta edição
do seu livro (1899) para descrever o conceito
nosológico que integra os conceitos
prévios de doença cíclica,
mania periódica e melancolia periódica.
doença mental funcional
- Doença de origem emocional na qual as
alterações orgânicas ou estruturais estão
ausentes ou são desenvolvidas secundariamente
a um estresse emocional prolongado.
domicílio - As culturas
em geral prescrevem o local de residência
para seus jovens adultos, até o casamento.
Domicílio matrilocal diz respeito
ao costume segundo o qual os recém-casados
passam a morar na casa dos pais da noiva.
O domicílio patrilocal ocorre quando
os recém-casados se mudam para a
casa dos pais do noivo, ou suas proximidades.
O domicílio neolocal é definido
pela escolha, por parte dos recém-casados,
do local de sua própria residência
em vez de viverem próximo à
família do noivo ou da noiva. Os
clínicos podem achar esta informação
útil para a compreensão de
relações e interações
familiares.
doping - Definido pelo
Comitê Olímpico Internacional
e pela Federação Internacional
de Atletas Amadores como o uso ou distribuição
de substâncias que podem melhorar
artificialmente as condições
físicas e mentais do atleta e, portanto,
seu desempenho atlético. As substâncias
que têm sido usadas com este fim são
inúmeras e incluem vários
esteróides, estimulantes, beta bloqueadores,
anti-histamínicos e opióides.
Testes de rastreamento oficiais para detecção
de doping têm sido feitos nos Jogos
Olímpicos desde 1968 e são
atualmente uma prática habitual em
vários esportes profissionais e amadores
em muitos países.
No final do século XIX, um exemplo
de doping era a ministração
de substâncias psicoativas a cavalos
de corrida, para alterar seu desempenho
e “dopado” passou a ser usado
para descrever uma pessoa cujos sentidos
estivessem aparentemente embotados, como
sob efeito de drogas. Na gíria, o
termo “dopado” tem sido utilizado
para se referir a qualquer substância
psicoativa (na América do Norte,
nas últimas décadas, refere-se
particularmente à cannabis).
dor crônica intratável
- Dor persistente, ou freqüentemente
recorrente, não explicável
pelo grau de patologia tecidual e que não
responde às tentativas usuais para
aliviá-la. A forma mais comum de
dor crônica intratável é
a dor nas costas, especialmente na parte
inferior da mesma. Ver Alterações
Permanentes da Personalidade.
dor intratável -
Ver Alterações Permanentes
de Personalidade.
dosagem de drogas - Análise
de fluidos corporais (sangue, urina ou saliva),
cabelos ou outros tecidos para verificar
a presença de uma ou mais substâncias
psicoativas.
Os testes são usados para monitorizar
a abstinência de substâncias
psicoativas em participantes de programas
de reabilitação de drogas,
para monitorizar o uso furtivo de drogas
por pacientes em terapia de manutenção
e em empregos condicionados à abstinência
destas substâncias. Ver Teor Alcoólico
no Sangue para testes específicos
para o álcool.
dosagem de drogas na urina - Análise
de amostras de urina para detecção
de substâncias psicoativas. Ver Dosagem
de Drogas.
dose padrão - Volume
de bebida alcoólica (p.ex., um copo
de vinho, uma lata de cerveja, ou um coquetel
que contém destilados) que contém
aproximadamente as mesmas quantidades (em
gramas) de etanol, independente do tipo
de bebida. O termo é geralmente utilizado
para educar usuários de álcool
sobre efeitos similares associados com o
consumo de diferentes bebidas alcoólicas,
servidas em copos ou em recipiente de tamanho-padrão
(p.ex., os efeitos de um copo de cerveja
são equivalentes aos de uma taça
de vinho). No Reino Unido, é empregado
o termo “unidade” (aproximadamente
8-9 g de etanol); na literatura norte-americana,
“uma dose” contém cerca
de 12 g de etanol. Em outros países,
as quantidades de álcool escolhidas
para se aproximarem de uma dose padrão
podem ser maiores ou menores, dependendo
dos costumes locais e do acondicionamento
da bebida.
droga - Termo de uso variado.
Em geral, refere-se a qualquer substância
com o potencial de prevenir ou curar doenças
ou aumentar o bem-estar físico ou
mental. Em farmacologia, refere-se a qualquer
agente químico que altera os processos
bioquímicos e fisiológicos
de tecidos ou organismos. Portanto, droga
é uma substância que é,
ou pode ser, listada numa farmacopéia.
Na linguagem comum, o termo se refere especificamente
a drogas psicoativas e em geral ainda mais
especificamente às drogas ilícitas,
as quais têm um uso não médico
além de qualquer uso médico.
As classificações profissionais
(p.ex., “álcool e outras drogas”)
freqüentemente procuram fazer com que
a cafeína, o tabaco, o álcool
e outras substâncias de uso habitual
não médico sejam também
enquadradas como drogas, na medida em que
elas são consumidas, pelo menos em
parte, por seus efeitos psicoativos.
droga analéptica
- Ver Estimulante.
droga analgésica - Droga
ou outro agente que alivia dor.
droga ansiolítica
- Ver Droga Antiansiedade.
droga antiansiedade - Qualquer
substância de um grupo heterogêneo
empregada no tratamento da ansiedade patológica.
Elas incluem os tradicionais sedativos,
os benzodiazepínicos e alguns anti-histamínicos
e anticolinérgicos, assim como compostos
mais recentes. O termo é empregado
de maneira ampla. Sinonímia: Droga
Ansiolítica. Ver Sedativo/Hipnótico;
Transtorno por uso de Substância Psicoativa.
droga antidepressiva -
Qualquer substância química
ou farmacológica usada para combater
síndromes depressivas.
droga antiepiléptica -
Droga que abole ou atenua convulsões
epilépticas, tanto pelo seu efeito
direto no foco convulsivo como impedindo
a irradiação da excitação
daquele foco. Os antiepilépticos
em uso clínico habitual incluem os
barbitúricos, a fenitoína,
as oxazolidinedionas, os iminostilbenos,
os valproatos e alguns benzodiazepínicos.
droga antiparkinsoniana
- Droga que reduz a gravidade dos sintomas
e sinais parkinsonianos por sua ação
nos gânglios basais. As duas categorias
principais contêm:
1. compostos anticolinérgicos naturais
ou sintéticos;
2. substâncias dopaminérgicas,
geralmente administradas com anti- histamínicos.
droga encaminhadora - Droga
ilícita ou lícita, cujo uso
é considerado encaminhador ao uso
de outra droga, geralmente tida como mais
problemática.
droga hipnótica
- Droga que provoca sonolência e facilita
o desencadear de um estado semelhante ao
sono natural. Os agentes hipnóticos
mais usados deprimem o sistema nervoso central
e podem provocar uma sedação
em doses baixas e anestesia em doses altas.
Ver Sedativo/Hípnótico; Transtorno
por uso de Substância Psicoativa.
droga ilícita - Substância
psicoativa, cuja produção,
venda ou uso são proibidos. Estritamente
falando, não é a droga que
é ilícita, mas sua produção,
venda ou uso em circunstâncias específicas
em uma dada jurisdição (Ver
substâncias controladas). Comércio
de drogas ilícitas, um termo mais
exato, refere-se à produção,
distribuição e venda de qualquer
droga fora dos canais sancionados legalmente.
droga lícita - Droga
que está legalmente disponível
por receita médica em determinada
jurisdição ou, por vezes,
uma droga legalmente disponível sem
receita médica. Ver Droga Ilícita.
droga neuroléptica - Droga
com ação antipsicótica,
geralmente associada à indução
de uma síndrome neurológica
que inclui efeitos colaterais extrapiramidais.
Ver Antipsicótico.
droga psicoativa - Ver
Substância Psicoativa.
droga sensibilizadora ao álcool
- Um agente terapêutico prescrito
para ajudar na manutenção
da abstinência do álcool por
meio da produção de efeitos
colaterais desagradáveis, se o álcool
for ingerido. Os compostos comumente em
uso inibem a aldeidodesidrogenase, a enzima
que cataliza a oxidação do
acetaldeído. A conseqüente acumulação
do acetaldeído causa a síndrome
de rubor facial, náusea e vômito,
palpitações e tontura. Exemplos
de drogas sensibilizadoras incluem o dissulfiram
(Antabuse) e a carbamida de cálcio.
drogas anticonvulsivantes
- Ver Drogas Antiepilépticas.
drogas antiepilépticas -
Grupo de agentes terapêuticos
prescritos para o tratamento de transtornos
epilépticos. Estes agentes são
comumente prescritos para convulsões
da abstinência do álcool, embora
não haja uma clara evidência
de sua eficácia para a profilaxia
primária ou secundária. Sinonímia:
Drogas Anticonvulsivantes.
drogas projetadas - Substância
química nova, com propriedades psicoativas,
sintetizada especificamente para venda no
mercado ilícito e para burlar as
regulamentações sobre as substâncias
controladas já conhecidas (p.ex.,
MDMA ou 3,4 metilenodioximetilanfetamina).
Em contrapartida, estas regulamentações,
atualmente, comumente cobrem a existência
de novas substâncias psicoativas e
possíveis análogos. O termo
foi cunhado em 1980.
duplo diagnóstico - Um
termo genérico que se refere à
comorbidade ou à concomitância
no mesmo indivíduo de um transtorno
por uso de substâncias psicoativas
e outro transtorno psiquiátrico.
Tais indivíduos são algumas
vezes conhecidos como doentes mentais que
abusam de substâncias químicas.
Menos comumente o termo se refere à
ocorrência simultânea de dois
transtornos psiquiátricos, não
envolvendo o uso de substâncias psicoativas.
O termo também tem sido aplicado
à concomitância de dois transtornos
por uso de substâncias (Ver Uso de
Múltiplas Drogas). O uso deste termo
não traz implicações
sobre a natureza da associação
entre as duas condições ou
de qualquer relação etiológica
entre elas. Sinonímia: comorbídade.
duplo sentido - Interação
na qual uma pessoa exige resposta a determinada
mensagem que simultaneamente contém sinais
contraditórios, ficando a outra pessoa incapaz
tanto de comentar sobre essa incongruência
como escapar dela.
duplo vínculo - Situação em que qualquer alternativa
comportamental é aversiva ou resulta
em punição para o indivíduo;
nenhuma escolha correta é possível.
Conflitos de papéis, conflitos de
normas e identidade bicultural favorecem
especialmente este dilema.
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